Protocolo que mamãe ensinou

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Se Jane Austen fosse paulistana, diria, no primeiro parágrafo de seu Orgulho e preconceito:

É verdade universalmente reconhecida

que um mendigo em posse de uma boa marquise

não deseja ir para um albergue.

Hoje no Estadão, com aquele tom de tragédia: “Kassab fecha albergues e lota ruas”. A “denúncia” foi feita pela Associação Viva o Centro, diante da ação da paulatina (há pelo menos dois anos) da Prefeitura de fechar albergues no centro, onde se concentra a população de rua, para que o movimento neomendicalista migre para a periferia.

Associações voltadas para o tema informam que a população de rua vem crescendo,  e o quadro se agrava ainda mais com o fechamento desses albergues.

Já dá pra mandar fazer um carimbo de tanto que digo aqui que o mercado de mendigos não têm entressafra. Quanto maior a possibilidade de ganhos, seja em esmolas, infraestrutura e sobras da cidade, mais eles vêm, inclusive de cidades paupérrimas do entorno. Tem pesquisa da Fipe atestando isso.

Se a Prefeitura não se mobilizar, como vem fazendo, com medidas espanta -mendigo, a migração só vai aumentar.  Tem de colocar impedimento nos bancos de praça, sim, tem de reprimir, sim, tem de desestimular, sim! Por quê? Porque a Prefeitura é má? Claro que não. É que há uma movimentação de estímulo à mendicância.

Isso é fascismo? Óbvio que não. Até onde sei, democracias que se prezam têm mecanismos para tolher certas liberdades para que a própria democracia seja protegida. Então, não dá pra vir com aquele papinho Julio Lancelotti, de que a única coisa que mendigo merece é um viaduto pra chamar de seu.

Nenhum ser humano merece viver na rua, mesmo que ele próprio ache isso uma boa pedida. O que tem de fazer é cobrar das cidades de onde eles vêm (inclusive de São Paulo mesma) mecanismos de educação e trabalho, para que o cara que hoje cata lixo possa prover algo melhor pros filhos, e assim por diante, como acontece no planeta desde o começo dos tempos.

O que não pode acontecer é uma indústria da mendicância, com apoio e incentivo de entidades que só se mexem no ponto final da cadeia: reclamando politicamente contra a Prefeitura, fornecendo drogas pra criatura não passar fissura, organizando protestos, enfim, fazendo de tudo  para que a miséria só cresça na cidade.

Me chamaram a atenção os termos dessa reportagem do R7, de 30 de janeiro (grifo meu):

Os moradores de rua reclamam da atuação da GCM (Guarda Civil Municipal) na região. William contou que, na tarde de terça-feira passada (26), teve o colchão tomado pelos guardas.
- O que acontece, pelo menos duas vezes ao dia, é um “rapa” por aqui. Eles [GCM] aparecem para levar as nossas coisas e tirar a gente da calçada. Nunca ninguém veio falar de albergue.

Agora tem de avisar ao mendigo que existem albergues. Vai ficar muito fino: você  faz o convite em papel vergê e ele te manda um lindo buquê (fornecido pela Prefeitura) com um cartão: “Infelizmente, compromissos imperiosos me impedem de comparecer…”.

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8 Responses to Protocolo que mamãe ensinou

  1. Moema says:

    Engracado que todo mundo defende mendigo, MAS, desde que a figura resida ou faca ponto em outro lugar que nao a sua porta. Nao da’ para ser paternalista. Para livrarmos desse flagelo so’ tendo uma politica social decente. E isso se resolve com MUITO planejamento. Certamente nao e’ so’ tirar o colchao do fulano, mas e’ preciso ter alguma forma de impedir que eles voltem para a rua. Em NYC o Giulliane fichou todos eles. E foi aos poucos buscando recoloca-los. Resolveu totalmente? Claro que nao, mas melhorou muito. Claro que essa e’ a versao resumida, mas e’ preciso fazer alguma coisa.

  2. Refer says:

    Os morros cariocas estão ocupados por favelas causa dos políticos demagogos que ao invés de enfrentarem os problemas foram agravando-o, fornecendo infraestrutura para a ocupação.

    O centro de São Paulo não será recuperado se não tirarem os ‘sem-teto’ (e os camelôs) das ruas. Claro que tem de haver políticas sociais voltadas para atender essa gente, mas não podem ser feitas ao gosto das ONGs que não têm interesse algum em resolver a questão, pois assim elas perdem a razão de existir.

    Uma coisa que notei há muitos anos é que os pedintes da região da Paulista desaparecem quando há feriadões e voltam quando o movimento retorna. Para onde eles vão?

  3. Ricardo says:

    O problema é que nunca ninguém quer mexer com questoes que ameacem votos (mendigos, ocupação desordenada, etc, etc).

    Fecham os albergues, mas se nao tomarem outras decisões no sentido de reabilitar ou despachar o camarada, nao adianta nada.

    Tiram o colchao de manha, de noite tem outro. É uma questão velha como a humanidade, mas que aqui vai continuar secula seculorum.

  4. Leticia says:

    Pois é, Moema. Parece que com o Bloomberg a coisa recrudesceu (é o tal negócio: ninguém vai mendigar em Jandira…). Creio que a questão precisa de princípios estabelecidos. Ou todo mundo concorda que mendigar é ruim para os outros e principalmente para si, ou então a questão não se resolve nunca.

    Refer, eles pegam o trem e vão pra casa. Muitos deles tem casa, e passam a semana aqui.

    Ricardo, eu despachava, tipo: de onde você veio? Não é possível que meio milhão de ptrefeitos joguem seus problemas pras grandes cidades. Isso é uma distorção cruel.

  5. Maria Edi says:

    Acontece coisa semelhante com uma senhorinha que vem pedir esmolas na feira de terça, aqui na PUC. A gente escapa dela como pode e já ouviu histórias de como ela chega aqui no bairro, pelo menos uns tr~es quarteirões da feira, DE TAXI … Caramba, pouco tomo taxi, eu!
    Acho que a coisa tem de ser feita assim, mesmo! Giulianni e Bloomberg, MEUS HERÓIS! Mendicância Zero!

  6. Leticia says:

    E a velhinha que fica em frente ao cartório onde bato ponto na Lapa? Sai reconhecimento de firma, entra assinatura, isso e aquilo ao longo de décadas e a véia está lá, pedindo dinheiro pra VOLTAR pra casa.

  7. O says:

    kkkkkkkkk mendigar da uns três salários por mês, ´facil, fácil… vaitrabalhar pra q?

  8. Leticia says:

    O, dá uma grana, sim! Às vezes bem melhor que bater ponto, aguentar o bafo do chefe, essas coisas.

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