A partir da próxima segunda-feira, motoboys e congêneres não podem mais trafegar pela pista expressa da marginal Tietê. Acabou o período de transição. Quem se arvorar pagará multa de R$ 85,12, mais quatro pontos na carteira de habilitação.
Maldade? Não. É preservação da espécie. Motoboys representam 13% do total de veículos na via, mas conseguem a façanha de se envolver em mais da metade dos acidentes fatais no local. Só em 2009, estiveram relacionados a 64% desses casos. Hoje, morrem dois motoboys por dia em São Paulo, o que dá um 700 por ano.
Com a mudança, a CET espera reduzir em 40% o número de acidentes graves com motos.
Oba! A via expressa da marginal Tietê terá também alteração da velocidade máxima: 90 km/h para carros, e 70 km/h para caminhões e ônibus.
No último mês tem circulado um anúncio de orientação aos motoboys, com o fantástico Jackson Five de Marco Luque. Pena que não achei em lugar algum. Paranoias da legislação eleitoral. Mas há outros, em que Jackson Five diz a que veio. É de 2008, mas vale. Porque, veja você, Jackson Five ainda não morreu:



A proibição de motos na faixa expressa da Marginal foi estabelecida pela Prefeitura sob a alegação de que a maioria dos acidentes ocorria na pista expressa. Nessa pista expressa, os motociclistas usavam um corredor que se formava entre a primeira e segunda pistas a partir da esquerda. Como os caminhões não podiam usar as pistas da esquerda, circulávamos entre os carros, longe dos caminhões.
Na sexta feira, usei a pista “do meio”. Francamente, não me senti mais seguro, porque:
1. O corredor não é formado exclusivamente por carros, mas por caminhões também. Além de ficar mais estreito, ficou clara a percepção de que um acidente envolvendo caminhão pode ter conseqüências muito maiores que o mesmo acidente com um carro, porque existe uma tendência para se cair SOB o caminhão.
2. A pista “do meio” tem inúmeras agulhas de entrada e de saída e isso significa que os carros e caminhões trocam muito mais de pista do que na pista expressa, aumentando o risco de acidentes com motos.
Na minha opinião a proibição de motos sob alegação de segurança foi um erro técnico ou uma desculpa esfarrapada da Prefeitura para dar vazão à síndrome proibitiva do prefeito.
Alias, a suposta logica que é repetida pela PMSP para suportar a proibição é furada. Se a maioria dos acidentes acontecia na pista expressa, com a proibição certamente ira acontecer em outro lugar. E então, vão obrigar o motociclista a usar a pista expressa de novo? Está na cara que é mais uma interpretação distorcida de “causa e defeito”, que inexoravelmente irá resultar em uma consequencia distorcida tambem.
A propósito, a história se repente:
O prefeito proibe caminhões, os taxistas aplaudem, os motoristas aplauidem, os motoqueiros aplaudem.
O prefeito proibe carros, os taxistas aplaudem, os caminhoneiros aplaudem, os motoqueiros aplaudem.
O prefeito proibe motos, os caminhões, os motoristas e os taxistas aplaudem.
E por ai vai.
Esse maledeto (infelizmente, eleito democraticamente) não faz nada de útil , não cria, somente restringe, proibe e multa.
Tenta elevar o padrão da cidade, sim, mas somente às custas do cidadão. A prefeitura, mesmo, pouco faz.
Dr. P., me parece que não há muita saída a não ser elevar o padrão à custa do cidadão. É o cidadão quem forma a cidade, não tem jeito de ser muito diferente. Quanto às motos, a gente sabe que há motoqueiros conscientes e cuidadosos, mas a maioria não é. É por causa desses que a proibição foi feita. Vejamos os resultados. Se a coisa der certo, tanto melhor; se não, a Prefeitura pensará em outra saída (se é que ela existe). (Me parece que a pista local foi escolhida porque a maioria das motos não alcança velocidade. )
De qualquer modo, a marginal melhorou muito com as novas pistas. Como sei que você passou a usar moto para andar mais rápido, talvez seja o caso de repensar e voltar a usar o carro. Acho que é mais seguro.
Nao passei a usar moto na cidade para andar mais rápido, mas simplesmente para conseguir andar nessa cidade maledeta que nao tem onibus nem metrô.
Ao inves de implementar proibições ilogicas, a prefeitura deveria se emprenhar em melhorar o transporte coletivo. Mas isso e muito complicado, ne?
Você falando assim, parece que a cidade se solucionaria automaticamente com outro (tipo de) dirigente. Não é assim. Aqui é o contrário: a demanda é determinada pela oferta. Para cada avanço no transporte público, surgem milhões de pessoas para desfrutá-lo, assim, do nada.
Criou-se uma cultura de que a pessoa não pode ir ali adiante sem um carrinho. Isso sobrecarrega quem mora “longe” e precisa do carro de fato. Perdeu-se o hábito de andar, de pegar um ônibus, baldear para o metrô. Todo mundo quer tudo aqui e agora, dos mais ricos aos mais pobres.
Ao mesmo tempo que essa crítica é um impulso para o desenvolvimento na cidade, acaba atrapalhando, porque ninguém quer saber de nada. E cria-se assim, uma oposição ferrenha a quem quer que seja que esteja no poder. O problema está nos dirigentes ou na cidade? E “a nível de” Brasil, isso é bom para quem opta por vir para cá? Acho que sim. Vote em Dilma e depois se mude pra cá em busca de uma vida melhor. Está posto o círculo vicioso.