É. Depois da febre do “espaço gourmet” – um nome chique a chancelar a churrascada - opção de bom gosto principalmente para o vizinho de cima que resolveu dormir até mais tarde no domingo -, agora os lançamentos imobiliários em São Paulo estão com uma nova trend: o living expandido.
Ninguém vai achar que um nome tão muderno é baseado num novo e elaboradíssimo conceito de vida, não?
A varandona, que, se fechada, permite fazer um puxadinho na sala, é, sim, um jeito de dar a volta na Prefeitura. Isso porque o Código de Obras de 1992 diz que, se a varanda tem o equivalente a até 10% da metragem do apartamento, é considerada “área não computável” (entendi eu que isso se refere a fins fiscais: valor venal, cálculo do IPTU, e pá e coisa). (Estadão)
Então é isso: a incorporadora vende aquilo pro cara como uma opçã de envidraçar ou não a varanda. E o cara, é claro, fecha tudo e preenche com móveis Etna em 100 vezes sem juros, avançando com tudo onde não deve.
Sinceramente? Isso é problema lá deles com a Prefeitura. O ruim é quando o cerumano começa a usar varanda aberta como quartinho de despejo. Hoje vi uma no Viaduto Maria Paula: um prédio gracinha, antigo mas todo reformadinho, onde uma das varandas estava atulhada de caixas-arquivo. Como fica feio!
Outro que percebi esses dias, na bemposta rua dos Ingleses, naquela subida desde a Brigadeiro: o prédio é novíssimo, muderno, neocrássico e de pretensões arrojadas, nomeado com qualquer coisa parecida com The Hills ou The Forest. Em uma das varandas, sabe o quê? Um varal de chão. Sim, um VARAL DE CHÃO, comprado no Extra lá perto, cheio de underwears ao léu, pra quem quiser apreciar. Um pedacinho de cortiço no Morro dos Ingleses! Sim, o crédito tem seu lado tenebroso.
Precisava? Não. Até porque o cabra deve ter uma área de serviço dentro de casa. Aliás, até a área de serviço deve ser regida pelo bom-tom. Não custa nada.
Aqui em casa é assim: não dá pra quase ninguém ver meu varal. Só se for de um prédio lá longe, com binóculo. Mesmo assim, tenho o pudor (não sequissual: urbano) de colocar a toalha de banho por último, tapando a visão do resto. Calcinha, sutiã, e mesmo blusinha, calça, fica tudo encoberto. Não eu eu ache que tenha voyeurs. É que as pessoas não merecem ver os mendrulhos alheios.




Hahahaha, tem muita gente sem noção mesmo. Mas a idéia em si de fechar varanda não é tão ruim. Eu gostaria de poder fechar a minha por um único motivo: as caixas de areia dos meus gatos ficam lá, e quando chove é um saco. Mas como não posso, vamos vivendo numa boa ehehehe.
Aliás, tá aí uma coisa que eu acho brega ao extremo: prédio ter nome. Putz, não podia ter só o número não? É cada nome escroto que tá doido!
Eu também acho ótimo fechar varanda. Se fosse o caso, teria feito isso aqui em casa. Mas travestir uma voltinha nas posturas municipais com o nome de living expandido é o ó…
Nome de edifício vai numa ânsia cultural contrário à dos nomes de novelas…. Você mora no Montgomery Residence, mas vê algo como “Alma Gêmea”. Não é legal?
Montgomery Residence! Ótimo!
Foi o que me ocorreu. Poderia ser Vivendas do Cambuci tb. As plantas são todas no mesmo esquema.
Também acho nada a ver fazer ‘puxadinho’ na varanda, mas infelizmente isso faz parte do ‘jeitinho brasileiro’ de querer levar vantagem em tudo né.. Sempre digo que essa mentalidade é uma das razões de atraso nesse país…
O inconveniente associado à observação sistemática de varandas é que o risco de pisar em algum cocô aumenta significativamente;
adelante!
Dr P.
(Risos) Na subidinha da rua dos Ingleses, isso é bem provável…
Isso não é exclusividade de Sampa. Aqui, em Curitiba, as construtoras já tratam de colocar na convenção de condomínio a possibilidade de fechar a varanda “a critério do morador”, para diminuir custos (óbvio)…
…e nome de prédio até não sou contra. Uma ex-namorada vivia num prédio com nome de Guimarães Rosa, ou seja, bonita homenagem a um brasileiro ilustre. O problema é viver em algo como Cypress Garden (condomínio de casas), La Rochelle, Maison Sanctuaire e quetais… é de matar de brega, mas a “crasse” média que acha que status é roupa de grife, carro ENORME e prédio com nome estrangeiro, adora!
Ah sim:
Aqui em Curitiba, apartamento com as dimensões deste da foto não sai por menos de 600 mil reais… em SP, deve bater o milhão… sinceramente, gente que não precisa de living expandido, porque isso é coisa de pobre…
Falando em nome, lembrei de um curioso ali no alto da av. Pompéia, quase esquina com a Bovero. Acho que é Edifício Neusa (ou coisa assim), com um pórtico todo incrementado, pesado (digno de prédio antigo do centro) e… 2 andares!!!
Sem contar o famoso “AVC”, ali na Sé, lembra?
Não lembro, prestarei atenção…
Outro dia vi um edifício Urupês no Viaduto Maria Paula. Tão bonitinho…. mas deve ser um cortição dentro.
Fábio, nunca se deve confiar em “ilustração ilustrativa” de lançamento imobiliário. Você olha assim, e quando vai ver é um ovo. De qualquer modo, os imóveis estão caríssimos!
Fábio, prédio com nomes assim eu acho uma gracinha. O problema é quando há a pretensão macaquenta.
Me lembrei de um “causo”.
Tempos atrás eu cuidava de umas quetsões jurídicas para um condomínio, sendo que numa assembléia, tentavam explicar para os moradores, todos “crasse” média alta, que não eram permitidos na garagem aqueles veículos enormes tipo camionete ou SUV(s), porque a convenção usou o termo “automóveis de passeio”, que é o técnico, usado inclusive pelos DETRANs, que classificam aqueles monstrengos gastadores de gasolina como utilitários.
Pra quê?
Teve neguinho dizendo que ia enfiar o carro sobre o fusca do vizinho, por mais que no estacionamento não exista espaço para nada disso, visto que nele era possivel estacionar, mas não necessariamente sair de carros com aquele tamanho. E o caos era tão grande que, para estacionar uma camionete, as vezes era preciso manobrar o carro do vizinho, que tinha que deixar as chaves à disposição do prédio todo… enfim, alguns queriam acabar com isso com razão…
…enfim o exibicionismo jeca de alguns acaba em situações assim.
Isso! Daqui a pouco os caminhões viram moda pra pegar criança na escola, e aí?
Em Rio Branco do Sul já tem pai que vai de cavalo mecânico buscar criança na escola.
O pai é um estúpido, a mãe uma retardada e o filho, se ainda não é estúpido eretardado, certamente será depois que experimentar cerveja…
Olha, que legal, Fábio! Aqui, no Colégio São Luís, há uma entrada, uma passagem no térreo para carros, para que a saída da criançada não forme filas na rua. Imagino um cavalo mecânico tentando entrar naquele teto baixo…