Em defesa do tradutor simultâneo

Uma vergonha o comportamento da candidata do governo com a tradutora simultânea que, dentro da colaboratividade humana, remunerada ou não, lhe fez um favor na coletiva de imprensa em um hotel em Nova York.

Sim, porque se a candidata à Presidência tivesse fluência no inglês não precisava de TS. Pelos atuais parâmetros brasileiros, você só precisa aprender de inglês fluente de certo escalão pra baixo.

Os detalhes estão na hilária narrativa de Augusto Nunes, aqui.

A candidata, está claro, parece pertencer à legião de novos-qualquer-coisa, daqueles caras que comeram muita farinha, arrumaram algo bom na vida e passam os dias descontando seus complexos nos subalternos.

Seu chefão, por exemplo – me contaram – não sabe a diferença entre um porteiro e o cara que serve café. Esbraveja com quem estiver na frente, exigindo qualquer coisa de qualquer um. Não respeita profissão, função, hierarquia, porra nenhuma.  Volta e meia a gente fica sabendo de uma dessas, sabe como é… O cara vive passando pela cidade, utilizando serviços em lugares onde trabalham pessoas. E pessoas não deixam de comentar. Quando o cara é um jumento, elas passam a coisa adiante com fé e coragem.

Como também falam quando o cara é um gentleman, tem boas maneiras e profundo senso de justiça com os trabalhadores. Não digo quem é, mas posso assegurar que ele não sai da cabeça do chefão. Se dirige ao segurança para assuntos de segurança, ao garçom para assuntos do serviço à mesa, à senhora do café para assunto de café, à faxineira para assuntos de faxina. Agradece a todos. Não grita nem dá bronca em ninguém. Um cara educado e consciente de como o mundo funciona.

Ora, o tradutor simultâneo tem um trabalho complexo. Você imagina o perrengue que é traduzir um texto escrito, com todo o tempo do mundo pra corrigir algo que passou. Com o tradutor simultâneo, não. Além de ele ter de traduzir na hora,  correndo atrás de um emissor nem sempre compreensivo, tem de acertar tudo, “copidescar” a fala de língua pra língua, no ato. Isso quando o emissor é alfabetizado. Imagina falando como a candidata fala?

Portanto, não se pode exigir desse tipo de trabalho que saia fiel ao original. A tradução simultânea mais à nossa mão é a da cerimônia do Oscar. Quantas vezes a tradutora não deixa passar palavras, piadinhas, trechos inteiros? Ninguém vai reclamar por isso. Se achar muito ruim, é melhor mexer a buzanfa e procurar fazer um curso de línguas.

Portanto, meu apoio à tradutora simultânea que pegou esse frila malévolo.  Tomara que seja seu último serviço  à dita-cuja.

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4 Responses to Em defesa do tradutor simultâneo

  1. Raquel says:

    pois é, li lá no Augusto e comentei. Não sei se aprovarão (e se você achar por bem, apagar aqui também, fique a vonté)

    “Augusto,
    me parece que dada a vulgaridade da atitude, com “minha santa” ela quis dizer “you bitch”… “

  2. Leticia says:

    Quem tem vida de bastidores diferente de sua “nova vida social” volta e meia deixa escapar essas coisas… E pior, não percebe que todo mundo percebe.

  3. Fábio Mayer says:

    E nem precisa dizer o nome da candidata…ahahahahahahahahah!

  4. Leticia says:

    Claaaaaaro, Fábio! Tem dias em que estou muito discreta!

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