O geógrafo Aziz Nacib Ab’Sáber, assim como Oswaldo Cruz e Elpídio dos Santos, é filho de São Luis do Paraitinga. Como seus conterrâneos, é uma dessas pessoas que você lutar para achar na unha, nesse imenso palheiro de pitaqueiros que é o Brasil.
No suplemento Aliás do Estadão de hoje, ele dá uma entrevista a Mônica Manir sobre as causas da inundação em São Luís do Paraitinga e seus tópicos ampliados. Uns trechinhos:
Hoje, além das pousadas, há os eucaliptais, que são uma presença extremamente perigosa no entorno de São Luiz. Os eucaliptólogos descobriram os morros da cidade, plantaram num nível de até 15, 20 quilômetros de São Luiz para oeste. Isso mudou todo o esquema. [...]
Na época da enchente catarinense, fiz uma listagem da periodicidade climática de exemplos bastante prejudiciais para cidades e campos. Esse trabalho está publicado na revista do Instituto de Estudos Avançados de dezembro e mostra que, de 12 em 12, ou de 13 em 13, ou de 26 em 26 anos, desde 1924 até dezembro de 2008 e dependendo do lugar, houve essa periodicidade. [...]
Em projetos médios e maiores, [o governo federal] continua sem noção. E quem não tem essa noção dirige mal o seu país. No caso do presidente da República, sempre insisti com ele: “Você, que sabe fazer discurso, fale nas suas prédicas que vai pensar no nacional, no regional e no setorial”. [...]
Isso é bobagem [o aquecimento global]. O ciclo deste ano é um ciclo periódico complicado. Essas pessoas que falam em aquecimento global erraram tanto até hoje… [...]
Ela [Marina Silva] não conhece o Brasil. É uma mulher do Acre, uma pessoa que acredita no criacionismo. Ela é ela, e acabou. Tudo o que sabe é que existiram aquelas fantásticas atitudes de Chico Mendes.
Quem entende de meio ambiente no governo, professor?
No governo, apenas os técnicos mais jovens do Ibama, com o auxílio de promotores públicos também jovens, saídos das boas universidades brasileiras. São eles que me dão entusiasmo, são eles que me dão esperança. Mas o Ibama está gradeado pelo governo federal, o que é um absurdo. Isso vai redundar, no futuro, em muita coisa contra a biografia de todos eles, sejam governantes federais, estaduais ou municipais. Digo e repito: nós no Brasil precisamos aprender a contestar os idiotas. (O grifo é meu. Integra aqui)
Foto: Mauro Bellesa, Divulgação.
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Ontem, no Canal Livre, um meteorologista corroborava os argumentos do Aziz.
Ele até citou um exemplo: quando era menino e morador da Lapa, as enchentes do Tietê eram comuns, mas só impediam que eles jogassem bola na várzea.
Hoje, com a destruição das várzeas,a dendrofobia, a impermeabilização e a osmerdização, é o que vemos.
Eu vi, Ricardo! Era o Luiz Carlos Molion. Adorei ouvi-lo! E quando ele disse que o gás carbônico é legal? Metade dos ouvintes deve ter tido uma síncope.
É incrível como certas regiões de SP têm horror a árvores. É claro e cristalino, só ver no Google Earth. Esse mesmo pessoal recrama quando inunda tudo…