
Quando um povo tem cabeça de pobre, não lhe ocorre meio-termo. O discernimento, ó, simplesmente não existe. Ou é a suprema precariedade aceita de cabeça baixa ou um nível de cobrança que ultrapassa qualquer limite.
Olha só esta matéria da Folha (com vídeo), mostrando uma viagem do Metrô (Linha Azul) com a porta aberta.
Está certo. Não é recomendável viajar com a composição aberta, e isso é, em última instância, responsabilidade da Compania. Ponto.
Mas tenho curiosidade de saber o que a cara passageira faria de diferente se fosse ela a ter de resolver a trozomba naquela hora:
1) Retiraria a composição de circulação e atrasaria simplesmente TUDO, às 8:30 da manhã, por causa de uma porta aberta?
2) Mandaria espancar os Merdsons que forçam e comem a borracha da porta e dos vagões diuturnamente?
3) Demitiria sumariamente o pessoal da manutenção da madrugada, que não viu o defeito dez segundos depois de ocorrer?
4) Poria dez funcionários, um empilhado em cima do outro, ao longo da porta só para que nenhum passageiro caísse lá fora por distração?
5) Lincharia os funcionários que tentaram fechar a porta e não conseguiram?
6) Pediria o impeachemnt do governador?
Existe uma linha bem grossa delimitando um transporte público enxovalhado (como são os trens do Rio de Janeiro e os ônibus horrorosos que servem a nossa perifa) e uma falha perfeitamente contornável, numa só composição, numa só viagem, num só dia, que por alguma razão de momento que escapou à imensa máquina de atender gente magoada que é o Metrô de São Paulo.
Foge de qualquer equilíbrio se indignar com isso, gravar e mandar pra mídia como se fosse o fim da picada.
Se este vagão tivesse circulado de porta aberta o dia inteiro, ou meses a fio, sem nenhuma providência, aí sim a notícia tinha razão de ser.
No mais, é profundamente irritante gente cobrando o sangue só de quem tem pra dar, e muito.
Têm de procurar coisa melhor a fazer. A usuária e o jornalista que viu relevância nisso.
- Foto (captura de tela do vídeo linkado): o cara de camisa azul e calça cinza é o tal funcionário que estava “vistoriando” [termo e aspas da matéria] o vagão. Certamente deveria se colocar como um Vitruvius enlouquecido, aos berros: “Não se aproximem, não se aproxiiiiiimem!!!!!!!. // Eu agradeceria poder andar nessas composições sem ar-cond com essa ventania toda. Me livraria, pelo menos, do famigerado e massificado óleo de amêndoas paixão, um must na cidade e nas (geralmente fechadas) composições do Metrô.





November 26, 2009
Aiii Lets, nao quero que voce me entenda mal, mas embora concorde que isso nao deveria ser relevante para ir para a midia, preocupa-me sobremaneira a questao da seguranca. Sim, concordo que parar o fluxo de trem por causa de uma porta na hora de pico e´pra la´de complexo. Entretanto, so´nao esqueca da educacao do nosso povo que se fosse uma curva seria do tipo assintotica tendendo a zero e que eles acham “maneiro” surfar em composicoes. E alem disso estariamos todos sob risco de cairmos do vagao com um encontrao com aquelas figuras truculentas que existem em todos os lugares. Enfim, acho que nao precisava ir para a midia, mas todos querem seus 15 minutos de fama, mas nao sei se acho adequado seguir como se nada houvesse acontecido.