Well…

Posta a vida em ordem, volto à rotina, graças a Deus! Não sei por que as pessoas odeiam a rotina. Vai ver cada um construiu seu dia a dia talhado meticulosamente para ser horroroso. Vai do gosto… Lembra aquela poesia da Elisa Lucinda: “O que que há? / Parem de falar mal da rotina.”

Bem, cansei de eleições. Mesmo. Nem que o resultado fosse inverso, cansei. Um dia volto. Mas de quando em quando chega num ápice de fastio geral: com o amadorismo, com os pobrema, as filas no hospitais, a certeza simplória de que tudo está bem, caminhando para um futuro glorioso. Vão todos seguir suas idealizações bestas. Pra mim chegou. Daqui a pouco algo me despertará e volto ao núcleo duro da coisa. Por enquanto fico nas perfumarias:

Me chamam a atenção as escolhas musicais de anúncios de tevê. O momentinho da moda pede os acordes iniciais de Under Pressure, que surgiu gloriosamente no MEU tempo na voz de Freddie Mercury e David Bowie. Hoje se presta a vender até lata de banha. Idem com batatas a entrada batida de We Will Rock You (do mesmo Freddie Mercury, no Queen), que de tão usada na propaganda foi parar no horário eleitoral.

As grandes agências de publicidade, todos sabemos, não sofrem qualquer  embate moral em pagar direitos autorais. Minha perguntinha é: será que o PSOL  respeita a criação alheia?

A resposta está em matéria no Estadão. Alega a campanha de Plínio de Arruda Sampaio que o uso dos três acordes não chega a configurar plágio (que conta a partir de sete acordes, se bem me lembro).

A lei é uma senhorinha tapada, não? Três acordes geralmente não dizem nada mesmo. Mas quando entra o talento, a coisa muda de figura. Seria o mesmo que eu escolher, por exemplo, um detalhe conhecido de Michelângelo e tungá-lo para mim: olha, vou roubar um pedacinho, viu? São só 5% da obra, não configura plágio, não… Vou pegar um desses olhos e fazer com ele o que bem entender…

Qualquer pessoa que saiu das fraldas há um bom tempo ouve esses “meros” três acordes e já identifica de onde vieram. Porque há talento neles. Em todo o quadro psolístico, não existe um ser vivo capaz de pegar três simples acordes e fazer um arranjo dessa monta. Entonces é roubo mesmo.

Se algum talento criativo houvesse nos quadros do Psol, e se por acaso alguém tungasse um pedacinho de nada de qualquer possível obra sua, a lei viria, e pesada.

É bom chupar o que há de útil no sistema capitalista, não? 

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3 Responses to Well…

  1. Maria Edi says:

    É bão ser socialista sob o guarda-chuva das benesses capitalistas.
    Se Beethoven tivesse deixado família, ela estaria rica pelas próximas duzenta e cinco gerações. Só o uso ODIOSO que fizeram de Pour Elise e do “tchan-tchan-tchan-tchan”… Tá, podem argumentar que Churchill fez uso das cinco notinhas famosas em tempo de guerra, mas vejam as condições, senhores!
    O que me deixou @$*& da vida foi o final da campanha de 2002 do … “dele”, usando o coral da Nona do Beethoven. ÓDIO!! Devia cair um raio na cabeça dos marqueteiros!
    Faz bem em não ligar para as eleições, moça. Eu estou com um tremor na pálpebra – nervoso, claro – com toda essa situação. Quem devia se preocupar não se preocupa. Então, a gente não precisa criar uma úlcera por causa disso, né?
    Besitos

  2. Leticia says:

    Maria Edi, o socialismo não vive sem o capitalismo. Se um dia o segundo acabasse, qual seria a graça do primeiro?

    Coitadinha da Pour Elise… Bem, houve períodos piores. Lembra da Carmina Burana, anos 90? Se prestou a simplesmente TUDO. Vai ver venceu o período autoral do Carl Orff…

    Não me preocupo mais com eleições. Dedicar-me-ei às artes domésticas…

  3. Ricardo says:

    Idem com batatas, Lets e Maria Edi.

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