Pondé, Pondé…

Podcast de ontem na Folha  com Luiz Felipe Pondé sobre a trozomba que pode acarretar o Estado de Bem-Estar Social levado às últimas consequências.

Bem, é claro que MUITO Welfare State, todos sabemos, acaba criando uma sociedade desmotivada. Sua vida fica tão confortável e previsível que tudo se imobiliza, fica sem graça, e tal.

Lembra da informação que tínhamos de alguns países europeus, com sistemas “em que se tem tudo e não se almeja mais nada”, a então a única ambição a lhe mover, numa espécie de último ato glorioso, é se jogar de um viaduto?

Talvez essa ideia seja tão forçada quanto supor que populações de vales tendem ao suicídio.

Outro ponto complicado, e que Pondé não mencionou, é que Estados supergenerosos acabam atraindo um contigente que está bem afim de sentar o pudim. Conheço uma moça que foi para a Inglaterra “pra viver com o namorado”. Ok. Acontece que já terminou com ele (ou o contrário?), e não faz exatamente o tipo “vou trabalhar para me sustentar”. Sempre preferiu empenhar suas forças e inteligência atrás de rolinhos diários, desde os tempos de Brasil.

Quer dizer…, junte ela e mais um monte de gente que foi pra lá em circunstâncias mais ou menos iguais. Blogs pitorescos sobre “minhas experiências não sei onde, onde moro com meu namorado” não exatamente colaboram para PIB algum.

Somem-se a isso os cunhados vagabundos (gente de lá mesmo) as levas específicas de imigrantes desqualificados e…

Não descordo do ponto de vista dele, mas do jeito que colocou fica parecendo que o ideal do ímpeto de vida está é no Brasil – nós e nosso samba, roubalheira, cerveja, suor e ”não-ressentimento com o Estado” que não dá nada (?!), como fórmula de alegria, gratidão e longevidade. Ah, também o “ouriço”, como poderia esquecer do ouriço?

Noves fora análises sérias e necessárias, não é verdade que fases ruins de outros países automaticamente nos chancela a invençãos do jeitinho perfeito. Não creio ter sido intenção de Pondé, mas influencia a patulée, sabe como é?

É bom tomar cuidado com essa tentação. Além de feia e mesquinha, é falsa.

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Não é bolinho…

Link aqui.

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Saudades de 1808

Lembro por alto da tal Guerra das Malvinas. Fazendo as contas, 1982, noves fora nada, eu tinha 18 aninhos. Ninguém ia querer que eu lembrasse algo além do tremendo mico que foi para os argentinos…

Pois a história se repete, agora com laivos de pretensão verde-amarelos. Em dezembro, países do Mercosul combinaram, agachadinhos no fundo do quintal, que não vão abrir os portos para navio inglês algum. Não, não e não!

David Cameron está dormindo na pia de tanta preocupação…

O destroier inglês HMS Dauntless está vindo para o Atlântico Sul para substituir uma fragata. Operação de rotina. Se precisar reabastecer no meio do caminho, fará  como há trinta anos: recorrerá aos Açores, na base de Lajes, fruto de séculos de um acordo entre  britânicos e… portugueses.

Convém lembrar que a população das Falklands é de descendentes de ingleses e uma pequena parte de chilenos, que olham com cara de nada para os chiliques de Cristina Kirchner.

Pelo contrário, a população das ilhas pede pelamordedeus para continuar sob o domínio britânico e já se prepara com recepções e bandeirinhas inglesas para acolher o príncipe William, que chega amanhã em missão da RAF.

O primeiro-ministro inglês, David Cameron, já disse que: 1) As Falklands são dos ingleses. 2) Não pretende conflito militar com a Argentina. 3) KK só está fazendo teatro com a questão para encobrir a pindaíba de sua gestão. 4) As Falklands continuarão dos ingleses. 5) Não vai esquecer a patacoada terceiromundista dos países do Mercosul.

