
Por esses dias ando vendo uns filmes, desses classicões. Casablanca eu não via fazia tempo. Mesmo assim, acho que foi a primeira vez que o assisti de maneira absolutamente atenta.
Tenho de dizer mais do mesmo: que diálogos!
Eu lembrava apenas aquele em que Rick diz a Ugarte (Peter Lorre) que se pensasse nele, provavelmente o desprezaria. Também, isso é um clássico do cinismo interplanetário!…
Mas não pensei nos diálogos como um marco no cinema, nada disso: pensei que se uma criatura com menos de 20 anos visse aquilo hoje não ia entender chororongas.
Não por ter 20 anos. Mas é porque o mundo jererecou de tal forma que hoje, se você não disser o que quer dizer com todas as letras, o cerumano simplesmente não entende. Aliás, mesmo você dizendo a coisa claramente corre o risco de não ser entendido ou – bocejo – ser mal interpretado.
E como a piolhada de hoje não quer mais saber de coisas humanas, não? Tchudo agora tem de ser com monstros e avatares e vampiros peludos e coisa e tal, e com muita, muita computação gráfica. Em 3D, óbvio.
Será uma fuga, é? Deve ser. O mundo ficou tão idiota que seu fosse uma adolescente sonhadoura fugiria de humanos, balançando minhas banhas durinhas e cheias de espinhas por uma estrada sem-fim. Em 3D.
Periquito Augusto virou cinéfilo. É. Só fala nisso. Da última vez que esteve aqui foi um quase-problema, porque eu havia prometido um cinema e não deu. Os horários não batiam. Além de tudo, ele já viu quase tudo o que passou. Está chovendo hambúrguer, Planeta 51 (este título ia bem a calhar em OUTRO filme, mais nacional), A princesa e o sapo, blá-blá-blá.
Tentei O fantástico Sr. Raposo, feito como antigamente e que deve ser uma graça, mas não tinha sessão em horários periquitoides: 19:30 não é hora de criana pequena estar na rua.
Voltaremos à carga quando estrear Os esquilos II. Ele estava um tanto apreensivo porque não sabia se o filme era ou não em 3D. Quando lhe disse quem sim, ele pulou de alegria e foi contar pra mãe. Mas ficou chateadíssimo quando soube da lonjura da data de lançamento – 8 de janeiro.
Anda cheio de quereres o garoto. Tem de ser 3D, tem de estrear QUANDO ele quer, tem de ser no cinema, porque em DVD não é a mesma coisa, e o óculos, e a sala tal do cinema tal não tem não sei o quê, e que a gente deve fazer xixi ANTES de a sessão começar, e tal e coisa. Mas não se incomodaria – me confidenciou – em ver A princesa e o sapo novamente. Paixonô geral.
Mas a tia aqui, ciosa, espera que um dia possa lhe apresentar Casablanca. Ou A montanha dos sete abutres, ou o Cidadão Kane.
Sim, porque não vou querer ver o menino empolgado com… Avatar (ele andou me xavecado pra ver trailer no Youtube, e eu disse não. Por simples questão de censura. Ainda bem que é um menino obediente. Por enquanto.)
Pode até ser, se o menino se aprofundar no hobbie “tecnicamente”. Mas terá de passar por todas as sutilezas, os dramas e maneiras de falar de gente. Gente de verdade.
- Foto: deve ser do making of. Primeira vez que vejo as canjicas do Bogart. O título do post? É que não desprezo comentários comuns. O que me dana mesmo é a estupidez média: spray dourado em cocô.



ôchi, ma quanto tempo eu não lia canjica!
nem me fale em falta de entendimento que já estou perdendo o juízo e colocando aspas onde não devo…
Sofro com esse problema de comunicacao. Aqui em casa estamos resolvendo o excesso de girias fazendo-nos de mais bobos. Quando o meu menino engata um “irado”, pergunto logo: – Esta´com raiva do que? Quando vem um “maneiro”, pergunto: – “isso e´leve?” E assim vamos tentando minar esse dialeto empobrecido.
Quanto aos filmes isso e´outro capitulo. Meu menino e´apenas um menino. E como ele mesmo me disse, nao e´facil ter oito anos! Esses filmes mais arrepiantes ele nao quer nem conversa. Mas mostre qualquer coisa de Star Wars e ele se derrete. Aqui so´esta passando o “Sr Raposo” legendado, olha que coisa. E os horarios tambem estao horrorosos. Nas ferias deixo meu menino dormir por volta das 21. Mas para Periquito 19:30 e´muito tarde.
Cada dia que passa percebo mais que estou criando um dinossauro. E pelo jeito voces ai tambem. Vamos torcer para que eles consigam achar seus pares – nao falo de namoradas, mas pares no sentido amplo – para serem felizes.
