A verdade nos detalhes

Em toda essa questão da Comissão da Verdade, a melhor cena da semana: Maria Rita Kehl chegando ao jantar em Brasília, em carro oficial com motorista.

Não é irônico? Não valeu a pena passar anos da vida em prol da causa “igualitária” do PT?

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A gente tentou avisar, né?

Da Folha:

O ex-governador José Serra (PSDB) lidera a disputa pela Prefeitura em São Paulo com 31% das intenções de votos, de acordo com pesquisa Ibope divulgada nesta quarta-feira (9) pelo SPTV, da TV Globo.

Em segundo está o ex-deputado Celso Russomanno (PRB), que aparece com 16%.

O deputado Gabriel Chalita (PMDB), com 6% das intenções, está à frente do ex-ministro petista Fernando Haddad, que conta com 3%. (íntegra)

É de mencionar que Soninha Francine está à frente de Haddad e de Chalita, com 7% das intenções de voto. É de mencionar ainda que Serra tinha 20% das intenções de voto m dezembro passado, quando ainda não era candidato mas todo mundo sabia que seria candidato.

A gente nunca deve cuspir pra cima, né, benhê?, mas aqui no cafofo o raciocínio é cristalino: a equipe do candidato petista está pouco se lixando para a cidade. Resolveu manter aqui a estratégia de terra arrasada de sempre, que tanto seduziu corações e mentes nos anos 80, e que lhe deu muitas cidades, alguns estados e… a presidência.

Mas há casos em que isso não dá certo. Numa cidade que luta para administrar a quantidade de gente que para cá acorre, vinda de terras miserentas onde o poder público não libera um biscoito de polvilho sem pedir algo em troca, não é esculhambando tudo que o cabra irá ganhar a Prefeitura, não…

Tá, mas tem o Russomano. Russomano é uma espécie de transmutação do Maluf: tem seu reduto, um tipo de gente que se impressiona com sua fatiota conservadora e seu cabelinho penteado com escova de cerdas eletrificadas. Não deve ser levado em conta. Eu não levo, e você?

Resumindo a paçoca: paulistano quer transporte rápido, eficiente e limpo, e sabe que o PSDB está se esfalfando pra isso. Simples assim.

Xô ônibus! Transporte de massa é sobre trilhos e pronto.

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Comilança para a patulée

O prefeito Gilberto Kassab não se deu por vencido com a baixaria da galinhada de Alex Atala. Para ele, foi apenas uma “queimada na largada”. Ele achou bacana e promissora essa iniciativa alimentar que reuniu 30 chefs na Virada Cultural e pensa em fazer uma “Virada Gastronômica” até o fim do ano.

Bem, eu não sei se é boa ideia. Gente em geral adapta comportamentos. É como o que acontecia no transporte público da cidade há uns anos: o povo respeitava o Metrô por ser “novo” e bem vigiado, e não fazia o mesmo com os trens, na época sucateadinhos. O mesmo com ônibus da periferia (sempre rabiscados) e linhas mais centrais, geralmente preservadas. Há uma espécie de cerimônia no vandalismo, que raras vezes é rompida.

E é por causa desses “raras vezes” que fico pensando como será essa tal Virada Gastronômica. Será na rua ou os chefs convidarão o rebotalho para dentro de seus restaurantes? Marcos Bassi, Atala, Erick Jacquin, todo mundo recebendo a canalha das ruas para usufruir de ambiente refinado, seus cristais finos e suas toalhas alvíssimas a preços convidativos? Não sei.

Bem. Temos anualmente o Restaurant Week, em que restaurantes variados mantêm preços mais populares, mas que não é, definitivamente, um evento popular. Satisfaz a classe média, o que já está de bom tamanho.

Temos também as grandes festas religiosas, como a de Nossa Senhora Achiropita e a de San Gennaro, muito concorridas e de cunho mais povarístico. Massa e molho de tomate no atacado.

