Parque Mario Covas, anfân!

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O aniversário da cidade está sendo comme il faut: um sol maravilhoso de manhã e chuva à tarde.

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Mas de manhã, enquanto tudo estava fresquinho, o orvalho ainda não  tinha evaporado e as cores estavam ainda mais vivas, fui conhecer o Parque Mario Covas, na esquina da Paulista com a Ministro Rocha Azevedo.

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Faz tempo que falei, aqui e aqui,  do parque, e só agora o espaço desencantou (foi inaugurado ontem por Gilberto Kassab com a presença de várias autoridades e de dona Lila Covas).

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O parque é pequenininho, e isso é muito bom. Coisas como “o maior não sei o que da América latina” costuma atrair gente em penca, e agora pela manhã aquele pedacinho de floresta estava absolutamente vazio. O bom dele é que tem uma pérgula enorme, muito bonita, que espero logo logo esteja coalhada de flores de primavera. E os bicicletários, a segurança, banheiros novinhos em folha e coisa e tal.

Trocando em miúdos, a área do parque equivale ao lote de uma antiga mansão, que havia pertencido a René Thiollier. Quando ele morreu, a família vendeu o imóvel, aquilo pertenceu ao Banerj, a mansão foi derrubada, virou estacionamento e estava parado há um tempão.

Quando apareceu essa novidade de “Parque Mario Covas,” deu-lhe na família Thiollier um súbito ataque de memória, cuja atitude critiquei em um dos posts linkados. Formou-se um “movimento”, que protestou e ameaçou esculhambar a inuguração de ontem (mas não achei absolutamente nada about na imprensa hoje).

Então, o nome definitivo é Parque Mário Covas, um de nossos maiores, senão o maior governante, que só batizou até hoje rodovia e coisas mais periféricas. Merecia seu nome no coração da cidade.

Quanto a René Thiollier, também é digno das melhores memórias. Mas, como eu disse na época, valorização de patrimônio cultural começa na família. Quando ela, um dia, botou a memória dos antepassados nos cobres, põe-se uma questão ética, e fica dificil impor a outros um dever que deveria ser seu.

  • Fotos (minhas): Jeitão do Parque Mario Covas. Quero chamar atenção para as gotículas de chuva, penduradinhas das vigas de madeira, na primeira foto. Fizeram um efeito bárbaro!
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13 Responses to Parque Mario Covas, anfân!

  1. Maria Edi says:

    Ahn, intindji … “do nada” o carinha resolveu se “arrecordar” daquele pedaço de terreno que deve valer uma fortuna … Sei, sei. Cara de pau …!
    Eque bom que teve o nome do Mário Covas, um dos melhores governadores que a gente já teve. A cidade merece, os cidadãos conscientes merecem. Só espero que seja fechada quando tiver a tal da “Gay Parade” (nada a ver com a Cow Parade, tá?), para que não seja utilizada cmo banheiro pelas bibas, monas e bees. BOLAS!
    Feliz aniversário da cidade!

  2. Leticia says:

    Acho feia a atitude. Como tinha dito no post linkado, a gente tem de assumir as cagadas dos antepassados. Não dá pra cobrar dos outros agora.

    Ah, Maria Edi! Apesar de aquilo ser muito bem guardado, espero que eles tenham um esquema para triar as xixadas dos bilaus errantes e pererecas vadias, porque senão, já viu!

  3. Ricardo says:

    Sabe,Lets, até acho que poderia ser “sugerido” o nome do René para o parque, mas não dessa forma, com demonização que fizeram em cima da prefeitura, que “não respeita nossa história”. Fica o Covas mesmo, merecido.

    Perguntinha:

    Pq a família não usa o dinheiro da venda da casa e faz um centro cultural em memória do Thiollier?

    Ah, acabou a bufunfa?

    PS: aquele casalzinho na segunda foto é quem penso?

    Que pena…

  4. Ricardo says:

    Errata: o “PS” era depois do “Que pena…”.

  5. Leticia says:

    Eu entendi, Ricardo! (risos)

    É, sim, senhor!

    Quanto à família Thiollier, casa um sabe dos seus badulaques, não? Não dá é pra jogar obrigações pro poder público, ah, não!!!

  6. Jose Roberto says:

    Papelão da família Thiollier, sem dúvida, embora René Thiollier mereça nosso respeito como um mecenas do Modernismo.
    Agora, o nosso querido Mario Covas já não foi devidamente homenageado com uma obra do porte do Rodo-anel?
    Não poderia deixar esse parquinho da Paulista na lembrança de, por exemplo, Lina Bo Bardi?

  7. Jose Roberto says:

    A região da Paulista é pródiga em homenagear quem pouco tem a ver com sua história. Todo meu respeito pelo Médico Haddock Lobo, mas alguma vez ele deixou o Rio e pisou em São Paulo?

  8. Jose Roberto says:

    Eu colocaria o nome do parque Rino Levi.

  9. Jose Roberto says:

    Se for para ficar amigo de todos (ou seja, de ninguém), poderia ser Parque Real Grandeza, nome original da Avenida Paulista. Preservaria a memória histórica.

  10. Fabio says:

    não gostei do “parque”, que é mais uma praça, ali tinha apenas uma pequena área impermeabilizada, com a construção, a área ficou maior.
    o prefeito e o secretário querem fazer bonito com números (100 parques até 2012) e estão deixando de lado a qualidade dos locais. No site da SVMA (http://www9.prefeitura.sp.gov.br/sitesvma/100_parques/parques_sp/index.php?p=171) o parque ainda consta como “Parques em Implantação”. Com o tempo esses parques cairão no esquecimento.

  11. Leticia says:

    Bem, Fabio, se você assim determinou…

  12. Lindinho. Vou confessar: morro de inveja. minha cidade não tem coisas assim bem cuidadinhas. O Parque mais badalado do Recife é longe, não ajuda na arborização da cidade e não tem predominância de verde.

  13. Leticia says:

    Oi, Regina, seja bem-vinda! Esse parque foi uma solução numa região bem povoada. Ele é pequeno, e curiosamente fica aberto à noite, sem problemas de a gente entrar. O policiamento resolveu muita coisa, não só nele como no Parque Trianon, praticamente ao lado, que há anos foi devolvido a quem de direito: a população.

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