  • Foto: Quem você escolheria para soberano do seu bangalô: o príncipe William ou Kristina Kirchner?
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Mentiras e verdades sobre o Pinheirinho, por Aloysio Nunes

Aproveito a paciência do senador Aloysio Nunes em desenhar o que realmente aconteceu no Pinheirinho. Aqui, mas reproduzo na íntegra, já que originalmente saiu na Folha de hoje, e acrescentei um “A” antes de “verdade” porque me causou confusão inicial de entendimento (do jeito que estava, o verdade poderia dar um aspecto de resposta, de confirmação a mentira do parágrafo anterior). Grifos meus:

Mentira 1: “O governo federal fez todos os esforços para buscar uma solução pacífica”.

A verdade: Desde 2004, a União nunca se manifestou no processo como parte nem solicitou o deslocamento dos autos para a Justiça Federal. Em 13 de janeiro de 2012, oito anos após a invasão, quando a reintegração já era certa, o Ministério das Cidades -logo o das Cidades, do combalido ministro Mário Negromonte- entregou às pressas à Justiça um “protocolo de intenções”. Sem assinatura, sem dinheiro, sem cronograma para reassentar famílias nem indicação de áreas, o documento, segundo a Justiça, “não dizia nada”, era uma “intenção política vaga.”

Mentira 2: “Derramou-se sangue, foi um massacre, uma barbárie, uma praça de guerra. Até crianças morreram. Esconderam cadáveres”.

A verdade: Não houve, felizmente, nenhuma morte, assim como nas 164 reintegrações feitas pela Polícia Militar em 2011. O massacre não existiu, mas o governo do PT divulgou industrialmente a calúnia. A mentira ganhou corpo quando a “Agência Brasil”, empresa federal, paga com dinheiro do contribuinte, publicou entrevista de um advogado dos invasores dando a entender que seria o porta-voz da OAB, entidade que o desautorizou. A mentira ganhou o mundo. Presente no local, sem explicar se na condição de ativista ou de servidor público, Paulo Maldos, militante petista instalado numa sinecura chamada Secretaria Nacional de Articulação Social, disse ter sido atingido por uma bala de borracha. Não fez BO nem autorizou exame de corpo de delito. Hoje, posa como ex-combatente de uma guerra que não aconteceu.

Mentira 3: “Não houve estrutura para abrigar as famílias”.

A verdade: A operação foi planejada por mais de quatro meses, a pedido da juíza. Participaram PM, membros do Conselho Tutelar, do Ministério Público, da OAB e dos bombeiros. O objetivo era garantir a integridade das pessoas e minimizar os danos. A prefeitura mobilizou mais de 600 servidores e montou oito abrigos. Os abrigos foram diariamente sabotados pelos autodenominados líderes dos sem-teto, que cortavam a água e depredavam os banheiros.

Mentira 4: “Nada foi feito em São Paulo para dar moradia aos desabrigados”.

A verdade: O governo do Estado anunciou mais 5.000 moradias populares em São José dos Campos, as quais se somarão às 2.500 construídas nos últimos anos. Também foi oferecido aluguel social de R$ 500 até que os lares definitivos fiquem prontos. Nenhuma família será deixada para trás.

Entre verdades e mentiras, é certa uma profunda diferença entre PT e PSDB no enfrentamento do drama da moradia para famílias de baixa renda. O Minha Casa, Minha Vida só vai sair do papel em São Paulo graças ao complemento de R$ 20 mil por unidade oferecido pelo governador Geraldo Alckmin às famílias de baixa renda. Sem a ajuda de São Paulo, o governo federal levaria 22 anos para atingir sua meta.

O PT flerta com grupelhos que apostam em invasões e que torcem para que a violência leve os miseráveis da terra ao paraíso. Nós, do PSDB, construímos casas. Respeitar sentença judicial é preservar o Estado de Direito. É vital que esse princípio seja defendido pelas mais altas autoridades. Inclusive pela presidente, que cometeu a ligeireza de, sem maior exame, classificar de barbárie o cumprimento de uma ordem judicial cercado de todas as cautelas que a dramaticidade da situação exigia.

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Sempre um especialista da USP

Não sei se vocês sabem, mas aqui em SP é muito fino ser da USP. Consultório de dentista caindo aos pedaços, tá lá a plaquinha velha e suja:

Fulahno Jererecchi Bostocchio, formado pela USP

Foi o que fui obrigada a ver no Bom dia Brasil de hoje, que, por causa do desabamento do prédio na Cinelândia, vem sofrendo da síndrome do “é, mas olha os outros”.