E temos também o mimoso bolo do Bixiga, no dia 24 de janeiro, que homenageia a cidade em seu aniversário. Nos últimos tempos acabou aquela baixaria dos cortiços próximos de separar patacas de bolo com o braço e jogá-las para dentro de contêineres. Agora, com o fim do dubsídio de farinha e açúcar, o bolo é industrializado, daqueles Pullmann ou Renata. Cabô a porcariada: é fila e uma embalagem pra cada um. Mesmo assim, o pessoal come aquilo inteiro, como se fosse uma fatia plena de chantilly.

Quer dizer, alguma elaboração alimentar já não combina com povão.

Eu se fosse Kassab ia pedir conselhos do Walter Taverna… Assim a Virada Gastronômica economizava tempo e dinheiro. Pularíamos esse troço de crosta disso e daquilo, juliennes, carpaccios e reduções de molhos, e iríamos direto para as esfihas do Habibs.

  • Foto (G1): Walter Taverna, o senhor da experiência, nas escadarias do Bixiga. Passei lá ontem, como de hábito,  e pela enésima vez constatei que escadaria também é um item que o povão não sabe usar.
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Caso Celso Daniel será julgado quinta-feira

Chupando do Blog do Pannunzio:

Começa nesta quinta-feira o julgamento de cinco acusados de sequestrar e matar o ex-prefeito de Santo André, na Grande São Paulo, Celso Daniel (PT), assassinado em janeiro de 2002. Serão levados a júri popular cinco suspeitos: Ivan Rodrigues da Silva, o Monstro; Rodolfo Rodrigo dos Santos Oliveira, o Bozinho; Elcyd Oliveira Brito, o Jonh; Itamar Messias Silva dos Santos e José Edison da Silva. De acordo com a denúncia do Ministério Público, os cinco seriam responsáveis pelo “arrebatamento e pela execução do ex-prefeito”.
[...] No único julgamento de um dos envolvidos com o crime, Marcos Roberto Bispo dos Santos, o Marquinhos, foi condenado, em novembro de 2010, a 18 anos de prisão. Marquinhos é acusado de dirigir um dos carros usado no sequestro.
Apontado como mandante do crime, o empresário Sérgio Gomes da Silva, o Sombra, não será julgado agora. O processo contra ele foi desvinculado dos demais. Ele entrou com dois recursos no Tribunal de Justiça de São Paulo (TJ-SP). (íntegra)

Só um reparo ao texto do jornalista: Celso Daniel não “foi morto porque porque estava decidido a acabar com as atividade de uma quadrilha que praticava crimes contra a administração pública da cidade”.

Ele foi eliminado porque foi contra o desvio do desvio. A propina em cima de dinheiro público que estava sendo tungada para a campanha do PT, com a anuência de Daniel, acabou sendo desviada para bolsos particulares. Foi contra isso que ele estrilou e por isso foi morto. Mas ele também era um belo de um ladrãozinho.

Então, cuidado com a canonização e com o spray douradinho da história.

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Uma muxquinha às segundas

E a muxquinha de hoje vai para a lata de lixo sem senha e furadora de fila que se estapeou para comer a comidinha do Alex Atala, de sábado para domingo, no Minhocão.

Galinha com arroz, foie gras à perigordine ou miojo, tudo poderia ser um mote individual para que todos se comportassem com bons modos. Mas DNA é DNA.

Poderia vir o René Redzepi em pessoa, de joelhos, servir. Não adianta.  A criatura deixaria cair arroz no chão do mesmo jeito.

Isso não é tumulto. É destino.

Deveria servir de lição ao Atala. Não sei de que tipo de ideologia saiu a ideia de que sofisticação é pra todo mundo. Não é.

E não sei de onde ele tirou que uma empreitada dessas não deveria contar com sua supervisão desde o início.

