Dorina Nowill

A pedagoga Dorina de Gouvêa Nowill morreu ontem, aos 91 anos, vítima de uma parada cardíaca.  Ela estava internada havia 15 dias devido a uma infecção. Casada havia 60 anos com o advogado Edward Hubert Alexander Nowill, ela deixa cinco filhos, 12 netos e três bisnetos.

O velório acontecerá das 8h às 16h na sede da Fundação Dorina Nowill (rua Doutor Diogo de Faria, 558, Vila Clementino). O enterro será ainda hoje no Cemitério da Consolação.

Nascida em São Paulo em 1919, e cega desde os 17 anos em decorrência de uma infecção ocular, Dorina foi a primeira aluna aluna cega a matricular-se em uma escola comum em São Paulo – a Caetano de Campos, e lá lutou para a implantação, em 1945, do primeiro curso de especialização de professores para o ensino de cegos.

Dorina criou em 1946 a Fundação para o Livro do Cego no Brasil, para produzir e distribuir livros em braille para que deficientes visuais pudessem estudar. Em 1991, merecidamente, a Fundação passou a carregar seu nome.

Sempre admirei a Fundação Dorina Nowill pelo trabalho alentadíssimo de auxílio educacional a pessoas com deficiência visuais. Certa ocasião me ofereci no voluntariado, já que tenho alguma experiência em locução. Até passei no teste para gravação das revistas semanais, mas os horários, infelizmente, mostraram-se incompatíveis. Naquela ocasião, tive a oportunidade de visitar as dependências da Fundação e me encantei especialmente com a gráfica em braille, que imprimia  então o mais recente volume de Harry Potter.

Um dia, quem sabe um dia. Esse tipo de voluntariado ainda está nos meus planos. 

 

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4 Responses to Dorina Nowill

  1. Ricardo says:

    Sabe que pessoas como dona Dorina me irritam profundamente? É que seu exemplo me faz acreditar que essa coisa torpe chamada humanidade tem jeito.

    Lembra aquele poema do Bandeira:

    Se fosse dor tudo na vida,
    Seria a morte o sumo bem.
    Libertadora apetecida,
    A alma dir-lhe-ia, ansiosa: – Vem!

    E a vida vai tecendo laços,
    Quase impossíveis de romper:
    Tudo que amamos são pedaços
    vivos de nosso próprio ser

    A vida assim nos afeiçoa,
    Prende. Antes fosse toda fel!
    Que ao mostrar às vezes boa,
    Ela requinta em ser cruel…

  2. Leticia says:

    Ah, que bonito, Ricardo!…

  3. Ricardo says:

    Ah, como vc sabe descobri só ontem na hora do almoço sobre a morte dela. Nos principais portais não vi, ou estou cego ou só deram pequeno destaque.

    Agora, cá entre nós: se fosse uma mulher-fruta que tivesse morrido? Ou a Bruna Surfistinha?

    Por essas e outras que D. Dorina me irrita.

  4. Leticia says:

    Fosse uma mulher fruta, não hesitariam em imitar o desejo de Rita Cadillac: a enterrariam de bruços.

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