Matéria na Folha de hoje:
Com terrenos cada vez mais raros – e caros – para obras em endereços centrais na capital paulista, construtoras começam a investir no mercado de “retrofit”.
“Retrofitar” um prédio, no jargão das empresas do setor imobiliário, é modernizá-lo.Isso envolve mudar uma série de itens: sistemas hidráulico, elétrico e de ar condicionado são atualizados; garagens, remodeladas ou construídas; fachadas são recuperadas, e serviços, como segurança, reformulados.
Segundo levantamento feito pela Herzog Imóveis Industriais e Comerciais para a Folha, há aproximadamente 60 mil metros quadrados comerciais “retrofitados” em São Paulo hoje – parte deles ainda em obras.
O volume é o dobro do existente em 2009, de cerca de 30 mil metros quadrados.
Os alvos podem ser edifícios comerciais – foco principal das construtoras em São Paulo – ou residenciais.
“Há diferentes graus de “retrofit”, mas todos eles vão além de uma simples reforma”, diz Danilo Monteiro, diretor de desenvolvimento e investimento da consultoria CB Richard Ellis.
Nos casos de intervenção mais profunda, só a estrutura é mantida. Todo o resto é refeito, preservando a característica arquitetônica.
Como cada caso tem suas especificidades – localização, situação do prédio, valores de mercado de aluguel ou venda do empreendimento depois de pronto -, é difícil estabelecer um custo médio de “retrofit”. A Folha recolheu exemplos de obras atuais que variam de R$ 6 milhões a R$ 120 milhões.
“Para determinar se um “retrofit” é viável comercialmente, a construtora precisa levar em conta os gastos que vai ter, o tempo da reforma e a taxa de retorno almejada”, diz Simone Santos, diretora de serviços corporativos da imobiliária Herzog. “O resultado tem que estar dentro da remuneração oferecida pelo mercado”, diz.
Mas Santos acredita que, no embalo do aquecimento do setor imobiliário, o “retrofit” vai ser uma alternativa cada vez mais procurada pelas construtoras na capital paulista, a exemplo do que já ocorre no Rio de Janeiro.
“No Rio, já há algum tempo não existem mais terrenos vagos para construir escritórios na região central, que é a mais valorizada”, diz.
“Lá, o mercado de “retrofit” recebe investimentos há cerca de cinco anos. Em São Paulo, isso começou a ganhar impulso em 2008, com os empreendimentos sendo entregues a partir de 2009, e se intensifica agora.”
Que bom! Enquanto São Paulo resolvia abandonar seus prédios centrais e se expandir até a Austrália, o Rio não avança pra Zona Norte nem a pau, Juvenal! Todjo mundjo quer ficar perto da praia.
Ainda bem que São Paulo resolveu cuidar de seu núcleo central, que anda um horror mesmo. Mas tomara que as construtoras (com a Prefeitura?) arrumem um jeito de driblar o pouco potencial econômico para imóveis residenciais.
“Retrofit”, tenho de memorizar….: “Retrofit”…
PS.: Então meu apê é retrofit?
PS2: Vai ser ótimo pro tipo de ser humano que gosta de badalar na rua. Como eu. Imagina passar a existência do carro pra garagem, da garagem pro shopping, de casa pra garagem, sem nunca bater uma perninha por aí? Não, não. CO2 é preciso…



Aqui na cidade também deram uma “retrofitada” no centro histórico.
Prefeitura em parceria com SESC e empresários, revitalizaram ruas centenárias, prédios antigos, o escambau!
Resultado: no lugar de desocupados, drogados e mocós de alta-rotatividade, surgiu em pouco tempo um ambiente de grande efervescência cultural, com grande aceitação popular. Sucesso absoluto!
Que bom, Schu… O problema aqui é que tem tanto lugar pra retrofitar que acho que os “mindingo” não vão embora tão cedo.
Evidentemente ainda faltam alguns lugares centrais que precisam ser revitalizados, mas já foi um bom começo.
E com um detalhe: mínima ingerência estatal e nenhuma politicagem.
Fenômeno curioso este que acontece nas grandes cidades. Com a urbanização acelerada, os centros foram perdendo moradores para as periferias. Os bairros ficaram independentes em relação à área central.
Sim, porque as “necessidades” vão se transformando cruelmente. Por exemplo, a City Lapa, um lugar de classe média com alta qualidade de vida, planejado nos anos 30, 40, não serve mais para jovens famílias estupidificadas, dessas que precisam de cinco , um shopping e uma fachada de design arrojado, coisa que não dá pra ter num bairro tombado pelo Patrimônio Histórico…