
Não sei o que dizer do vídeo feito com a música composta por Pelé pra incentivar o turismo interno em São Paulo (capital) para a Copa de 2016. A primeira vez que vi me pareceu uma coisa meio musiquinha de Sílvio Santos, aquela coisinha simplória feita para as massas (veja aqui).
Mas, olhando uma segunda vez, achei até que há certa elaboração, apesar do compositor. Certamente o pessoal do marketing entende dessas coisas muito melhor que eu, e sabe o que faz. E Pelé é uma figura blá-blá-blá, e tal.
O arranjo ficou a cargo do maestro Ruriá Duprat e o vídeo, sob a direção de Sérgio Amon. Há cinco versões da peça publicitária, uma de quatro minutos e outras quatro entre 30 s e 60 s. Pelé fez a letra e cantou e dançou no vídeo. O ex-jogador abriu mão do cachê. Segundo o G1:
[...] “Me honra muito poder dar esse presente à cidade de São Paulo, que sem dúvida nenhuma é a capital do Brasil.” [...] “O início da minha carreira começou em São Paulo. Alguns dos melhores momentos da minha vida foram no Pacaembu e no Morumbi”, disse o rei do futebol. “Foi um gol de placa receber essa homenagem”, completou Pelé. [...] A peça fará parte da campanha “Visite São Paulo. Cantada por muito, construída por todos”, a ser veiculada no interior do Estado e nas principais regiões emissoras de turistas do Brasil e da América do Sul.
A música do Pelé é melhor, por exemplo, do que certas musiquetas de campanha a cargos executivos. Elas lhe parecem irritantes? A mim também. Me dão fastio todas elas, desde as do PT até as do PSDB, que seriam aboslutamente ridículas não fossem comparadas àquelas dos partidos nanicos (quem não se lembra do Ei-Ei-Eimael, um democrata cristão…). E quando o partido resolve se identificar com uma música épica, universal, como se aquela meia dúzia de desconhecidos realmente olhasse o mundo de cima?
Também o UOL (via twitter da Nariz Gelado) traz uma reportagem sobre Collor cantando o Lula-lá e um vídeo com uma análise muito interessante, entre outras coisas, sobre as tais musiquetas. E, se a gente deve aceitar a dura realidade de que, no Brasil, um presidente se elege puramente pelo marketing (musiqueta inclusa), vai saber por que a população resolveu botar o Collor no Planalto, não é mesmo? Sei lá, ele era honesto, másculo, suarento no palanque e valentão. Vai ver é esse mesmo mecanismo que, passado um intervalo, elegeu finalmente o Lula.
Depois ficamos sabendo que Collor tinha aquilo roxo e Lula botou barriga em Marisa Letícia logo na primeira bimbada. Eles devem ser ótimos de cama, como são todos aqueles com quem você não transaria nunca.
Mas acho que macheza na política a gente mede pelo curral de onde a pessoa vem, pela pinta do espaço onde é estabelecido. Não adianta querer fazer isso ou aquilo se o estado de onde vem é um cocô.
Voltando ao Pelé, e passados todos esses parágrafos, tomara que dê certo e seja isso mesmo. Pelo menos conseguiu passar uma coisa mais simples, uma acolhida, um aconchego, e não essa chateação de sempre de avenida Paulista, Masp, Ponte Estaiada, sei lá. Urbanidade (não unibanidade, façavor!), trato com os nativos e os de fora… eu garanto que a cidade tem.
- Foto (Marília Juste, G1): Reuniã para apresentação do vídeo: alguém pode me dizer que raios o Gilmar Mendes tava fazendo lá? “Só porque é santista”? Sei… Só nos resta tentar adivinhar qual será a musiqueta dele.





November 10, 2009
Ah, a música do Eymael é um crássico!!! De uma eleição pra outra só mudava o cargo almejado, sempre sem êxito nas urnas, mas sucesso nas paradas.
Mas o mineiro Pelé falar (eu ia escrever reconhecer) que SP é capital do país, que gafe. Vai ter gente roendo os cotovelos…