Outro dia bati um papo/troquei umas ideias/joguei conversa fora com um senhor na fila do supermercado.
Em poucos minutos, vi desfilarem na minha frente os problemas da cidade (ele é malufista, aposto, e o problema da cidade, you know, é um só; e vem de fora), a cuba libre, a meia de seda, qual é sua graça meu nome é Osvaldo, e toda a década de 70 terminou acondicionada no porta-malas de um fusca azul-céu no estacionamento.
Ninguém é proibido de viver normalmente e de envelhecer, claro. Mas levar aqueles valores pontuais a vida inteira como se fossem absolutos?
Levemente diferente é o que faz minha irmã, que costuma listar palavras por faixa etária. Pipi quando bebê, xixi para crianças, daí na adolescência divide: permanece xixi para moças, e mijo para rapazes. Até que a velhice vem e acabam todos urinando. Aliás, diz ela, “urinar é um verbo que só se conjuga no passado”.
Eu pensei isso agora, porque topei com o tal cooper. Fazer o cooper de manhã. Minha pergunta é: isso ainda se usa? Vamos ao Google: não dá pra tirar uma estatística. Então, o Twitter: muito jovem usa…
Mas vem cá, eu ouço muito mais “corrida”: correr de manhã, dar minha corridinha…
O doutor Kenneth Cooper, um americano, surgiu com um livro (achei o período certo na Veja) no começo dos anos 70. Hoje, tudo que entendemos como básico no sentido de não ficar plantado num sofá vem dele.
Daí, como a gente faz sintaxe com qq. coisa, surgiu esse negócio de vou fazer meu cooper (?!*&!). E o autor do livro com que estou trabalhando, além de grosseiro, é dos anos 70, né? Estou só na tesourinha com esse homem…
Que faço? Fazer cooper eu não quero deixar. Corrida também não sei, porque morro de pavor de virar a preparadora do fusca azul quando alguém ler esse livro daqui a cinquenta anos. Acho que vou radicalizar e voltar aos anos 40: exercícios ao ar livre.
E este blog? ESTE BLOG!! Sei lá se estará disponível daqui uma década, mas o fato é que está coalhado de coisicas, modinhas do último tempos.
Mesmo assim, não é dos piores, não. Tem uns aí das moçoilas-indignadas-com-fatos-corriqueiros que cansa ler, de tanta gracinha, tantos recursos, tantas caixas altas, sílabas escandidas, suspiros, trocadilhos, súplicas pelo fim de semana, tudo que a pessoa pode enfiar em cinco parágrafos pra explicar algo que caberia em três linhas.
Daqui a dez anos, como serão as moças d’hoje? Estarão elas arrebentando a boca do balão?



Havia o teste, acho, no método Cooper. E a consequente piadinha/trocadilho inserida durante a conversa com o interlocutor entusiasta do método: “Teste de Cooper feito”.
Né, Paulo? Essa é classicíssima!
Cara Letícia! Penso muito a respeito dos modismos, em especial na língua portuguesa. O que é certo hoje, amanhã não será. Por exemplo, nos telejornais a gente vê muito “fulano corre risco de morte” e antigamente usavam “risco de vida”. Certo o uso da elipse ou não neste caso, o que prefiro é ser sem preconceitos, não criticar o que está, em tese, errado, a língua é dinâmica mess, hehehe. O importante é se comunicar.
E quanto ao fenômeno blogstíco de hoje, qual será a análise daqui a uma década? Blogs de moda, frequentadores e críticos de restaurantes, de emagrecimento, de praticantes de “cooper”, diários virtuais, de políticos etc. Será a enciclopédia retratando o comportamento de uma geração.
Xi, Adriana, eu lembro quando o “risco de morte” subitamente morreu! Alguém questionou, todo mundo falou “é mesmo!!!” e foi um ataque de abelhas! Também deram de usar o “risco de morrer”. Eu acho irrelevante.
Como também acho irrelevante usar ou não usar modismos, nem questiono se algo está errado ou não. Aliás, tenho prazer especial em usar gírias antigas. Gosto de imaginar a cara dos leitores fazendo “bleargh”.
O que acho engraçado é que, de modo geral, quem mergulha fundo no hoje geralmente tem preconceito com o ontem e não prevê o amanhã.
Mas essa moda de blogueiras ishpertas essgarçando os casos, ah, eu espero que passe rápido.