Reunião de condomínio

Posted by Leticia on September 20, 2007
Urbano

Acabei de sair de uma. Fiz questão de ir por questão de solidariedade a um empregado numa questão x, e saí à francesa, depois de dar meu votinho. Se bem que a questão era tão sanguínea que sugeri que fizéssemos como no Senado: voto secreto. Nem sei se alguém ouviu minha proposta, porque lá houve de tudo, menos segredo.

Reuniões de condomínio têm a propriedade de reunir a nata do resto da natureza humana, não? Quanta picuinha, quanta “questã”! A empáfia no tratar dos probleminhas do dia-a-dia é diretamente proporcional ao pavor pela possibilidade de despender mais uns 20 reais em uma emergência.

 

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hotelmarian.jpg

 

Esses dois prédios aí das fotos sempre fizeram parte dos meus sonhos habitacionais. Tá certo que moro em um prédio meio bossa-nova, mas nada se compara ao charme desses dois. Porque não moro em nenhum deles? Ora, o primeiro é o Edifício Viadutos. Projetado por João Artacho Jurado em 1955, se encaixa no ângulo dos viadutos Nova de Julho e Jacareí. Foi o furor do glamour nos anos seguintes. As festas em seus apartamentos eram disputadas a tapa. São 368 apartamentos, onde hoje moram mais de mil pessoas. Na verdade, o prédio está bem detonado – é só chegar mais perto pra ver. Além de uma dívida enorme com a previdência, ele ainda tem um espinhoso processo de tombamento junto ao Patrimônio Histórico. Há alguns anos, parece que a Prefeitura isentaria o Viadutos de IPTU em troca de um tapinha na fachada, mas, pelo jeito, isso não aconteceu. Ultimamente, a remoção obrigatória de um enorme painel publicitário na cobertura, que rendia 5 mangos por mês, foi o tiro de misericórdia. Ainda mais com a Assembléia Legislativa na frente e mendigos morando na praça embaixo, não dá. O que é uma pena, porque além de lindo de morrer – ele é creme e verde -, o hall de entrada é hollyoodiano, e a cobertura é o ó do forrobodó – toda cor-de-rosa: daria, se fosse utilizada, uma vista de 360 graus da cidade.

A foto de baixo é o Marian Palace Hotel. Não é cinco estrelas, não. É quatro, mas acho que a benevolência da Embratur deve-se ao fato de ser tombado pelo Patrimônio Histórico, e vai ver é por isso que sua fachada está impecavelmente arrumadinha. Em seu estilo art-déco, chegou a ganhar o Prêmio Nacional de Arquitetura em 1942, quando ainda funcionava em um sistema de flats. Bem no início da rua Cásper Líbero, ele chama a atenção de quem chega no largo Santa Ifigênia por causa de suas ondas, destacadas em… cor-de-rosa!

Como se vê, há inúmeras impossibilidades técnicas de eu ir morar em qualquer um dos dois. Mas não é, certamente, por causa de reuniões de condomínio. Elas são todas iguais, no mundo inteiro.

18 Comments to Reunião de condomínio

Fábio Max
September 20, 2007

Aiiiii! Meus 8 anos de advocacia praticamente SÓ para condomínios me fazem ratificar a informação: é mais agradável entrar em briga de rua do que em reunião de condôminos!

Leticia
September 20, 2007

Mas não é verdade, Fábio? Como você convence alguém, naquele mafuá, de que despesas extraordinárias são diferentes de despesas ordinárias? E que é necessário haver sempre um fundo de reserva?

Fábio Max
September 20, 2007

O fundo de reserva até hoje é um mistério para mim…ahahahah…ele existe, mas ninguém sabe quando usar….

Leticia
September 20, 2007

Xi, Fábio, começamos uma reunião de condomínio aqui. Não tenho pendor algum para essas questões, mas imagino que o fundo de reserva exista, como existem as economias que qualquer família deve fazer. Mandar um funcionário embora não é despesa extraordinária, uma vez que o pagamento mensal deve sempre correu dentro dessa pasta, digamos assim.

Mas, no caso aqui, o prédio é antigo, e as administrações ao longo dos anos foram omissas, por exemplo, no padrão de novas janelas. Sempre há a possibilidade de estourar um cano qualquer. E sempre há a possibilidade de o poder público mandar padronizar as janelas. E também eu, Leticia, gostaria que todos os moradores trocassem suas válvulas tipo hidra por caixas de água nos banheiros. E gostaria ainda que captássemos água da chuva. Mas nunca há dinheiro para essas melhorias, porque o povo aqui não tem cultura de guardar grana (não guardam nem pra si, imagina pro prédio!). Mas cada um despende uma grana por mês para pagar o excesso de água que usamos. Tendeu?

Cfe
September 20, 2007

“Elas são todas iguais, no mundo inteiro.” Tem razão Letícia, tem razão.

Todo ano é a mesma coisa comigo sempre vontando sozinho ou quase, aí no ano seguinte quando finalmente percebem que a decisão, pouco apropriada, não resolveu o problema estufam o peito e dizem que foram contra…Como contra? Vamos ver na ata…Ah! Tá vendo?

Para logo depois votarem na opção mais barata que aparecer e que rapidamente transforma-se na mais cara.

