Eike Batista

Rodrigo Constantino analisa o Roda viva de estreia de Marília Gabriela, que recebeu o empresário Eike Batista.

Vi alguns pedaços, apesar do novo cenário, hor-ro-ro-so! (o Roda viva SEMPRE se supera no quesito). Um verde-bordel, lamentável!

Não vou analisar ponto a ponto o que vi, mas, no geral, é aquilo de sempre do pensamento nacional: o cara é um grande empresário e contribui em vários setores, segundo suas concepções (poderia não fazê-lo, tb., porque não tem obrigação). Vai daí, na mente dos jornalistas, já que contribui, é obrigado a contribuir em TUDO que é setor da vida nacional. Quanto mais contribui, mas é cobrado, entende?

Estranhamento geral sobre o fato de ele recorrer a um empréstimo do BNDES pra fazer não sei o quê no Rio: Claro, se ele tem dinheiro, deve gastá-lo. É o velho alheamento brasileiro em relação às lides dinheirísticas. Se lhe é mais conveniente contrair um espréstimo, lícito e tudo, no BNDES, por que faria diferente?

Morri de vergonha com a reação dos entrevistadores quando ele disse o quanto pagou de imposto de renda ano passado (670 milhões, parece). Muitos “ohhh”,  risinhos nervosos. Ora, bolas! Queriam que ele pagasse quanto, sendo quem é? Sua fortuna está na casa dos 27 bilhões de dólares, então é só fazer as contas…). Pobre país de jecas, com aquele discurso do “não me deixo dominar”. Mas põe o cabra diante de um bilionário…

Quanto à análise de Rodrigo Constantino, muito me estranha: Eike Batista atua no Brasil. BRA-SIL! A autocensura, a que RC se refere no último parágrafo, é a mesma a que somos submetidos todos nós. Órgãos de comunicação por acaso  não se rendem às governices pra não perder patrocinador? Por que cobrar atitudes estoicas logo de um empresário?

Se ele agisse como um desmiolado, sem compromissos ou diplomacia empresarial e política, seu nome seria Levy Fidelix, e não Eike Batista. Simples assim.

Por que Batista, que venceu nesse ambiente provinciano, deveria inaugurar outro paradigma de comportamento? Por que seus negócios deveriam ser menos importantes do que preferir A ou B na presidência? Por que deveria se empenhar para se enquadrar nos nossos questionamentos? Não era ele o entrevistado? Pois é.

Augusto Nunes, da Veja, perguntou a Batista como se sentia com suas atividades epifânico-minerais no Maranhão, que teriam ajudado a família Sarney na perpetuação no poder. A pergunta é (e a resposta também foi): o que tem uma coisa que ver com a outra?

Outro trecho, que perdi mas andei lendo por aí, foi dedicado às licenças ambientais. Eu fico imaginando a preocupação dos entrevistadores com o meio ambiente, enquanto se dirigiam à emissora sozinhos, em seus carros…

Parece implicância minha, mas não é. Vivemos em um filme 3D, mas sem óculos. Parece que nos dividimos em quem tem de fazer e quem tem de esperar. Ativos e passivos. Não seria esse módipensar um mecanismo relacional meio gay? (aliás, injustiça com os gays. Nem eles agem assim, com papéis tão definidos…).

Portanto, senti vergonha. Isso vai além do nervosismo de uma mulherada que deveria ser tarimbada em comportamentos sociais diante de quem quer que seja. Até porque alguns jornalistas homens também estavam visivelmente excitados, no sentido geral do termo.

O que me constrangeu foi isso: o claro estremecimento diante do dinheiro e do poder. Natural? Pode ser. Mas não da parte de jornalistas que acham dinheiro e poder coisa do demo. Diariamente…

Os vídeos já estão disponíveis no Youtube (a sequência inicial deu chabu, mas da terceira parte em diante, está belê! 

 

 

 

 

 

 

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2 Responses to Eike Batista

  1. Ricardo says:

    É bem típico essa falta de brio, esse “sou-simpático-com-o-gente-importante-pra-que-ele-não-fique-por-cima” e que dá resultado totalmente inverso. Patético.

    Pior que isso, é que nesse momento “veja-com-quem-me-relaciono”, esquecem de fazer o que deviam, ou seja, entrevistar, e não fazer perguntas bobas ou abrir a boca diante de um resultado matemático como o do imposto.

    Aqui em casa temos a história de um casal conhecido que se auto-intitulou “classe média”, isso lá nos anos 70, e desde então sempre vinham com o bordão:
    - Ah, nós que somos classe média…

    Lembra o que falei de Dona Dorina?

  2. Leticia says:

    Ai, Ricardo, dá até vergonha alheia. Tenho HORRÔ! quando as pessoas não conseguem se conter diante de qualquer tipo de celebrity…

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