Uma muxquinha às segundas

Bem, estamos em férias.

E como – não sei por que preceitos universais – ficou definido que trabalhador deve se comportar como gado desde a hora do almoço até a confraternização da firrrma, agora é hora de meio mundo descer pra praia.

Populações caiçaras, que a maior parte do ano levam uma vida pacata, agora se veem obrigadas a dividir suas cidades com milhares de invasores.

Supermercados à beira-mar são saqueados, padarias são invadidas, areias limpinhas são emporcalhadas e bares da orla viram uma estação remota das aglomerações pagodísticas.

Se os chegados levassem ao litoral apenas seu modo cosmopolita de ser, vá lá.

Mas tem o espírito de férias, que transforma executivos sisudos em idiotas folgados, carolas em depravadas, crianças criadas a computador em pestinha. Todos sem noção de limite, porque, afinal de contas, estão lá pra se divertir.

Todo mundo se enfia num carro num espírito de relax geral, como se a cidade destino fosse mesmo um balneário destinado à avacalhação dos costumes normais.

Morei no Rio, sei como é isso. A ET chega e acha que, só porque faz calor e tem praia, é supernatural que enfie algo – um shortinho, um biquíni – no rabo e vá às compras em dia normal.

Preparem-se, farmácias, butiques, hotéis, pousadas, hospitais e casas lotéricas! Logo logo vocês estarão coalhadas de bundas de fora. Bundas bonitas, bundas horrorosas, bundas em dia, bundas caídas. Mas bundas.

Essa gente reprimida e criada na carolice rural não sabe pra que serve uma saidinha de praia, uma canga.

Não distingue A de B.

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11 Responses to Uma muxquinha às segundas

  1. Ricardo says:

    É a tal “obrigação de alegria”, nesse caso com a bunda dando uma mãozinha (?).

    Litoral pra mim só depois do Carnaval, quando a piolhada já voltou ao ramerão habitual.

  2. malu says:

    Tempos bons aqueles que o pessoal invadia os lugares vestidos(?) como você descreveu somente nas férias.
    Por aqui é o ano todo. Tem que mostar o silicone, a lipo, o botox e por ai vai.

  3. Leticia says:

    Pra mim também, Ricardo. Tenho um tempo agora, mas me falta coragem. Ficará adiado pra depois das férias gerais.

    Eu sei, Malu. No meu tempo, o espírito nudista já tinha chegado aos grotões do Méier…

  4. Betinho says:

    Eu adoro quando esse povo todo sai de férias, assim eu posso tirar férias curtindo SP. A cidade fica um sossego só, até ao cinema pude ir neste final de semana.
    Quase nenhuma fila, pude almoçar no shopping com mamãe e deu até pra escolher mesa.
    Enquanto as bundas desfilam a beira mar eu desfilo com Maria Bonita por SP e me divirto.

  5. Leticia says:

    Mas não é, Betinho? São Paulo fica um luxo vazia!

    Nem fale na sua Maria Bonita! Sabe que esqueci meu guarda-chuva lindo e glorioso num bar? E olha que nem bebi tanto, hein? Pior que não dá nem pra repor com um igualzinho. O comércio da cidade está uma terra arrasada.

  6. Moema says:

    Aqui no Rio o desfile de bundas acontece o ano inteiro. As vezes mesmo com frio, tem maluca que continua de bunda de fora.
    Mas a cidade nestas epocas ficam uma maravilha.
    O transito melhora horrores. So´tive problemas no sabado a noite pois todos os turistas e moradores resolveram ir ver a Arvore da Lagoa.
    Infelizmente meu destino nas ferias sera´invadir a praia alheia. Sinto falta do tempo que podia quando tirar ferias. Esse luxo so´volto a ter depois que filhote estiver na faculdade, pois ai´ja´sera´ maior de idade e nao precisara´de mae por perto, ainda mais nas ferias.

  7. Maria Edi says:

    Não há dinheiro que pague São Paulo vazia num feriado. O ar fica limpo, ouve-se passarinhos cantando, atravessa-se as ruas sem sobressaltos (excluindo, é claro, os domingueiros que vão desfilar seus carros recém comprados …)Graças ao boníssimo Deus, eu fui poupada do assalto de Merdilânias e famílias nas praias. Rádio de carro alto, com músicas de gosto para além do duvidoso (eu sei, gosto não se discute … Lamenta-se), roupas de gosto mais discutível ainda …
    Bem, para voc~es terem uma idéia da falta de noção das pessoas, na quinta feira, poucos momentos antes de a missa do Natal começar (às oito), duas “coisinhas” no banco atrás do meu conversavam, em voz MUITO ALTA, sobre … sutiâs. Diria a garotinha da novela das sete: É A TREVA!

  8. Leticia says:

    Moema, plisss, você não é do tipo que atrapalhe a tranquilidade de ooooutros caiçaras…

    E aqui também virou praga isso de ver decoração de Natal. Por esses dias, a Paulista e o Ibirapuera andam às moscas, a não ser lá pelas 9, 10 da noite, que todo mundo resolve ir ver a decoração. De automóvel.

    Ai, Maria Edi, e você aí do ladinho do parque!!… Tenho uma amiga que mora na Monte Alegre e ela me disse que não teve tempo para caminhar este ano. O pior é que eu entendi… Ela faz o mesmo que eu.

    Duas fofas falando sobre sutiãs? Tem certeza que a missa era do Galo?

  9. Adao Braga says:

    Moro na Bahia, e moro tão distante da praia quanto minha família em MG. Detesto tais eventos.

    Não me agrada comer e permanecer no meio de multidão!

  10. Leticia says:

    Bom pra você também, Adão. Deve estar um deserto aí.

  11. Betinho says:

    Há uns 10 anos, quando eu trabalhava na Marquês de Itu, eu conheci uma lojinha ali na Bento Freitas onde um senhor consertava guarda-chuvas antigos. Ele tinha umas peças lindissimas e bem exclusivas pra vender por lá. Não sei se ainda existe, mas se passar pela região não custa dar uma olhada. Vindo do Largo do Arouche ficava no ultimo quarteirão antes da Marquês.

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