
Ando atulhada de serviço: não terei hoje nem amanhã nem domingo nem segunda nem terla nem nada. Por isso outro dia falei dos royalties aqui tão, mas tão rapidinho que talvez não me tenha feito entender. O que quis dizer é que, na minha humirrrde opiniã, não interessa pra onde vão os royalties ou grana do que quer que seja: dinheiro que cai no colo de administração corrupta (com honrosas exceções) e retrógrada é tungado e nunca chega no “desenvolvimento” de coisa alguma. Citei Macaé, um fiofó-de-mundo, mas poderia citar qualquer outra cidade beneficiária dos tais dos royalties: uma casquinha de orla cheia de coqueiros, um centrinho marromenos, um hotel bacana aqui e ali, e pronto.
Pois não é que a Folha me põe o resultado de uma pesquisa about? Um trecho:
Os royalties do petróleo não têm sido suficientes para melhorar a qualidade de vida da população nos principais municípios produtores, mostra um levantamento que vem sendo coordenado pelo professor Cláudio Paiva, do Departamento de Economia da Unesp (Universidade Estadual Paulista).
Segundo ele, os royalties “trouxeram a corrupção”, diante da falta de um marco regulatório sobre a aplicação dos recursos.
“Isso não quer dizer que tenhamos de tirar os recursos desses municípios. Temos é que ter um controle forte sobre esses recursos”, diz o pesquisador.
Com foco nas principais cidades produtoras de petróleo, entre elas Campos e Macaé, no litoral norte do Rio de Janeiro, o Departamento vem analisando como os recursos do petróleo estão sendo aplicados nessas cidades — e seus efeitos na qualidade de vida.
Um dos estudos mostra que, desde 2004, o município de Campos gastou R$ 18 milhões em convênios com quatro hospitais da cidade, mas que o número de internações manteve-se o mesmo no período.
Um outro levantamento indica um crescimento elevado nos gastos com Cultura 0- uma rubrica difícil de ser auditada, segundo Dantas.
Em Quissamã, por exemplo, o gasto chega a R$ 618 per capita, enquanto em São Paulo esse valor é de R$ 19.
Na avaliação do professor da Unesp, a redistrubição dos royalties para todo o país como aprovado na Câmara “não é solução para o problema”.
“Não existe uma política deliberada de aplicação dos royalties. Como os municípios não têm qualquer forma de planejamento, esse dinheiro vai para o ralo”, diz o pesquisador (a entrevista inteira está aqui).
- Foto (site da Prefeitura): Macaé não pode parar.


