
Ontem eu literalmente larguei o que estava fazendo e fui renovar minha carteira de motorista. É como fazer exame de sangue: é um saco, mas uma hora tem de ir. Então fui.
Aqui do lado, um despachante que pega os documentos, faz exame de vista e tira pressão. Belê! Até fotinho eu já tinha (da carteira passada). Mas tinha me esquecido de que agora tem uma provinha. E a provinha acontecia num centro de treinamento particulê, terceirizado, na Lapa. Lá fui eu direto, largando pro alto minha agenda. Se não fosse direto não iria nunca mais.
Lá, uma espera imensa que me comeu a manhã inteira. Filas e filas de merdileines e alecxanders fazendo currrrso, e pensei comigo: ora, Leticia, sua pérfida, deixa os caras! Todo mundo tem direito a entupir as ruas de carros. Você é só mais uma.
Depois de uma hora e meia, subi. Era pra esperar na lanchonete. O cara que estava ao meu lado, com pinta de bad boy, desses carecas, de barbicha e com jóias mudernas no pescoço, fez o comentário classico “o Kassab[!!] tirando dinheiro da gente”. Eu não ia travar embates nem explicar nada pra ele, mas pensei: se pedem prova é porque precisa. Povo porco tem mais é de ser monitorado. Ou tô errada?
Duração máxima quarenta minutos, e mínima de quinze. Respondi às questões em menos tempo, mas não é que eu seja fodona. É que não tenho paciência mesmo. Pra ver se o tempo passava de maneira digna, comecei a revisar as questões, mas logo me entediei e levantei.
De soslaio, vi que o bad boy ainda estava na terceira questão. Fui andando com o papel na mão e a moça me disse: “Não, pode descer, não tem problema!”
E aí aconteceu uma daquelas imagerias que me assaltam de vez em quando. Como quando clonaram meu cartão de banco: podia jurar que o tipo de despesas absurdas que apareceram no meu extrato era coisa da mãe de um famoso jogador-de-futebol-que-não-digo-o-nome. É que a tinha visto na tevê uma vez, comemorando gol do filho, e fazia o tipo perfeito de dona Osm: a versão animada e churrasquenta da mãe da música “Meu guri” do Chico Buarque.
E imaginei o bad boy fazendo conversão proibida na Heitor Penteado, reclamando do pedágio na descida semanal pra Mongaguá e reclamando da “indústria da multa”. Uma vítima.
Como não sou consumidora voraz da indústria da multa, respeito a sinalização, procuro ser urbana no trânsito, gasto um pouco a mais de gasolina pra não fazer barbeiragem – como eles dizem, uma motorista “babaca” – passei no exame, veja você.



Taí uma coisa que nunca consegui fazer: dirigir (tive velocípede de 3 rodas na infância, mas isso não conta).
Tudo isso que vcs motoristas fazem — mexer no câmbio, na direção, pisar na embreagem, no freio, no acelerador, olhar nos espelhos etc etc etc eu também faço…, porém com o carro PARADO.
Quem não dirige passa a conhecer e identificar um monte de gente que também não dirige. Quantas vezes não pensei em fundar uma associação dos que não dirigem — a gente ia poder alugar um ônibus que nos levasse aos lugares e nos entregasse sãos e salvos em casa.
Gente que não dirige não é mais feliz, mas é menos estressada.
Fui fazer a minha renovação esses dias, e tinha um aviso do tamanho de um campo de futebol, antes de tirar a foto, informando que a foto só seria feita com a pessoa sem brincos, sem óculos, sem piercings e/ou qualquer outros acessórios.
Daí, tinha uns vileiros na minha frente, indignados, porque enfiaram no rosto aqueles piercings que só dá para tirar no estúdio, reclamando de discriminação e, claro, atrasando a vida de quem estava atrás na fila.
Imagino essa fauna dirigindo… imagino os carros velhos, sem farois e sem freios, mas com som de ultima geração, para atormentar as pessoas.
Concordo, Refer. Eu só me impus fazer massagem cardíaca na minha CNH quando meus pais voltaram pra SP. E, também, vá lá, pra provar pra mim mesma que, se o Belo pagodeiro pode, eu também posso (meu mote na época). Mas tenho mentalidade de pedestre, acho mais saudável.
Fábio, o que é “vileiro”?
Vileiros são aqueles caras que se vestem como esquimos num calor de 35 graus… são o que vocês aí chamam de “manos”…
Eu não dirijo … Desde pequena (faz muito tempo), eu achava que a primeira vez que eu pegasse o volante, me acabaria num poste.
Depois, veio o trágico acidente do atropelamento de um pé de maracujá, numa Suzano que não existe mais. Desisti. Quando eu tinha dinheiro, preferia ir viajar a comprar um carro. Acho legal essa idéia de uma van ou de um micro-ônibus. Desde que não tenha banco virado contra o movimento – me dá tontura …
Aqui renovacao tem que ser marcada pela Internet, voce vai apresenta os documentos e tira a foto digital, assina naquela maquina maldita que nao cabe minha assinatura e captura sua digital. Depois dai vc faz um exame de saude bizonho e uma prova tambem marcada. E uma semana depois entrega a carteira antiga e pega a nova. Acho o processo necessario num mundo de mautoristas que vivemos. Mas perdi o maior tampao da minha vida. E tempo e’ um bem escasso.
Ah! Semana passada por pura distracao provavelmente fui multada =p Agora e’ esperar e pagar.
Ah, tindi o tipo, Fábio.
Maria Edi, eu me impus a tarefa pelos motivos já expostos, e peitei tanto que ultrapassei muitas de minhas amigas que dirigem há décadas. Pegar a marginal, por exemplo. Paguei mico, levei buzinada, tudo o que você imaginar. Mas engrenei. Não é a coisa mais importante da minha vida, mas…
Moema, eu só fui no despachante, não fiz direto, não. E tem esse sensorzinho de digital em tudo o que é etapa. A prova fiz “na hora” (esperei um pouco). Em uma semanica, tá lá a carteira nova. É rápido também, mas a gente perde “o nosso” tempo.
Levei umas três multas esse tempo todo, mas foi por pura ingenuidade, distração também.