Uma muxquinha às segundas

Gente! Esqueci da musiqueta de hoje, que coisa…!

Como estamos em ritmo macunaímico, e depois de ver torturado estrebuchando na avenida, segue a música-cara-disso tudo-que-aí-está.

(Embora goste muito de ilustrações, não curto muito vídeos no estilo Orlando Dias: correlação direta entre imagem e palavra. Mas fico com esse áudio).

Espero que gostem.

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14 Responses to Uma muxquinha às segundas

  1. Refer says:

    Do tempo em que Caetano não tinha sotaque baiano, ainda. (Gil também não, aliás). Fácil, uma das melhores músicas já produzidas no Brasil.

    No final, a Tropicália fez um mal danado à música brasileira, pois trouxe de volta tudo o que a MPB tinha de pior e que a bossa nova, achávamos, havia sepultado para sempre.

  2. Leticia says:

    Não, é Refer? Esse negócio de adaptar sotaques pra lá e pra cá ao sabor dos valores dava um estudo interessante. Irônico a Tropicália rejeitar sotaques fora do Eixo Rio-SP, e mais irônico ainda a fase seguinte, a MPB nos anos 70, em que até o piracicabano mais nativo deu de falar “córação” – a principal palavra da nuvem letrística daquele tempo.

    Aliás, naquela leva de resgatar toda a coisa pré-bossa nova, ficou faltando mesmo o Orlando Dias. Ele era meu vizinho de rua lá no Meier, e vivia pra cima e pra baixo com aquela coisa de Universo em Desencanto – muito antes do Tim Maia.

  3. Luiz Schuwinski says:

    Essa música foi o carro-chefe do movimento tropicalista que começou em 1968.
    Arranjo do maestro Júlio Medaglia.
    Nessa colagem alegórica, Caetano sintetiza a alma brasileira.
    Nos saudosos Festivais da Música Popular Brasileira na TV Record, produziram-se as melhores páginas de nossa MPB!
    Quase todos os ícones musicais da década de sessenta em diante, brotaram nos festivais da Record. Será que o espírito repressor reinante à época estimulava a criatividade? É sob pressão que se produz mais?

  4. Leticia says:

    Não sei se dá pra ligar com ditadura, Shu. O próprio Caetano tentou lutar contra essa relação direta. Talvez o fato de terem ligado tenha acabado por valorizar um pouco demais a coisa. Supondo que, em vez do grupo tropicalista, fosse, sei lá, o Clube da Esquina se destacando naquele momento. Não sei como seriam vistos hoje, nem os mineiros nem Caetano, Gil & Cia.

  5. Dawran Numida says:

    Pode ser que a repressão, como todas, tenha gerado muita coisa considerada boa, pois, passava pela censura, falava nas entrelinhas etc. Até quem não entendia achava bom, só por causa da censura que precisava ser contrariada. E muita gente era favorável à censura, por conta de valores religiosos, familiares. Até receitas e poesias de Camões passaram a fazer sucesso. Essa coisa toda é que pode ter dado moral e fama para a tropicália e tudo o que veio antes e veio depois, com nuances. Pode ser entendido também que havia uma ditadura nordestina. No cinema e na música, quem não falasse gostar de Gal, Gil, Caetano e Bethânia, era out. O cinema era favela e nordeste, nordeste e favela, além do submundo de São Paulo e morros do Rio de Janeiro. E esse treco agora foi para a política, para o poder. Que coisa!!!

  6. Dawran Numida says:

    …uma coisa era o que pode ser chamado de transgressão estética, seja o que for isso. Isso ocorreu na forma de vestir, de falar. O sotaque prevalecente passou a ser o nordestino. E a maneira de levar a vida passou também a ser o que se imaginava ser o modo nordestino. Mas, não deixa de ser um tempo até bom em termos de música.

  7. Luiz Schuwinski says:

    Pois é. Parece que a ‘”redemocratização” esgotou a criatividade e a genialidade de grande parte dos artistas daquela época. Chico, praticamente entrou em processo de hibernação.
    Aonde andam Edu Lobo, os irmãos Valle, Ivan Lins, Menescal, Carlos Lira, Milton Nascimento…

  8. Dawran Numida says:

    Pode ser que estejam mumificados, Luiz Schuwinski.

  9. Leticia says:

    Poxa, Dawran, nunca tinha pensado nisso…

    Schu, ficaram naquilo e pararam no tempo.

  10. Luiz Schuwinski says:

    Hehehehe! Estão presos numa bolha temporal ou interdimensional!

  11. Refer says:

    ‘Tropicália’, a música, não foi feita sob repressaõ e censura. A gravação e o disco são de 1967; havia ampla liberdade para as artes e para a imprensa até então (não total, porque a censura e o estado de sítio podiam ser aplicados desde o início do período militar). Somente com o AI-5 (dezembro de 68) a censura passou a ser usada rigorosamente primeiro e histericamente depois que o Médici instituiu a Censura Prévia, em 1970. Aí, bélô, foi phoda.

    A bem da verdade, nada disso afetou a nossa criatividade musical. O melhor período da MPB, para mim, é justamente os dez anos pós-bossa nova, 1965 a 1975. A partir daí começou a crise de talentos que foi se agravando e se estende até hoje, e um dos motivos dela se instalar foi justamente o lixo musical que a Tropicália (o movimento), irresponsavelmente, trouxe de volta. Claro que isso não foi planejado pelo grupo baiano e agregados, mas desgraçadamente, foi o que aconteceu. O que se pode culpar os pós-bossanovistas diretamente pela crise é que eles tomaram o poder e sentaram em cima, formaram uma espécie de casta nobre mau-caráter da MPB, com suas rainhas, príncipes (vários!) e um baixo clero bajulador. Não ajudaram em nada a MPB a andar para a frente. Caetano, até hoje, reparem, só elogia nulidades.

  12. Leticia says:

    É, Refer, mas criou-se esse “fato”. Fica tudo numa salada só, própria a programas tipo arquivo. De “Tropicália” a “Pra não dizer…”, dá-se a impressão que o exército estava lá fora pronto a prender todo mundo na saída.

    É mais ou menos como dizer hoje que guerrilheiros eram bacanas e só queriam a volta da democracia, nhenhenhé. Naquele tempo nem se falava nisso. O bacana era ser comunista, ninguém retrucava, todo mundo achava realmente uma saída.

  13. Dawran Numida says:

    O modo nordestino foi derrotado ontem na apuração das escolas de samba. Mas, não foram poucas as referências ao Nordeste em várias escolas e enredos. Pode não ser pelo modo nordestino, mas, pelo tema, ruim. Por isso, não adianta querer ideologizar desfile de escola de samba. No máximo, tudo vira um santinho eleitoral, o que não é pouco, porém, é insuficiente. Agora, o rei de um reino azul que encontrou uma baleia verde que o transportou para Wall Street, funciona. Acaba o carnaval e poucos lembram o que viram e ouviram.

  14. Leticia says:

    Acaba mesmo. Cultura popular coisa nenhuma! Só os entendidos se lembram. Eu mesma só lembro de um, ótimo:

    Marcado pela própria natureza
    O Nordeste do meu Brasil
    Oh, solitário sertão
    De sofrimento e solidão
    A terra é seca
    Mal se pode cultivar
    [...] Sertanejo é forte
    Supera a miséria sem fim
    Sertanejo homem forte
    Dizia o poeta assim

    Me pergunta de que escola é? Que ano? Não sei.

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