Acabei de sair de uma. Fiz questão de ir por questão de solidariedade a um empregado numa questão x, e saí à francesa, depois de dar meu votinho. Se bem que a questão era tão sanguínea que sugeri que fizéssemos como no Senado: voto secreto. Nem sei se alguém ouviu minha proposta, porque lá houve de tudo, menos segredo.
Reuniões de condomínio têm a propriedade de reunir a nata do resto da natureza humana, não? Quanta picuinha, quanta “questã”! A empáfia no tratar dos probleminhas do dia-a-dia é diretamente proporcional ao pavor pela possibilidade de despender mais uns 20 reais em uma emergência.


Esses dois prédios aí das fotos sempre fizeram parte dos meus sonhos habitacionais. Tá certo que moro em um prédio meio bossa-nova, mas nada se compara ao charme desses dois. Porque não moro em nenhum deles? Ora, o primeiro é o Edifício Viadutos. Projetado por João Artacho Jurado em 1955, se encaixa no ângulo dos viadutos Nova de Julho e Jacareí. Foi o furor do glamour nos anos seguintes. As festas em seus apartamentos eram disputadas a tapa. São 368 apartamentos, onde hoje moram mais de mil pessoas. Na verdade, o prédio está bem detonado – é só chegar mais perto pra ver. Além de uma dívida enorme com a previdência, ele ainda tem um espinhoso processo de tombamento junto ao Patrimônio Histórico. Há alguns anos, parece que a Prefeitura isentaria o Viadutos de IPTU em troca de um tapinha na fachada, mas, pelo jeito, isso não aconteceu. Ultimamente, a remoção obrigatória de um enorme painel publicitário na cobertura, que rendia 5 mangos por mês, foi o tiro de misericórdia. Ainda mais com a Assembléia Legislativa na frente e mendigos morando na praça embaixo, não dá. O que é uma pena, porque além de lindo de morrer – ele é creme e verde -, o hall de entrada é hollyoodiano, e a cobertura é o ó do forrobodó – toda cor-de-rosa: daria, se fosse utilizada, uma vista de 360 graus da cidade.
A foto de baixo é o Marian Palace Hotel. Não é cinco estrelas, não. É quatro, mas acho que a benevolência da Embratur deve-se ao fato de ser tombado pelo Patrimônio Histórico, e vai ver é por isso que sua fachada está impecavelmente arrumadinha. Em seu estilo art-déco, chegou a ganhar o Prêmio Nacional de Arquitetura em 1942, quando ainda funcionava em um sistema de flats. Bem no início da rua Cásper Líbero, ele chama a atenção de quem chega no largo Santa Ifigênia por causa de suas ondas, destacadas em… cor-de-rosa!
Como se vê, há inúmeras impossibilidades técnicas de eu ir morar em qualquer um dos dois. Mas não é, certamente, por causa de reuniões de condomínio. Elas são todas iguais, no mundo inteiro.





September 20, 2007
Aiiiii! Meus 8 anos de advocacia praticamente SÓ para condomínios me fazem ratificar a informação: é mais agradável entrar em briga de rua do que em reunião de condôminos!