Outro dia uma tubulação rompeu e alagou trechos do bairro do Bom Retiro. Outro dia. Já anunciaram até que as pessoas afetadas serão indenizadas (e em SP, quando o Poder Público diz que vai indenizar, indeniza mesmo).

Pegaram o fato para Cristo, enganchado-o numa infiltração na Estação Consolação e em trechos de rodovias. Aqui é o caos mesmo…

Passei na Consolação outro dia. O aguaceiro é debaixo de um arco, onde a circulação é menor, e vi as faxineiras num trabalho de Sísifo, para que a água não escorresse para os corredores.

Então, resumindo o raciocínio tipo especialista da USP:

Em São Paulo a taxa de sinistros deve ser, obrigatoriamente, zero.

Mas, já que pertencemos ao mundo normal, eles acabam acontecendo.

Já que acontecem, o tempo de conserto deve tender a zero.

Se não tende a zero, é porque está demorando.

Se está demorando, é porque não há manutenção.

Se as empresas responsáveis afirmam que há manutenção, então alega-se que a manutenção não é frequente o bastante.

Se as empresas afirmam que a manutenção é frequente, então alega-se que não é adequada. (Lembre-se: acidentes zero).

Se as empresas afirmam e provam que há manutenção periódica e adequada, o especialista da USP diz: é, fazem, “… mas talvez não com a dedicação, a intensidade e a competência que deveriam ter sido realizadas.”

Jura?

Ah! Não esqueça do clássico ”eu lembro”, a origem: os defeitos de construção.

E termine a matéria fazendo um elo psicológico com a tragédia no Rio, alertando sobre o perigo da corrosão do concreto: olha, sei não… Essas infiltrações, um dia…

Ameniza o mico da farofa de cadáveres, é ou não é?

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Furação dizóio

Fotinho durante a inauguração do MAC, com Andrea Matarazzo e Maluf conversando.

Povo apontou o dedo e pichou sem clemência. Acha que todo mundo tem de se comportar como a polícia baiana.

Sinceramente, do fundo d’alma: você acha que, diante das câmeras, num evento público, numa abordagem simpatiquinha à la Maluf, a bem da educação (que, acho, ainda vigora, ou não?), Andrea Matarazzo deveria:

a) Virar a cara;

b) Aplicar-lhe um pescoção;

c) Dar-lhe uma cusparada;

d) Furar seus olhos;

e)  Xingar dona Maria Maluf;

f) Amarrar-lhe a boca num escapamento e arrastá-lo durante a Fórmula Truck.

Engraçado como a crítica geral nem liga para as amizades espúrias e alianças Brasil afora, e volta seus olhos justamente para um encontro banal em São Paulo.

Paulo Maluf é brincadeira de criança perto de qualquer – QUALQUER – nomeadinho de Lula ou Dilma.

Exibe-se por aí a extensa capivara malufosa, quando em outros casos nem capivara há, porque o governo federal blindou a criatura, inclusive em casos escabrosos de sequestro e execução. Devido processo legal passa longe.

Sem falar que Maluf pertence à pré-história da malversação de verbas: era, é e sempre será dele a posse do epíteto rouba mas faz, até com certo ar de nostalgia, porque atualmente se rouba sem ter feito coisa alguma.

A única punição dos hodiernos assaltantes de verbas públicas é perder o cargo, já que em devolução do dinheiro, ó, nem se fala.

O Flanela, como apoiador de Andrea Matarazzo, quer, sim, o (ainda) expressivo eleitorado de Paulo Maluf na capital. Por que motivo iria desprezá-lo?

Até por didatismo. Para que essa fatia da população perceba ser possível fazer sem roubar.

Fora de Piauilândia – talvez seja conveniente explicar -, não é de bom tom resolver divergências de gestão na base da bala.

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Estratégia equivocada e nota infeliz

Informações editadas da Folha:

O Palácio dos Bandeirantes passou a monitorar manifestações organizadas nas redes sociais para evitar que o governador Geraldo Alckmin (PSDB) seja alvo de protestos em agendas públicas.

