Hotelaria em saúde para a canalha

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Acho justo que qualquer ser humano tenha o melhor e mais rápido atendimento em saúde.

Acho justo ainda que esse atendimento possa ter confortos compatíveis com a vida do cara, tipo internet, tv a cabo, ar-cond, nutricionista bonita, valet,  kit de banho, enfim, serviços adicionais, de hotel mesmo, desde que num esquema tal em que o cara pague por essas regalias.

Acho justo que o SUS, mesmo sem esses quaraishquaishquais, possa fornecer serviço de saúde igualmente rápido e de boa qualidade, o que, é óbvio, não acontece, por motivos que não é o caso aqui de abordar.

O que quero destacar aqui é que, seja o serviço de saúde público ou privado, o Brasil – justamente porque muita gente “subiu” de classe, sofre com falta de estrutura – pública ou privada – para atender todo mundo.

Faltam leitos. E quando digo de faltam leitos, não é só em Altamira. Faltam leitos nas grandes capitais também. Faltam leitos para pobres e para ricos.

Yes. Ricos também têm direito à saúde, veja você! Tanto direito quanto os pobres.

Qualquer rico comum deve aguardar um dia para ser internado e, dependendo de sua doença, amargar a espera, preocupado e ansioso. Daí chega o dia. O cara se interna. Faz-se o que tem de ser feito e, muitas vezes, é mandado pra casa ainda tonto de anestesia. Não existe mais essa coisa de passar dias no hospital até tudo cicatrizar. Vai embora periclitante, com um dreno pendurado, e boa. Termina o processo em casa.

Até aí, compreende-se.

O que não dá pra compreender é o fato de o Hospital Sírio-Libanês ter virado uma chacrinha.

O senador José Sarney, submetido a um cateterismo e a uma angioplastia com a colocação de stent, está internado desde o dia 14 e deveria ter caído fora do hospital na ontem dia 20. Foi quando os médicos lhe deram alta.

Mas resolveu esticar a festinha até segunda, dia 23. Está gostando no churrasco na laje que se instalou em seu quarto. Segundo o blog da jornalista Cristiana Lôbo, dia 19 de abril:

Boa notícia sobre a saúde de José Sarney. Os médicos já gostariam de dar alta para ele deixar o hospital e acabar de se recuperar em casa.

Mas o próprio Sarney preferiu ficar até segunda-feira no hospital Sírio-Libanês.

Lá, diariamente, ele se encontra com o ex-presidente Lula – a ponto de transformar o quarto do hospital numa espécie de “QG da articulação política da CPI”, segundo parlamentares que estiveram no hospital, o que tem sido um dos pontos do noticiário político.

- Sarney está gostando – disse um parlamentar.

O rebotalho está curtindo a novidade. Além de Lula, que bate ponto no Sírio todo dia por conta das sessões de fonoaudiologia, já veram visitar Sarney Romário (PSB-RJ), o ex-ministro da Fazenda Maílson da Nóbrega, o ex-presidente do PT José Eduardo Dutra (SE), o ministro do Turismo, Gastão Vieira (PMDB-MA), o vice-presidente, Michel Temer (PMDB-SP), o ministro da Previdência, Garibaldi Alves (PMDB-RN), o senador Valdir Raupp (PMDB-RO), o deputado Henrique Alves (PMDB-RN), o líder do governo na Câmara, Arlindo Chinaglia (PT-SP), o líder da maioria no Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL).

Primeiro, que tipo de éticamédica tem o médico que autorizou o prolongamento festivo da internação. Segundo, quem está pagando essa festa do caqui num hospital. Terceiro, quem banca essas caravanas. E quarto, quando é que o Sírio-Libanês, já ajeitadinho no puxa-saquismo nacional, vai tomar vergonha e inaugurar um pavilhão exclusivo pra essa gente.

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9 Responses to Hotelaria em saúde para a canalha

  1. Luiz Schuwinski says:

    Olha, se Tancredo não tivesse morrido daquela maneira esdrúxula e mal explicada, jamais teríamos visto Sarney emergir do baixo-clero.
    Estaria recolhido à insignificância de seu miserável estado natal.
    Alguns integrantes das duas alas que lhe prestam vassalagem no asséptico quarto hospitalar, também são produtos das ironias do destino.
    Lulla – ao perder de propósito o mindinho da MÃO ESQUERDA numa prensa, para nunca mais trabalhar – nunca imaginou chegar aonde está quando ainda circulava pelos desvãos sindicais e ajudava a fundar uma seita que insistem em chamar de partido.
    Renan Calheiros é outro que chegou à primeira classe durante a ‘Era Collor’, gostou, se aboletou no fisiologismo e, desde então não sai da berlinda.
    Enquanto isso, Sarney Filho, a exemplo de Aécio com o avô, espera tranquilamente o velho bater as botas para, na tampa de seu caixão, surfar as lodosas ondas da politicalha brasileira.
    Nesse quarto, a única coisa que os une são os laços da corrupção. Todos passarão pela UTI da ética e da Justiça.

  2. To Fora says:

    Vcs falam da família Sarney, mas acho que vcs não tem idéia com são.
    É mil vezes pior do que se pensa. Ou podem até saber , mas não podem falar, não é?

  3. Leticia says:

    Schu, você fala de episódios de saúde num tempo em que o Sírio ainda não havia escancarado as portas para a sociabilidade desses caras. Quem sabe o Tancredo, se não tivesse ido para o “Hospital de Base”… Acho sério a direção do hospital rever a atuação de certos médicos que agem como promoters de boate.

    To Fora, pra falar a verdade eu não penso muito na família Sarney. Se não fossem eles, seriam quaisquer outros. Os Sarney são apenas símbolo do nosso jeitinho de encarar a vida.

  4. Luiz Schuwinski says:

    Eu até os respeitaria se bancassem as despesas hospitalares com dinheiro conseguido honestamente…

    Lulla dispõe do cartão corporativo da Presidência – sem limite – para seus gastos pessoais.
    Enquanto Sarney and family tem à sua disposição um orçamento do Senado que beira os 2 bilhões de reais/ano!

    Já que o dinheiro da ‘viúva’ não tem dono e o contribuinte brasileiro não está nem aí, então ‘vamo-que-vamo’!!!

  5. Refer says:

    Médicos são mafiosos — são mais fisiologistas que os políticos. Também são prepotentes e arrogantes. Políticos e médicos se parecem e se merecem.

  6. Fábio Mayer says:

    O fato mais espetacular da semana que passou foi justamente este: descobriu-se que o Sarney tem coração!

  7. Dawran Numida says:

    Olha, o fato é que a foto ai, tirando os equipamentos, é muito chata. Absurdamente chata.
    Por que todo mundo com essa cara de santo aureolado? E se o paciente está bem tratado, para que tanta gente fazendo romaria ao hospital? Caiam fora dai, ô!?!?!?!
    Têm mais coisas a fazer, legislar, por exemplo, do que ficar tirando fotos em hospitais. Hospitais, não, hospital. Nos públicos com atendimentos em macas no corredor, de madrugadas, notadamente nos finais de semana, ninguém vai.

  8. Luiz Schuwinski says:

    Tem muita gente torcendo para as linhas serrilhadas do eletro se tornarem belas retas paralelas! O “véio” é um arquivo ambulante! Hehehehe!

  9. Leticia says:

    Eu não respeitaria, não, Schu. Nem com todo o dinheiro do mundo. Esse cara está OCUPANDO UM LEITO, e há pacientes à espera.

    E tem razão, Dawran, esses ares de coroinha em volta do vestal aparentemente funhecado. Ilusão. Está muitíssimo bem tratado.

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