Tenho acompanhado o caso do menino Sean Goldman e extraído alguns pensamentos daí.
O primeiro é que no Brasil a gente preserva uma certa tradição meio candomblé, meio machista, de que os filhos são, na verdade, da mãe.
Num país em que uma grande taxa de nascimentos é de pai desconhecido, que em caso de separação a dúvida é sempre pró-mãe, e que o tema “alienação parental” ainda está engatinhando, não é de se espantar que a coisa mais natural do mundo seja agir como se o pai não existisse. Ou melhor, existe: ele entra com o pipi, num primeiro momento, e mais tarde com a pensão. Nós, brasileiras, não queremos nada mais que isso.
E, interessante a movimentação em torno da coisa, não?
À revelia da legislação, a sopinha nacional levou todos os ingredientes de praxe: passeatas na orla, recorrência a figurões influentes, cartas de apelo a autoridades e um apelo de avó – entremeado do discurso de exaltação nacional: “lasquem-se os afetos alheios, no Brasil tudo é melhor para uma criança”.
Só que existe a lei. E ela diz que o menino deve ficar com sua família núcleo que restou – no caso, o pai. Pela lei internacional, o pai é uma figura de papel fundamental. Afinal de contas, é o pai.
E, para espanto das crenças nacionais, o pai está 100% empenhado em ter o filho de volta.
Chato, né? Pois é. Mas David Goldman está aqui. Paralisou todas as suas atividades em prol de uma causa que, na terra dele e pelo direito universal, é de máxima importância: voltar a ter o direito de viver com seu filho.
Outra coisa chata para o sentimentalismo nhambiquara: o direito vê a coisa de forma diferente. O que vale no caso não é a opinião do menino, baseada em sua zona de conforto capenga, mas o direito do menino.
E o menino tem o direito de (ter o privilégio de) viver com o pai.
Você, que é pai e é um babaca – daqueles que tiram horas da semana pra brincar com seus filhos, que levam a sério essa coisa de procriar, que dão importância extremada à educação de sua prole, e não vive só de discurso piegas – pense só se fosse com você.
Não preciso nem dizer: qualquer pessoa com um mínimo de humanidade se põe no lugar da família brasileira do menino. É óbvio que é uma violência dilacerante tirar uma criança do convívio de gente que, naturalmente, a ama.
Só que esse “sequestro” não aconteceu hoje. Aconteceu, primitivamente, quando a maluquete da mãe tirou o menino do convívio do pai.
A sorte de David Goldman é que ele está protegido pelo direito internacional. Fosse um dos nossos, seria derrotado pela justiça torta e cheia de contatos importantes da zona sul carioca.



Letícia,
Também acho que o pai do Sean tem o direito de levar o filho, até porque ele foi sequestrado pela mãe e ele já estava tentando reaver o garoto.
Eu adotei uma criança recentemente, e entendo a força dos laços afetivos que se formam. Vivo com medo de uma ação tresloucada da justiça enquanto não sair a adoção definitiva, estou só com a guarda.
Meu caso é bem diferente desse do Sean, porque a mãe biológica abriu mão da criança, tudo acompanhado pela justiça desde o início.
Sinto muito pela avó e o pai adotivo do garoto americano, mas infelizmente o direito é do pai biológico.
Tomara que agora finalmente o garoto volte a conviver com o pai. É um absurdo o que fizeram com essa criança, se nossa justiça fosse séria, ele já estaria com o pai faz tempo!
Olá, que eu saiba e lembre, é a primeira vez que chego aqui. E vim, porque você está na lista de FELIZ NATAL do Fabio Mayer.
Sobre o tema de reflexão, concordo com você. Neste ano, pelo menos dois textos que escrevi foi para reclamar da situação paterna, em especial, as vezes que fui impedido de acompanahar “os filhos que a mulher diz que são meus.”
As últimas décadas, desde a campanha da Caloi, “… tem que participar” que a sociedade, as comunidades tem se esforçado para mudar a cultura do macho em relação ás crias, e ainda, para a maioria é estranho o comportamento deste senhor.
Os textos:
1 – http://www.holistica.com.br/artigo1/?p=215
2 – http://adaobraga.wordpress.com/2007/08/11/direito-de-pai/
Como praxe, cadastro o blog nos feeds. Acompanho. Comento, e vamos adiante!
Alessandro, boa sorte com a adoção. Imagino o quanto deve estar aflito enquanto a coisa não se resolve.
Denise, a família brasileira e a opinião que boia age como se o pai do garoto não existisse!
Deixem o pai levar o garoto para os Estados Unidos … Lá, o garoto AINDA pode ser educado formalmente via “homeschooling”, onde os pais decidem O QUE a criança deve aprender e COMO deve aprender, evitando o contato com “ideologias exóticas” (eu ADORO esse termo!)