Nos últimos seis dias, Alckmin não foi a dois eventos em que sua participação estava prevista: a missa na catedral da Sé pelo aniversário de São Paulo, no dia 25 de janeiro; e no dia 28, quando o governador deixou de ir à inauguração da nova sede do Museu de Arte Contemporânea (MAC).

Em nota, a assessoria de imprensa do governo negou que Alckmin tenha faltado à inauguração do MAC. [...]

“A hipótese [de que Alckmin está evitando protestos] é um desrespeito à história do governador e uma tentativa de travestir grupelhos truculentos de movimentos democráticos”, finaliza a nota da assessoria do governo.

Erro na estratégia, já que o governador está de fato fugindo, demonstrando recuo. Se não é dado a confrontos físicos, que se cerque de seguranças fofos no trato maloqueiro, o que não tem nada demais.

E erro na redação da resposta: o que são “grupelhos truculentos de movimentos democráticos”? Os movimentos são democráticos?

E por que usar o termo “grupelhos”? Falasse de grupos, que se travestem de movimentos sociais mas que não passam de oportunistas de partidos adversários.

Bobagem dupla.

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Oba! Só?

Quando manchete de jornal sobre São Paulo começa a ver o reverso dos números, é sinal de que o panorama daquele assunto está bom.

Hoje na Folha, “Ar da Grande São Paulo é o pior em 8 anos” (versão para não assinantes).

Na versão para assinantes, trechos:

Comparações com os anos anteriores não podem ser feitas porque a rede da Cetesb era menor na década de 1990.

[...] “O aumento das emissões das substâncias precursoras está relacionado com o crescimento tanto da frota quanto do trânsito na Grande São Paulo”, explica [Paulo Saldiva].

Com muita frota e muito trânsito, completa Paulo Artaxo, professor do Instituto de Física da USP, fica difícil controlar a poluição por ozônio.

Outra questão para o aumento do ozônio é técnica. A Cetesb, desde 2007, instalou uma estação para medi-lo na Cidade Universitária (zona oeste). “Este equipamento passou a captar de forma mais adequada a formação de ozônio”, afirma Saldiva.

Se, entre 1995 e 2005, a qualidade do ar melhorou bastante na Grande São Paulo, concordam os especialistas, a piora do ozônio em 2011 pode indicar uma mudança de cenário. Para Saldiva, os índices não devem melhorar mais na mesma velocidade.

TENDÊNCIA

Acostumada a lidar com os dados de poluição do ar no Estado, Maria Helena Martins, gerente de qualidade do ar da Cetesb, discorda que exista uma tendência de alta na poluição por ozônio.

“As condições meteorológicas são fundamentais para explicar o comportamento do ozônio”, diz. “No ano passado, no inverno, tivemos muitos dias com sol e sem chuva. Não há tendência clara para este poluente. Nem para um lado e muito menos para outro.”

Em compensação, a técnica do governo faz coro com aqueles que estão preocupados com os níveis de ozônio medidos na atmosfera.

Para ela, a quantidade do poluente está estabilizada em níveis inadequados. “O ideal seria que eles baixassem. São Paulo vive o mesmo problema de muitas grandes regiões do mundo.”

A receita de todos é conhecida. Além de diminuir a dependência do carro, é preciso um controle rígido das fontes de poluição. “Como estamos fazendo bastante”, diz Maria Helena, da Cetesb.

Quer dizer, ninguém fala mais em poluição das fábricas. Só dos veículos. É bom lembrar que, por mais que se exija inspeção veicular, existe a frota, principalmente vinda de cidades que não exercem esse controle, notadamente os caminhões.

Não é possível nem adequado extirpar caminhões da cidade. Eu sugeriria exigir inspeção nas fronteiras (minha opinião). Ou ainda (não tenho opinião) cobrar pedágio urbano, solução esta defendida até por renomados urbanistas.

Só que Kassab é contra pedágio urbano. Sempre foi. É por convicção, não por eleição.

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Uma muxquinha às segundas

Mais uma homenagem a São Paulo. Interpretação da música “São Paulo” pelo Ultraje a Rigor, na voz do Mingau, que integrou a Banda 365.

