João Sayad fala

Ontem correu um boatão eleitoreiro sobre a demissão de 1.400 almas da TV Cultura. Tá certo que eu acharia bom que esse número se mantivesse. Afinal de contas, a gente só fica sabendo quando o serviço público demite, e não quando contrata. Contrata, diga-se de passagem, com o meu e o seu dinheiro.

Imagino, e é fácil constatar, que ao longo desses anos a TV Cultura teve de abrigar muita gente oriunda de um restolho de mercado – sim, porque, além dos legitimamente concursados, como os desqualificados poderia arrumar emprego a não ser por meio de xaveco político?

Pois é. João Sayad, que substiuiu Paulo Markun na presidência da emissora, dá uma entrevista hoje no Estadão explicando direitinho o que acontecerá. Serão, na verdade, 400 demissões (tudo bem, acho que já é alguma coisa) e uma reformulação na grade, tirando os documentários markunzescos que invadiram a emissora nos últimos anos (aqueles mostrando piedosamente iniciativa de índios plantando mandioca, velhinhas (que deveriam estar aposentadas) no lesco-lesco da lavoura e a vida romântica e cheia de moscas nos quilombos.

Ora, esse tipo de produção esquerdolenga que vá se abrigar nas emissoras federais-em-rede-com-Bolívia-e-Venezuela, de onde nunca deveriam ter saído. Quem vê aquilo?

Segundo João Sayad, a emissora se manterá no que sempre a caracterizou: ótimos programas (Viola, Minha Viola, Senhor Brasil, Roda-Viva e Provocações), documentários e jornalismo de qualidade e, agora, ênfase nos debates (diários, uêba!).

Ah, e importantíssimo: os infantis. O Castelo Rá-Tim-Bum, premiado como o melhor do mundo na categoria e que se presta  divinamente a entreter e educar por gerações (Periquito já consegue imitar a risada macabra do Dr. Abobrinha, nosso querido Paschoal da Conceição. E quem não se lembra do Tas como o Professor Tibúrcio?: “Bom diiiiia, professor Tibúúúúrcio”? O Cocoricó. Até eu, mesmo adulta, sempre adorei, p. ex., o Mundo da Lua e, como mencionei ontem, o Peter Rabbit, que nunca mais passou.)

O jornalismo continuará sem cortes, o que é muito bom. Só sairão programas que não dão Ibope – aquelas invenções para xóvens, que são chatas pra caramba; até para os xóvens.

Além disso, a já anunciada vinda de Marília Gabriela e a volta da ótima Maria Cristina Poli.

E, não menos importante, a saída da TV Cultura daquele terreno imenso – praticamente um Projac – na Lapa de baixo.

Para ter conteúdo, alguns estúdios em um ou dois andares comerciais já bastam.

Eu aqui rezando para que a Cultura volte a seu papel de  entreter educando. Se a audiência de uma tevê educativa é fadada a ser baixa (o que é discutível), que seja por causa de sua boa qualidade.

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8 Responses to João Sayad fala

  1. Fábio Mayer says:

    Na verdade, a TV Cultura contrata por CLT, de modo que pode demitir funcionários como qualquer entidade privada. Maspara ela há justificativa: suas verbas são limitadas e ela não pode captá-las no mercado como uma TV privada.

    Faz tempo que não assisti TV… nem sabia que a TV Cultura tava numas de esquerdofrenia light… eu gostava do Opinão Nacional com o Heródoto Barbeiro e a Mona Dorf, aquilo sim era debate de alta qalidade na TV, e diário, dava gosto de ver e logo depois, assistir Jornal da Cultura.

  2. Pão com Manteiga says:

    É difícil uma TV Pública não entrar nestas de esquerdofrenia light. Quase impossível. Esse pessoal acha mesmo que o povo quer saber de índio não sei das quantas plantando mandioca e outras atividades fascinantes. Eu já sou bem radical: não acho que governos tenham que ter TV alguma. TV é informação e entretenimento, educação é tarefa dos pais!

    Sem falar que a rataiada petistóide fica toda assanhada com essas notícias envolvendo a Cultura, para poder justificar suas lambanças na Lula News.

    Como disse o Ângelo. “Cultura: uma TV mais comentada que assistida.”

  3. Leticia says:

    Fábio, é CLT mas o climão dela é de repartição pública. Tanto é que nos últimos anos foi infestada de petistas-sem-lugar-no-mercado-de-trabalho. Você verá se é um emprego público ou não daqui por diante: serão protestos e passeatas do tipo Apeoesp.

    Pão com Manteiga, concordo com você: por mim privatizava até o Palácio do Planalto. Mas a Cultura, inventada nos anos 60, está aí. E ela sempre desempenhou dignamente suas funções. Imagina o tesouro que é só o arquivo do Programa Ensaio?

    Concordo com o Angelo. Ele, comigo, faz parte dos meia dúzia que assistem à Cultura. Se não os bons programas para adultos, o Castelo Rá-Tim-Bum. Ele com suas princesas; eu com meu príncipe.

  4. Fábio Mayer says:

    Mas o Paulo Markun não era presidente por indicação do José Serra?

  5. Raquel says:

    Os caras são tão primários nas suas mentiras que apenas acrescentaram mil ao número verdadeiro…

    Espero que demitam mesmo, quem sabe assim sobre mais dinheiro para melhorias na TV Cultura. Dinheiro para negociar algumas séries da BBC.

  6. Você esqueceu do 3 a 1. Ás vezes assisto, por que aqui no Ceará a Tv Cultura não pega bem como Tv aberta, mas quando vou na casa da minha mãe eu ligo lá, que tem aquelas antenas gigantes da Century, onde dá para estender roupa.

    Vamos ver como fica a reformulação da Tv Cultura com a saída desses 400 de Esparta…

  7. Leticia says:

    Fábio, o governo, é claro, influencia, mas a votação é feita por um conselho. Na época, a articulação em favor de Markun foi feita pelo próprio Sayad, com a concordância de Serra.

    Maldita mania de diversidade dos tucanos, não?

    Raquel, eu também espero. Que tenho lá eu com os botocudos condenados pelas ONGS e pelo governo federal a viver como sempre viveram, em meio aos mosquitos? BBC neles!

  8. Leticia says:

    Henrique, seu comentário chegou depois, sei lá por quê.

    Essas antenas são ótimas pra quarar roupa! Minha irmã acaba de se desfazer de uma, o que achei uma pena!

    Esse 3 em 1 não é da TV Brasil? Outra prática horrorosa entre as tevês estatais é ficar trocando figurinha. A gente acaba vendo as mesmas coisas em trocentas emissoras diferentes, cada uma arrastando uma folha de pagamento imensa…

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