Meus dias andam absorvidos por cirurgia/hospital/providências/periféricos. Nada demais, mas essas coisas exigem milicuidados, que a gente faz com todo interesse, é claro, mas acaba não sobrando muito tempo pra rotina. Então, palavrinhas rápidas:
1) Pela primeira vez tive um contato imediato com os valets do Hospital Sírio-Libanês. Acho que já bati ponto em todos os hospitais da região, mas aquele me faltava.
Por um desencontro de informações, o que era pra ser uma passada rápida para pegar a pessoa de alta acabou durando mais de meia hora. Coisa longuíssima e constrangedora, já que o rapaz me disse “5 minutos”. Nesse tempo que não acabava – porque não gosto de “recalcitrar’”, em de jeitinho, nem de quebra-galho, nem de porra nenhuma que invada o direito do outro -, não me veio um olhar, uma reclamação, um pedido pra me escafeder dali, nada!
Daí pensei: boa. Se fosse um açougue no meio do mato, sem longarina na parede, sem pintura, sem raio X, com cadeira enferrujada e médicos irritados e porquinhos, teriam me expulsado de lá a tiros.
2) Triste por Anselmo Duarte, de quem já falei aqui.
3) Lançamento do livro de Yoani na sexta-feira passada: quando o convite disser: “auditório da Livraria Cultura”, leia-se “Teatro Eva Herz”. Tudo muito bom e phyno, com o senhor Pedro Herz sempre lá, sempre circulando… Tão bacanudo que não tive jeito de ficar tirando fotinhos, e fico devendo, Angelo!
Senador Suplicy, sonífero como sempre, chegou, é claro, ao renda mínima;. Interessante um momento em que ele brincou com um assunto midiático recente e causou indignação num cabra, que saiu batendo pé. O mundo anda muito mau humorado, radical e sem comportamento. Enfim, jeca.
Eugênio Bucci teceu um desmonte óbvio às teorias conspiratórias. Plateia, mezzo civilizada (Tia Cris conta). Depois caímos de boca numa pizza eu, Cris e Paulo Araujo. Ótimo, porque assunto não faltou! Mas isso foi antes de Yoani ir presa, né?…
4) Raciossímio Uniban: É melhor a gente perder 300 reais do que 100 alunos. “É, mas tem a reputação, e tal”. Mas quem falou em reputação, tonto? Quanto a Geysa, tenho de voltar de novo aos padrões comportamentais de Lévi-Strauss. A menina é protagonista do célebre e antigo “ela deu um mau passo e agora só lhe resta a putaria”. Essas coisas nunca mudam. E a muxquinha de hoje – do tempo em que letras (e melodias) da MPB formavam mentes – não podia ser outra:
Geni e o Zepelim
(Chico Buarque)
De tudo que é nego torto
Do mangue e do cais do porto
Ela já foi namorada
O seu corpo é dos errantes
Dos cegos, dos retirantes
É de quem não tem mais nada
Dá-se assim desde menina
Na garagem, na cantina
Atrás do tanque, no mato
É a rainha dos detentos
Das loucas, dos lazarentos
Dos moleques do internato
E também vai amiúde
Co’os velhinhos sem saúde
E as viúvas sem porvir
Ela é um poço de bondade
E é por isso que a cidade
Vive sempre a repetir
Joga pedra na Geni
Joga pedra na Geni
Ela é feita pra apanhar
Ela é boa de cuspir
Ela dá pra qualquer um
Maldita GeniUm dia surgiu, brilhante
Entre as nuvens, flutuante
Um enorme zepelim
Pairou sobre os edifícios
Abriu dois mil orifícios
Com dois mil canhões assim
A cidade apavorada
Se quedou paralisada
Pronta pra virar geleia
Mas do zepelim gigante
Desceu o seu comandante
Dizendo – Mudei de ideia
- Quando vi nesta cidade
- Tanto horror e iniquidade
- Resolvi tudo explodir
- Mas posso evitar o drama
- Se aquela formosa dama
- Esta noite me servirEssa dama era Geni
Mas não pode ser Geni
Ela é feita pra apanhar
