
Não, sei, mas dando um chutão, assim, por alto, acho que 90% da população voltou a trabalhar esta semana.
Os outros 10% – o povo que não tem filhos, tem mais de 35 aninhos, não gosta de calor nem de “agito”, nunca chamou nenhum agrupamento de galera e que são “relegados” pela firrrrma a outros períodos de férias – estão começando a pensar no que fazer em seu período de descanso.
Março, abril, junho? Uma delícia. Primeiro porque o sistema de transportes estará em sua normalidade, sem aeroportos ou rodoviárias atulhados de gente animada. Segundo que…, você já pegou uma praia temperadinha? É a melhor coisa que há: ela está deserta, você não fica tão melecado, não toma sol de avermelhar e, depois, dorme uma noite fresquinha, com um edredom até.
Mesmo que o ente passe incólume pela febre feriada, quando pode curtir melhor a cidade vazia, é inevitável cruzar com turistas, de uma maneira ou de outra. Levando em consideração essa forte possibilidade, é imperioso que um ser não chegado a esse fuzuê evite, a todo custo, a praia.
Turista de praia é, numa definição geral, uma doença. Ele sai em bandos para fugir de um dia a dia que se convencionou estafante. Mas na gorda maioria dos casos a estafa é ele mesmo. O turista tem a triste sina de ter de carregar a si mesmo na bagagem. Viaja consigo, dá entrada na pousadinha consigo, vai à praia consigo, se diverte consigo, come consigo mesmo e, pior, volta consigo. Todo um estilo de vida, um jeito de pensar, do qual se quer fugir, vai junto com o estafermo.
Os grandes balneários são a prova viva de que um pedaço bem grande da pior urbanidade se instala onde quiser: uma melequeira geral, calor que nem a brisa do mar alivia, barrrrzinhos atulhados de gente e cheirando a peixe, uma densidade demográfica cheirando a protetor solar e a repelente, e artesanias locais (by 25 de Março; você está cansada de ver aquilo mas compra pelo triplo do preço, porque estamparam lá “Lembrança não sei de onde”) .
Aliás, “artesanato local” uma piada interessante. A exemplo das semaninhas de Ibitinga, fabricadas em massa e exibidas como nativas em qualquer cidade paulista, artesanatos “da terra” se repetem de cidade em cidade, de bairro em bairro, desde Vila Madalena até Boissucanga.
A praguinha agora são móveis em material de (pseudo)demolição, com aqueles laivos de tinta (sempre coloridas, veja você!) e os famosos enfeites de parede com flores de metal.
São bonitinhos? Sim, em si são. Mas viraram arroz de festa. Tanto, tanto que enjoam.
Eu queria saber onde é o bunker, o quartel-general de fabricação desses móveis, sabe? Deve ser num galpãozão em Guarulhos.
- Foto: Centro da cidade (de São Paulo), anteontem, final de tarde. Ganhei a foto de uma pessoa que sabe direitinho qual é minha zona de conforto.




“Estive em Piraquaratiba Mirim e lembrei-me de ti”, né?
Estou nos 10%: praia fora de temporada é o que há, sem as centúrias de farofeiros.
É, escrito no pirógrafo em cima de cachaçômetros, relógios talhados à mão, canecas com peitos e imagens de Nossa Senhora Aparecida. Mas, vendo o “mobiliário de demolição” e as rosas de metal, jamais pensei que sentiria saudades dos gadgets tradicionais, ai, ai…
Infelizmetne quem tem filho em idade escolar TEM que virar farofeiro. Mas, como disse ao meu dignissimo, estou em contagem regressiva – faltam so’ 10anos!
Sabe que sempre me perguntei como eles conseguem tanto material de demolicao. As casas que vejo serem demolidas em geral estao tao no bagaco e tao estrupiadas que nao sobra nem a alma.
Moema, nem pensei na criançada e nos adolescentes. Falo de adultos mesmo, chafurdando em sua falta de opção.
Cê repara que os efeitos de tinta raspada desses móveis é sempre em tintas coloridérridas. Nunca num cinza, num marrom, tintas de antigamente.