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Barbárie do B

Diante do uso político do acontecido no Pinheirinho, a ironia de ver agora pessoinhas indefesas defenestradas sem-mais de um pedaço de terra no Distrito Federal que só queriam para cultivar. Nem falo about. A tarefa está bem posta por Reinaldo Azevedo hoje.

Quero falar de reforma agrária e êxodo rural (sim, o termo, aparentemente antiguinho, me parece mais real do que nunca).

Começo com uma reportagem que achei esses dias. Fui parar, veja você, em matéria de CartaCapital de julho de 2011:

Levantamento inédito produzido a pedido de CartaCapital pelo Instituto Socioeconômico (Inesc), especializado no tema, revela que os gastos efetivos com distribuição de terra declinaram no segundo mandato do governo Lula – e continuam a cair nos primeiros meses de Dilma Rousseff.  Ao mesmo tempo, apesar do fla-flu que também nesse quesito divide os partidários de Fernando Henrique Cardoso e Lula, a concentração de propriedades no meio rural continua praticamente a mesma do alvorecer da ditadura. Na realidade, aumentou. O Índice de Gini, em 1967, era de 0,836 (quanto mais perto de 1,0, mais concentrado é o modelo). Em 2006, data do último Censo Agrário do IBGE, era de 0,854. (continua)

Bem, se nem o governo eleito por pregar esse tipo de perfumaria ligou para o flagelo no campo, o que será deste país?

Não que eu ache viável botar gente para plantar mandioca num pedacinho isolado de terra e todo mundo ser automaticamente feliz. Não acredito que o trato com a terra nasça com o ser humano, muito menos a competitividade. Pra sobreviver com qq. coisa, você precisa de um mínimo de aprendizado – formal ou não. Está aí o sucesso dos japas do agrião nas redondezas de São Paulo que não me deixa mentir.

Faz um tempão mostrei aqui uma pesquisa sobre a queda de entrada de migrantes em São Paulo (e toda vez que falo nisso não vá achar – pelamordedeus! -, que compactuo com preconceitos regionais ou ache que isso deva mudar por puro princípio bairrista).

É ler o que tem de ser lido na pesquisa: a migração para São Paulo não parou; apenas não é tão intensa quanto a décadas atrás.  Mas continua firme e forte.

Exigência de mão de obra qualificada e uma certa demanda em centros e regiões menos desenvolvidas. Tá. Mas isso se refere a iniciativas individuais e mais difusas.

E os movimentos (ainda) bem estruturados dos sem-terra, dos sem-teto? Eles se misturam e se movem. Veja você o povo do Pinheirinho. A moça que o Reinaldo entrevistou outro dia (dada com “morta” pelos petistas) veio da Bahia. Eu mesma vi em reportagem duas senhoras que pareciam ser do sul (RS), estado em que o MST é forte. Como eles todos se encontraram? Como decidiram ir para um mesmo lugar?

A resposta é: MST. MST que é defenestrado de outros lugares pelo PT e vem se alojar em São Paulo, onde pode fazer e desfazer, se aliar a partidos de extrema esquerda e se unir… ao PT na frente aos governos de oposição. E a massa de manobra dos miseráveis lá, fazendo tudo o que mandam, sem saber muito bem a que se prestam (no caso de SJC, foram induzidos pelos líderes alienígenas a acreditar que a situação seria regularizada), mas com uma única certeza: aqui, malgrado algum tempo de penúria, terão casa e alguma forma de trabalho. Era isso que estavam fazendo e é isso que vão conseguir.

Quando digo que a maior parte do Brasil é um fiofó, não me baseio em qualquer julgamento de gosto. É fato. O que há para um miserável, hoje, em Brasília? NADA. Não há emprego, não há casa popular, não há saúde, não há educação. Nem invasão de terra tem glamour por lá. Quer saber? Não tem nem mochila de programa do governo, coisa que a gente cansa de ver aqui em ombro de pedreiro.

Eu, no lugar deles, viria pra São Paulo. Sozinha, de preferência. A pé. E depois de uns anos de perrengue, tomaria banho direto no cano do box, passando prazerosamente a mão pelos azulejos, e sairia toda feliz e fresquinha para instalar o sifão da pia da cozinha, as torneiras e o chuveiro.

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