Já que não cola com os vivos…

Tudo vale pra atestar que o comando do DEM-PSDB sobre a cidade é péssimo.

Agora o MP paulista resolveu ficar indignado com os mortos.  Morto pobre, é claro. A promotoria do meio ambiente está batendo pezinho por causa da “demora” da Cetesb/ Secretaria do Meio Ambiente/ Serviço Funerário na contratação de empresa para elaborar laudo sobre as condições ambientais de cemitérios. O processo de contratação iniciou-se em 2007. A Prefeitura explica a demora: “O Serviço Funerário chegou a fazer investigação do solo em 2008, mas, durante os trabalhos, normas técnicas foram alteradas, o que criou a necessidade de novas investigações”.

Segundo o Estadão, são dois cemitérios: o de Vila Formosa e o de Nova Cachoeirinha. Ambos, supõe-se, estão emporcalhando seus respectivos lençóis freáticos com necrochorume, líquido eliminado na decomposição dos cadáveres após um ano da morte e pode transmitir doenças com sua carga de vírus e bactérias.

Tá bom. Aí um dia sai o laudo, detecta-se que realmente os cadáveres estão contaminando o lençol freático e a Prefeitura tem de tomar providências. Quais, eu não faço ideia.

Aí entra a promotoria dos direitos humanos e barra qualquer ação da Prefeitura em nome da dignidade dos cadáveres. Quer apostar?

Sou a primeira a ter nojo de cemitério. Fora um eventual valor artístico e histórico, depósito de mortos é coisa atrasada e insalubre. Sou pela cremação irrestrita de quem bate as botas. Mas há muitos que, por razões religiosas, querem manter seu corpitcho lá, apodrecendo, para estarem nos trinques no dia da ressurreição. Fazer o quê? Acabar com um ritual que existe desde que o mundo é mundo? Sem contar, como bem lembrou o leitor Paulo Adriano, que comenta a matéria do Estadão: a cremação libera NOx, CO, COV’s, dioxinas e furanos. Então, não tem saída. Contente-se com sua vidinha, porque nem morrer a gente pode mais.

Ah, vai ver querem que se coloque uma manta de impermeabilização debaixo das sepultura, para aquilo não entrar em contato com a água e um dia aflorar na terra, não é mesmo? E os outros cemitérios da cidade? E os outros cemitérios do país? E os outros cemitérios do mundo? E o Ganges?

É São Paulo na pole-position do ambientalismo partidário.

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4 Responses to Já que não cola com os vivos…

  1. akira says:

    Ouvi a notícia e não entendi o porquê desse auê todo. Isso vai se arrastar até.
    E são só os 2?
    Cadê o Greenpeace? Eles não deixarão em paz os crematórios por conta do “aquecimento global”.

    Só falta alguém falar que o povo dos arredores, em contato com águas próximas, poderá virar um monte de zumbi pra ser contratado pra próxima reedição de “Thriller”…

  2. Leticia says:

    Você imagina, Akira. Se a raça humana não sobrevivesse a essas insalubridades estaríamos todos mortos, inclusive os digníssimos promotores.

  3. akira says:

    Quero só ver o dia em que descobrirem que os arredores dos rios (Tietê, Pinheiros, Tamanduateí e afluentes) estão tão poluídos e sujos quanto … os rios.

    Aqui no prédio temos uma mina d’água. Por sugestão de um morador, que pensava em usar a água para algumas atividades do condomínio (limpeza, rega…), enviamos uma amostra para avaliação ao Adolfo Lutz. Adivinha?

  4. Leticia says:

    Não sei o que eles (os promotores) esperam de grandes aglomerados…

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