Em relação a poupar dinheiro, digo-lhe que a síndica do prédio da minha mãe faz milagres! Conseguiu juntar quase 40.000 reais ao longo de anos e trocou o telhado. E o condomínio é bem baratinho. Sinal de concórdia? Que nada: muita gente não gosta dela por ser durona com a sujeira e desleixo de alguns. Mas o prédio é um brinquinho!

Fábio Max
September 20, 2007

Entendi… mas pegue 99% dos condomínios: ninguém sabe quando usar o fundo de reserva. É mais fácil criar taxa adicional que usar o FR…

Aliás, vida em condomínio é fogo, principalmente quando o síndico é daqueles que vão ficando por décadas e se acha uma espécie de reizinho todo poderoso do prédio. Uma amiga minha mora no centro de Curitiba, um prédio tradicional, onde o síndico é o mesmo há 20 anos. Não é dada a palavra a ninguém, não se aceita sugestão nenhuma, não se faz nada que o todo poderoso não queira. Resultado: o prédio tá uma m… é assim que se criam pardieiros como esse que você mostrou aí, até porque, é um fato, no Brasil, há uma parcela de “bacanas” que compram apartamentos pelo bairro ou pela construtora estar na moda, depois, abandonam, deixam de pagar condomínio, vendem adiante com enorme deságio sem avisar o valor da taxa mensal, e o prédio vai decaindo…

Leticia
September 20, 2007

Tudo o que vocês dizem, Cfe e Fábio, fazem parte das coisinhas-inhas-inhas de todos os prédios. O meu está direitinho, mas as administrações têm sido muito amadoras. A síndica atual já tem outra mentalidade, mas até se fazer entender…

Paulo Araújo
September 20, 2007

Letícia

Não padeço nesse calvário. O meu é outro. Não sou proprietário.

malu campos
September 20, 2007

Aiiiiiiii, Paulo. Como te entendo. Se você não é proprietário só lhe cabe o DEVER de pagar, cobrar que se cumpra o “Estatuto do Condomínio” nem pensar. Todos tem direito a tudo, locatário só dever.

Tambosi
September 20, 2007

Por isso mesmo não vou mais a reuniões de condomínio. Me traz alguma recordação dos tempos de hominídeo…

Leticia
September 20, 2007

Vou apenas quando se quer votar algo estapafúrdio. Como ontem.

O engraçado é essa hieraquia mesmo: primeiro os “poprietários”. Depois, se sobrar, os que pagam aluguel. Por último, na cadeia alimentar, saco de pancada dos moradores mais funhecados pela vida, estão os porteiros.

Rick
September 20, 2007

Eu ainda não tive a grã-ventura de participar de uma tertúlia tão instigante como essa que vcs descrevem tão pitorescamente. rsrs

Mas pelo que ouvi de outras pessoas e pelo que li aqui, Dominus libera me!!!!

malu campos
September 20, 2007

Coitado do porteiro. Se o zelador não limpa direito…reclama com o porteiro! Se as crianças do apartamento de cima pulam muito…reclama com o porteiro! Mas se você também quizer saber as últimas fofocas do prédio…pergunta pro porteiro!

Fábio Max
September 21, 2007

Coitados dos porteiros.Teve um juiz acometido de magistralite, que entrou na Justiça para que o condomínio obrigasse os “serviçais” a tratarem-no por “doutor”.

Levou uma carraspana digna de nota no Tambosi, do seu colega, que julgou a questão.ahaahhaha…mas no fim das contas, é o porteiro que vai perder o emprego e que tem que aguentar as “otoridades”, os “nouveau rich” e os “bacanas de proveta”!

Leticia
September 21, 2007

Bem, já que o assunto está rendendo e minhas unhas estão secando, vou contar: o zelador aqui do prédio é, como se diz, uma moça. Jamais o vi dizer uma palavra sequer feia, algo de mau jeito. Jamais! É um primor de educação, de discrição, trabalha muito bem, a família toda direitinha (o filho dele é a criança mais educada do prédio), enfim…

Pois bem. Tem uma família ordinaríssima que resolveu encrencar com ele, na esperança que o mandem embora e que o condomínio fique mais em contcha. E eles são da pesada. Já armaram confusão, alguém chamou a polícia, uma baixaria orbita em torno dos três. A síndica está tentando levar na diplomacia, mas depois da reunião de ontem, está difícil. Moradores que não freqüentam as assembléias vieram, para dar voto em favor dele. Foi até chamada uma advogada, que é bem hábil, por sinal, para tratar a questão. A permanência dele venceu entre os votantes. Hoje foi o day after, e me parece que a demissão não se encaminhará, como queriam os maloqueiros.

Mas há que se ter um saco sem fundo para ir a reuniões que você sabe como transcorrerão. Ontem sobrou até pra mim, que fiquei quita no meu canto. Nem Dante imaginaria algo tão tão!

benedito
September 27, 2007

Quanto ao Edificio Viadutos a sua dívida para com o INSS nao existe mais,a placa publicitaria rendia apenas 1.200,00 jamais resolveu problemas financeiros do condominio

Leticia
September 27, 2007

Benedito, não lembro de ter falado em dívidas com o INSS. E a informação sobre o aluguel do painel publicitário eu retirei do site síndico.net.

[...] tempo: o zelador aqui do prédio (lembram?) agora trabalha na Companhia Vale do Rio Doce em sua terra natal, ganhando mais em salário e [...]

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