Editora Sambarilove & Cia.

Denise (não gosto de plágio) e Raquel (Jane Austen em Português), ora veja!, estão sendo processadas pela Editora Landmark por conta do plágio de tradução, fartamente documentado pela primeira e reverberado na ocasião pela segunda, do livro Persuasão, de Jane Austen. A indignação está se espalhando por blogs e twitter. Do blog  Todoprosa, do Sergio Rodrigues:

A tradutora e blogueira Denise Bottmann, do site Não Gosto de Plágio, precisa de ajuda. Caçadora mais ou menos solitária de picaretas editoriais, está sendo processada pela editora Landmark, que pede ao juiz indenização mais a retirada de seu blog do ar – informa Alessandro Martins, do blog Livros e Afins. Tudo por ter denunciado que a tradução de “Persuasão”, de Jane Austen, lançada pela Landmark com a assinatura de um de seus proprietários, Fábio Cyrino, seria praticamente um xerox de uma antiga – e fraca – tradução portuguesa da lavra de Isabel Sequeira, até em seus numerosos erros. A blogueira Raquel Sallaberry, do Jane Austen em Português, também está sendo processada pela editora.

Caso a denúncia seja mesmo na mosca, como os exemplos citados em seu blog indicam (tem até uma mesma gralha cômica, “átrio” virando “trio” em ambos os textos), Denise terá exposto mais uma vez o golpe de requentar traduções sem pagamento de direitos, bandeira de subdesenvolvimento cultural que infelizmente está longe de ser novidade no Brasil. Se você também não gosta de plágio, ajude a espalhar a notícia.

Veja também o post da Denise, aqui.

Que boa, não? Um blogueiro é processado porque não achou bom o docinho não sei de onde. Outro é processado porque não gostou do atendimento do bar tal. Outro ainda, porque falou mal não sei de quê. Tá boa, nêga?

A Nação espera que cada um cumpra o seu dever. Só não estava sabendo que, entre nossas obrigações, estava a de ficar alisando empresas que notoriamente realizam saltos olímpicos pelos mais comezinhos processos de produção.

Brigadeirão de farinha qualquer um acha ruim.

Com livro a coisa é mais complexa. Textos ruins podem escapar a um leitor comum, sem intimidade com a coisa e sem malícia. Mas qualquer um que tenha séculos de trabalho editorial nas costas sabe perceber como a linguiça foi feita.

E seria o fim dos tempos (ainda mais dos tempos de internet) se a gente não pudesse falar livremente de produtos ruins ou bons.

Empresa que se preze trabalha duro e honestamente para ter uma boa imagem no mercado. O resto ocupa seu tempo com processos.

  • Título inspirado na terminologia que o povo do Twitter adotou para o caso.
  • PS.: Matéria de Guilherme Freitas postada no blog Prosa On-Line (portal O Globo), aqui.
  • Denise tem atualizado a (ampla) reverberação do caso, e Raquel, como ainda não foi notificada, fez uma nota de esclarecimento.
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16 Responses to Editora Sambarilove & Cia.

  1. Raquel says:

    Leticia,

    agradeço seu post.
    Ainda não recebi a notificação judicial mas publiquei uma nota de esclarecimento.

  2. Leticia says:

    Nada a agradecer. É o fim da picada entrar numa livraria cheia de edições maravilhosas e encontrar uma troça escondidinha, didsfarçadinha, no meio delas.

  3. Moema says:

    Esse é só mais um exemplo de inversão de valores.
    Alias, se isso não é censura, como se chama?

  4. MAUCARATISMO, TALVEZ?

  5. Fábio Mayer says:

    O que a Raquel precisa fazer? Simples: confrontar as duas versões do Jans Austen, a “antiga”, e “nova” de demonstrar tim-tim-por-tim-tim pro juiz.

    E exigir da editora, na contestação, a apresentação dos originais do trabalho da “nova” tradução, chamando, inclusive, o tradutor, se for o caso.

    Fora isso, é um exemplo de como se usa mal o Judiciário no Brasil…

  6. Leticia says:

    Imagina, Moema, agora todo mundo ser impedido de falar mal de um produto notadamente ruim. Era só o que faltava!

    Está no DNA, Roberto Prado.

    Fábio, essa confrontação a Denise já fez, como faz pacientemente com os casos de plágio que lhe chegam às mãos. Taqui o post, bem didático, contando desde o começo e com cotejos que apontam repetições de erros da tradução original (que por si já era bem ruim): http://naogostodeplagio.blogspot.com/2009/01/landmarkismo-estgio-superior-do.html.

    Como se vê, nem precisa de originais da tradução, Fábio.

  7. foralula says:

    vou passar longe de adquirir qualquer coisa dessa editora.

  8. Leticia says:

    É um direito inalienável seu tomar essa decisão e expressá-la.

  9. denise bottmann says:

    “É um direito inalienável seu tomar essa decisão e expressá-la.” quaquá, gostchê.

  10. Leticia says:

    Sabe que eu também não compro livros da Landmark Não fosse pelo que sei do miolo, as capas são sempre tão feias…

  11. Ricardo says:

    Bem, o que mais poderíamos esperar de canalhas? Que fossem até o fim na “ixperrteza” e ainda quisessem levar uns caraminguás de quem os denunciou.

    Denise e Raquel, estamos com vcs.

  12. Leticia says:

    Estratégia pra lá de burra. Só um asno acharia que o juiz daria sigilo a isso. O efeito foi contrário.

  13. Ricardo says:

    Tunguei seu texto.

  14. Leticia says:

    Sim, senhor!

    Quanto mais se divulgar e as pessoas se manifestarem, melhor será para o livro brasileiro.

  15. Raquel says:

    Leticia,

    peço por favor corrigir, pois foi fartamente documentado por Denise

    onde lê-se
    “fartamente documentado pela primeira e reverberado na ocasião pela segunda,”

    leia-se “fartamente documentado pela segunda e reverberado na ocasião pela primeira,”

  16. Leticia says:

    Resolvidinho. Thanks!

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