Brasil, filho…

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O erro estratégico do PT

Zé Dirceu, Zé Dirceu… Imagino como foi a reunião em que vocês, junto com o pessoal da campanha do Haddad, decidiram qual a “ofensiva” contra São Paulo. Como estava difícil escolher um assunto premente, bateram o martelo: o TRÂNSITO!

Daí veio o candidato excursionando em lugar onde nunca havia posto os pés, confundindo bairros, propondo corredor de ônibus Inferno–Centro (o HORROR! da população). Ultimamente, a equipe de Haddad pariu duas pérolas, típicas de quem vive nas nuvens:

A primeira (que vi se não me engano em sabatina no SBT)  é recapear vias SECUNDÁRIAS (leia-se: seu bairro tranquilo) para desafogar o trânsito (Adivinha o que ia acontecer? Mais carros nas ruas.)

A segunda, expelida hoje, é limitar os estacionamentos no centro da cidade para incentivar o uso da bicicleta. CERTEZA de que pensaram em fazer um calçadão na 25 de Março (mas não nos inúmeros testes malsucedidos da gestão Serra-Kassab).

A equipe de urbanistas do candidato petista, acho que quer mesmo é reinventar a roda. Se fosse adequado fazer um calçadão na 25, será que, hummm…, ele já não TERIA SIDO FEITO???

Daí vem hoje Zé Dirceu num texto no 247 (aqueeeele site…) dando uma ajudinha ao candidato desconhecido. Sentando a lenha no PSDB e no trânsito da cidade, é claro.

Zé, você ficou na política catastrofista dos anos 70, Zé…! Observe BEM o comportamento dos usuários e bole alguma coisa melhor. Avacalhar desse jeito só impressiona a plateia fanática e depõe contra o PT. Lembre-se: vocês precisam dos votos do “resto” da população. E o resto da população, creia, raciocina

Já expliquei aqui o que acontece com a expansão do Metrô e a milagrosa reabilitação dos trens tradicionais na grande São Paulo, tudo fruto da gestão PSDB-DEM/PSD (plano para o qual, diga-se de passagem, o PT, seja via Marta, seja via governo federal, não contribuiu com uma pataca). Quem está entupindo metrô e trem são os usuários de ônibus, porque andar de ônibus na cidade é uma grande de uma porcaria.

Mas se o PT elegeu o “corredor de ônibus” como ponta de lança para as tontices de Haddad, vai fundo! Não serei eu a explicar que não vai colar junto à população.

  • Foto (Rivaldo Gomes, Folhapress): Quinta-feira, atrasos devido a falha na CPTM. Chato, chato mesmo…: não houve UM quebra-quebra sequer. Povo tranquilo, esperando na plataforma.
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André Liohn no Roda Viva

Queria recomendar enfaticamente a entrevista do fotógrafo brasileiro André Liohn no Roda Vida na última segunda-feira.  Correspondente de guerra freelancer há dez anos, Liohn ganhou o prêmio Robert Capa Gold Medal de fotografia, um dos mais importantes do mundo, pela cobertura que fez em Misrata, Líbia.

Ao lado de sua extrema simplicidade, um cara que aprendeu a ver o mundo como se deve – ou seja, de fora do Brasil.

Um bálsamo para nós, acostumados à pseudopieguice carolística nativa, ao puxassaquismo e à tibieza de opiniões, porque aqui, já viu, todo jornalista tem de zelar pelo seu empreguinho de mierda.

Entrevista TODA boa, mas se você quer um destaque, vai lá para 1 hora e 10 20 minutos do vídeo, em que Liohn descasca a política internacional de dona Dilma e fala sobre as bombas anti-homem made in Brazil, que agora envia na surdina tropinha para desativá-las (silêncio profundo na plateia).

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Alckmin no Superpop

Acabou que o programa Superpop que recebeu o governador Geraldo Alckmin passou na segunda-feira, dia 30, e não no dia que havíamos anunciado, enfim…

E a passação de roupa:

Os demais vídeos, inclusive com o povo do Grupamento Águia, estão “redetevemente” jogados aqui.