E vamos parar com esse sentimento de brasilismo bocó!
Isso não devia estar nem em discussão, quanto mais em disputa judicial. O pai legítimo deve ter o pátrio poder sem contestação, a não ser que ele não tenha as condições mínimas para ser pai.
Acho que o que está acontecendo nesse caso é uma das consequências extremadas da galopante feminização do mundo. Mãe ou avó ou tia, as mulheres tudo podem e têm garantidos os direitos e a razão — e os homens não apenas concordam com essa distorção — a feminização — como se comportam alegremente e cada vez mais como mulheres.
As crianças de hoje nem tem mais a referência masculina porque seus pais agem feito mulheres desajeitadas. As pessoas não ligam para a inversão de papéis em casa, não se escandalizam; ao contrário, elas acham ‘fofo’.
Semana passada vi um sujeito grande, forte, subindo a Joaquim E. de Lima carregando um bebê (filho, provavelmente) todo cheio de mil delicadezas desajeitadíssimas — só faltava segurar a criança de cabeça pra baixo, enquanto a mãe ia atrás, empurrando um carrinho de bebê daqueles pesados. Pqp, nada mais ridículo.
Refer, David Goldman parece ser um homem pra lá de capacitado para ser pai. E ele tem família, olha só!… Do jeito que se fala dele, parece um agente solitário, mau e frio a serviço da maldade americana.
E você tocou num ponto importantíssimo: a feminização do mundo, o que, cá pra nós, é algo deveras chato: essa feminização inclui aquela radicalização “coisa de mulher”, “coisa de homem”, que começa já na educação doméstica, pelas próprias mulheres: homens devem ser desajeitados em tarefas femininas. A eles cabe dar um filho a elas e prover a casa. O resto do tempo, podem se comportar como bobalhões, no futebol, na cerveja, no linguajar rude, tudo isso arrematado com um arroto e olhando a próxima bunda.
Mulheres, não: fica feio se entregarem a papos escatológicos, elas têm a habilidade com crianças, com o lar e com as sensibilidades da vida, o que também as obriga a um papel que muitas vezes não se cumpre a contento – mulheres podem ser um poste de rudeza tb.
É raríssimo ver um casal se comportando com naturalidade, sem essa coisa de haver um mundo secreto da mulher com outras mulheres, e do homem com outros homens.
É como se ambos estivessem lá cumprindo uma tarefa, mas no fundo no fundo “eu sou mulher” e “você é homem”, nunca haverá a relação perfeita, porque “isso é assim mesmo”.
Mais provinciano impossível.
Maria Edi, e o argumento da avó, de que o menino foi vendido aos americanos? Ranço de esquerda é o phim!
Acho essa historia uma grande comedia bufa. Uma maluca foge dos EUA, trazendo o filho que teve um camarada que segundo fofocas e´um tanto desequilibrado. Chega aqui casa novamente com um desavisado, engravida, em pleno seculo 21 morre de parto e a familia adotiva comeca uma luta ingloria para manter a crianca aqui.
Acho que tem muito mais caroco neste angu do que a gente pode ver.
Mas, por principio, a crianca deve ficar com o pai biologico – se a justica de la´o julgar realmente desajustado, ai´ a conversa e´outra.
Alias, providencial a determinacao sair as vespera do Natal para causar maior comocao.
Quanto ao menino ser “vendido”, bem, que foi feito um escambo, foi. Se nao o nosso judiciario ainda estaria enrolando…
VENDIDO??? Mas … cuma??
Aproveitando sua presença,
FELIZ NATAL!! E pro Periquito Augusto (que é o que você fala mais …) também!!
Adão, seja bem-vindo ao Flanela! E desejo que você consiga resolver essa questão. Ser tolhido do afeto de quem amamos é a pior das maldades!
Moema, é irrita é essa lei supra-tudo de que no Brasil a criatura será mais feliz, nem que viva exposta a um terreiro de magia negra. Os States pressionaram, sim. Eles sabem que a gente não anda ligando a mínima pros tratados que assinamos. Nem nós, nem a avó do garoto.
Quanto às fofocas sobre o pai, são bem previsíveis. Aí voltamos ao assunto da alienação parental. De qualquer maneira, acho estranho decidir ter um filho com um pessoa a quem estará rechaçando meses depois. Isso não entra na minha cabeça.
Maria Edi, Feliz Natal pra você e os seus também! E hoje, 25, está tudo tão tranquilo! Como eu gosto disso!
Periquito Augusto de Orleans e Bragança, este ano, passa o Natal na outra avó. O Papai Noel dele já passou por aqui e o espera para a virada do ano, quando a família está completa e rolará aquela foto de time! (e Deus me ajude numa receita nova de bombas de creme, ai, ai!)