Artigo de hoje no Estadão com as sutilezas da migração de São Paulo, a partir de estudo do Seade.
A capital e o estado não são mais os mesmos em termos de atração de mão-de-obra. Mas não do jeito que se pode pensar à primeira vista. São Paulo não decaiu. Apenas está em outro patamar de desnvolvimento.
Muita gente (inclusive de poder aquisitivo maior) resolveu se mandar para outras cidades também grandes, mas (ainda) sem as mazelas daqui, em busca de tranquilidade. Outro fator que pesa é que SP não tem mais lugar para mão-de-obra desqualificada, que se desloca agora para regiões de desenvolvimento primário onde a demanda ainda é por atividades qu aceitam qualquer um. Um trecho:
[...] No Estado, outras regiões passaram a receber parte dos que deixaram a Grande São Paulo e os que continuaram vindo de outros Estados. As regiões metropolitanas da Baixada Santista e de Campinas, sobretudo esta última, continuam a registrar fluxo migratório positivo. O estudo indica que, das grandes metrópoles, a preferência dos migrantes se desloca para cidades médias, como Jundiaí, Americana, Limeira, São Carlos e Araraquara, que têm uma economia dinâmica e ainda não enfrentam os problemas típicos das metrópoles, como alto custo de vida, trânsito congestionado e falta de segurança.
A redução contínua do fluxo migratório para o Estado de São Paulo, por sua vez, tem a ver com o surgimento de novos polos econômicos, sobretudo na área da agroindústria, como os Estados de Mato Grosso e Mato Grosso do Sul, e com os programas de renda do governo federal, como o Bolsa-Família, que reduzem a necessidade das famílias de deixar sua terra de origem para buscar trabalho em outra região. Além disso, outras regiões – como o Nordeste, que durante décadas foi o principal polo gerador de migração do País – crescem proporcionalmente mais do que São Paulo.
Há, ainda, o fator lembrado, em entrevista ao Estado, pelo pesquisador do Ipea Herton Fleury, que acompanha os processos migratórios no País. Trata-se da exigência, no mercado de trabalho de São Paulo, de qualificação profissional mais avançada, em termos de treinamento e educação formal.
Apesar de tudo, por pagar salário médio maior do que o de outros Estados, São Paulo ainda atrai migrantes.



“A capital e o estado não são mais os mesmos em termos de atração de mão-de-obra. Mas não do jeito que se pode pensar à primeira vista. São Paulo não decaiu. Apenas está em outro patamar de desnvolvimento.”
Isso tá parecendo mais um daqueles pensamentos bem típicos da elite-burguesa-dominante, Leticia. Mais um pouco e você serve de exemplo ao Zé Dirceu naquela novelinha, hehe.
Olha, Claudio: não fosse os pensamentos da “elite-burguesa-dominante”, com toda certeza já teríamos sido catapultados à barbárie Castro-chavista. Fala sério, meu!
No que diz respeito a São Paulo, o que acontece é o seguinte: houve uma glamourização excessiva das grandes capitais. Durante gerações isso vem sendo incutido na mente dos mais jovens Brasil afora. Outras passarão até que essa mentalidade seja revertida.
Cidades interioranas, por décadas, assistiram passivamente a migração espontânea de seus habitantes rumo às luzes das grandes metrópoles, sob o olhar complacente do poder central.
Claudio, me desculpe se descambei pra uma linguagem meio assim-assado.
Vou reescrever: São Paulo virou uma cidade de serviços. Serviços top. Não dá pra qualquer um. Precisa ler e escrever, ter todos os dentes e comparecer de terno. Por favor, tire os alinhavados da loja antes de vesti-lo. Pronto, falei.
Schu, agora o povaréu está indo para cidades onde a mão-de-obra desqualificada ainda é necesssária. Só.
Ocorre, em grande linhas o que ocorre com países. Os mais pobres, quando iniciam processo de crescimento da economia, crescem mais e mais rápido. Isso porque precisam incluir mais pessoas e em menos tempo, no mercado de trabalho e de capacidade de consumo. Os mais ricos, crescem menos e menos rápido, pois, haveriam menos pessoas a integrar e menos áreas a desenvolver.
É o que já comentamos aqui sobre a necessidade de distribuir melhor as oportunidades de crescimento e desenvolvimento econômico, este, em etapas posteriores.
Leticia,
E é isso mesmo: o setor de serviços exige profissionais mais qualificados.
Não há nada de preconceito ou de elitismo constatar isso.
Basta ir a um local de serviços (bares, restaurantes, taxis, hotéis, escolas, teatro, cinema etc.) e ser bem ou mal atendido. Só isso. Ou comprar algo e necessitar fazer a troca, por exemplo. Ou adquirir serviços de telefonia, internet e outros. Sem falar em evento das mais variadas espécies. São aspectos prosaicos que podem dar um medida de como as coisas são.