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Primeiro de Maio II

Como fazemos anualmente, pelo menos uma fotinho das comemorações de Primeiro de Maio gente posta, certo? Um mimo, um afago ao clã de dona Osmerdina, presente em tantas lutas no sorteio da casa própria, não é mesmo?

Cê acha que foi na Força Sindical, benhê?

Merdileine, já bem posta na vida, presentou a vó com uma viagem à Europa, genteammmm! Tudo em 30 vezes sem juros, e lá se foi dona Osm, Merdy, além de Merdinelson e Merdolinda, que resolveram aderir, pra curtir o feriado, e eis, numa cidadezinha a caminho da Provence:

Ali, ó, perto daquela bandeira vermelha. Aquela lá, ó, de casaco…

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Primeiro de maio I

Sinceridade na vida, né, gente? Eu não gosto do Flavio Gomes. Ele é o típico cara que fala mal da cidade num nível maternalzinho, indignadinho de pagar multa, o menino chato que afasta cebola pra borda do prato, etc. e tais.

But, justo em nome da sinceridade, não tenho como não elogiar seu texto de hoje (a partir desta photoshopagem malfeita e breguíssima!). O que ele escreveu é só tudo o que penso sobre o fastio do primeiro de maio => chororô cafona em cima de Ayrton Senna. Um trecho:

[...] Não há mal nenhum em ter um ídolo, cultivar sua memória, exaltar seus feitos, se emocionar com eles. O que me irrita um pouco quando se fala em Ayrton Senna é essa mania de atribuir a ele a exclusividade das virtudes: um exemplo de superação, humilde, batalhador, não desistia nunca, perseverante, guerreiro, temente a Deus, bom filho, patriota e blablablá.

Sempre digo: era apenas um piloto de carros, dos melhores, diga-se, com suas qualidades e defeitos, como todos nós. Não foi um mártir, alguém que morreu na cruz para redimir nossos pecados. Mesmo sobre o da cruz há muitas controvérsias, portanto devagar com o andor que os santos, todos, são de barro. (aqui)

Bem, lembro tanto disso que vocês me perdoarão se já leram aqui:

Nelson Piquet. Em entrevista-símbolo, respondeu certa vez que “chegou em segundo porque outro chegou em primeiro” e pronto. Se a Ayrton era feita a mesma pergunta, desdobrava-se num rosário de mimimis, que a pista isso, que o carro aquilo, como se o mundo lhe devesse certa perfeição, o cara eleito contra quem forças ocultas conspiram. Ayrton era um chato. Um chato médio, de pensamento médio, desses bem comuns. Um chato de frases de impacto. Seu relacionamento com Deus, seu olhar para o infinito posterizado, um trambolho bem ao gosto nacional.

Esta adoração anual revela muito de como vemos qualquer coisa a partir do diabetes mental nativo: só nos interessamos quando percebemos alguma forma de repentina vitória lacrimosa, uma vingança contra os de fora. Dispensamos os entretantos, não damos força a ninguém, não queremos nada no começo. Só tudo pronto, pleno, acabado, em forma de ídolo, para o gozo geral.

Há coisa mais infantil? Não. Foi assim com Ayrton, com Guga, com o tal astrounatuta Pontes, com Ruy Barbosa (nem sabemos o que foi fazer em Haia), com João do Pulo e com sei lá mais quem.

Com Ayrton Senna a tortura é pior, porque ele morreu no auge, deixando órfãos milhões de coraçõezinhos domingueiros distraídos com a musiqueta reproduzida à exaustão.

Nossa capacidade de abstração é bem rasteira. Não queremos saber de automobilismo. Não nos interessamos por sua história, seu processo, o quanto é bacana, seus nomes, suas complexidades, nada. Queremos vencedores nacionais, e pronto. Para que possamos fazer a única coisa que sabemos: lamber-lhes o chão por onde passam.

A gente é furreca pacas!

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