Ela é boa de cuspir
Ela dá pra qualquer um
Maldita GeniMas de fato, logo ela
Tão coitada e tão singela
Cativara o forasteiro
O guerreiro tão vistoso
Tão temido e poderoso
Era dela, prisioneiro
Acontece que a donzela
- e isso era segredo dela
Também tinha seus caprichos
E a deitar com homem tão nobre
Tão cheirando a brilho e a cobre
Preferia amar com os bichos
Ao ouvir tal heresia
A cidade em romaria
Foi beijar a sua mão
O prefeito de joelhos
O bispo de olhos vermelhos
E o banqueiro com um milhão
Vai com ele, vai Geni
Vai com ele, vai Geni
Você pode nos salvar
Você vai nos redimir
Você dá pra qualquer um
Bendita GeniForam tantos os pedidos
Tão sinceros, tão sentidos
Que ela dominou seu asco
Nessa noite lancinante
Entregou-se a tal amante
Como quem dá-se ao carrasco
Ele fez tanta sujeira
Lambuzou-se a noite inteira
Até ficar saciado
E nem bem amanhecia
Partiu numa nuvem fria
Com seu zepelim prateado
Num suspiro aliviado
Ela se virou de lado
E tentou até sorrir
Mas logo raiou o dia
E a cidade em cantoria
Não deixou ela dormir
Joga pedra na Geni
Joga bosta na Geni
Ela é feita pra apanhar
Ela é boa de cuspir
Ela dá pra qualquer um
Maldita Geni





November 9, 2009
Lets
Vou repetir o comentário que deixei no post anterior.
Dedico o meu comentário a todos aos relativistas ridículos, burros, arrogantes e preconceituosos intérpretes do fato cubano Yoani.
Li no blog o post em que ela relata o recente sequestro e o post seguinte, publicado a pouco:
La culpa de la víctima
http://www.desdecuba.com/generaciony/?p=2476
A quienes les parece que debería haber más moretones y hasta fracturas para empezar a sentir compasión por el atacado, no sólo están cuantificando el dolor, sino que le están diciendo al agresor: “tienes que dejar más señales, tienes que ser más enérgico”.
Tampoco faltan los que siempre van a alegar que la propia víctima se autoinfligió las heridas, los que no quieren escuchar el grito o el lamento a su lado, pero lo resaltan y lo publican cuando ocurre a miles de kilómetros, bajo otra ideología, bajo otro gobierno. Son los mismos descreídos a los que les parece que la UMAP fue un divertido campamento para combinar la preparación militar y el trabajo en el campo. Esos que aún siguen creyendo que haber fusilado a tres hombres está justificado si de preservar el socialismo se trata y que
cuando alguien golpea a un inconforme, es porque este último se lo buscó con sus críticas. Los eternos justificadores de la violencia no se convencen ante ninguna evidencia, ni siquiera ante las breves siglas E.P.D. sobre un mármol blanco. Para ellos, la víctima es la causante y el agresor un mero ejecutor de una lección debida, un simple corregidor de nuestras desviaciones.
Numa comparação um tanto despropositada, o tratamento que já começa ser dado ao fato lembra o do atentado a Lacerda na rua Toneleros, sobre o qual até hoje correm pelo menos duas versões. A de que houve realmente o atentado e a de que ele foi uma farsa montada pelos inimigos de Getúlio.
Fui olhar o blog do tal Heitor de Paola, o conspirador. Francamente, o cara é um ridículo. Ilações sustentadas por ilações. Assertivas apoiadas em suposições ou impressões oriundas do subjetivismo umbilical de quem as enuncia: eu acho que… Parece que… Não duvido que…
A se confirmar a hipótese de Heitor, o conspirador, Yoani é uma Mata Hari desde Cuba. Temos, ainda, que concluir que o regime cubano superou os mestres da Stasi e da KGB. O disfarce da Yoani é perfeito! E tá tudo dominado!