Gostou, Raquel? Adoro umas girias antiguinhas. Daqui uns 30 anos – já li o comentário da Moema – estarei dizendo “irado”, “maneiro”, “tipoooo”.
Moema, estou rindo aqui. É tão difícil, né? A gente fica com esse terror todo mas a verdade é que o mundo sempre foi feito de transformações.
É, também tinha esse problema da legenda no Sr. Raposo, esqueci de escrever.
Eu sei que Periquito não pode ser um zumbi, vivendo conforme nossos parâmetros. Mas fico ansiosa em fazer de um tudo pra ele não ser um bocó. Te contei que guardo livros antigos pra ele, não? A mãe não se incomoda com ortografia antiga, então belê! Só quero que ele se cerce que coisas menos rasteiras… (olha eu! não sou a mãe dele, oras!)
Aqui somos em 4. Três homens 1 mulher. O gosto para cinema, séries, músicas, livros, é por minha conta. Os desenhos também segue nossas preferencias.
Os filmes antigos só se formos pegar numa locadora, e ou, comprar um DVD por ai. Mas, assistir poucos dos clássicos, então, assistimos a tudo!
Ih! Tô ficanco véio… sempre falo em “canjicas”. Tem uma coisa, também não chamo as meninas de “mina” e nem de “pitchula” (isso é horrível!), já é uma vantagem.
Garotas e Garotos, não se preocupem! Ouçam a voz da experiência, afinal meu filho, o “dinossaurinho”, já vai fazer 15 aninhos e está sobrevivendo muito bem nos dois mundos: o dos “miguchos” e dos “feitos por homens e livros, filmes, música, família”.
Tem muita discussão, muita “pega” mais no final sempre vejo que a semente plantada germina.
Temos um acordo, com os amigo pode falar o vocabulário que uiser mas aqui em casa tem que conversar, com os amigos pode assistir, ler e ouvir, respeitando a faixa etária, as idiotices que lhes agradar dentro de casa tem que selecionar.
Descobrir que os iguais se atraem, os idiotas andam com idiotas, os intelectualizados andam com os intelectualizados só assim tem assunto.
Logo a gente vai ter que andar com um intérprte ao lado (como aqueles que fazem a linguagem das libras na TV), pra explicar o que estamos falando, nénão?
Mas ainda que Casablanca não fosse o filme que é, só a música já o salvaria.
Os horários “noturnos” para filmes infantis são de caso pensado, eles forçam uma passadinha antes ou depois na praça de alimentação.
Concordo, vivemos num mundo pobre de idéias, onde as pessoas abstém-se de ler e só consomem o que é fácil de compreender.
Alguém disse no passado, e ficou martelando por décadas, que vampiros são sexys, e isso levou à essa onda besteirola de filmecos idiotas e livros que antigamente se compravam em rodoviária, para consumo rápido entre uma cidade e outra.
Se bem que a mediocridade é geral.
A quantidade de regravações musicais é impressionante, e mais impressionante ainda é o fato de que os arranjos estão cada vez mais pobres, ao contrário do que acontecia no passado.
As livrarias vendem obras de auto-ajuda que levam a enorme maioria das pessoas do nada ao coisa nenhuma. Pouquíssimos romances chamam a atenção numa estante de livraria, a maioria tem uma temática padrão.
Os remakes de filmes apelam para o besteirol puro e simples (caso das comédias) ou para a pura e simples relação sexual (caso dos romances), é o que você escreveu: os diretores precisam desenhar para os idiotas entenderem.
O meu menino le e adora os meus livros de crianca. Tenho muitos livros aguardando por ele. Ele e´traca de livro que nem os pais 8-D.
Bjkas e nao abra mao de continuar a ajudar a formar um cidadao.
Adão, melhor assim, não?
Akira, de vez em quando eu tasco essas expressões só pra encher. Pra te falar a verdade, eu nunca usei “canjicas”. Mas adoro gírias que não circulam por aí. Em contrapartida, me recuso às que andam na moda.
É, Malu, também não pode criar um rapazola alienado. Tem de ser assim mesmo. Mas na hora de conversar com o avô tem de se portar como gente. Aliás, já será um feito se a criança conversar com o avô…
Ricardo, eu já curti tanto “As times goes by” que hoje não tem tanto impacto. Mas continua bacana. Como a Bergman.
Fábio, e o nicho das livrarias com aquelas capas pretas? Ai, ai, ai…
Moema, vocês guardam livros pra ele? A-há! Então eu não estou louca, eu não estou louca!!!!
As time goes by também não me emociona TANTO como emocionava antes … No entanto, “An affair to remember” me derrete … E o sonzão de “… e o vento levou”? Aquilo é massa demais! Aliás, eu estou ficando colecionadora de trilhas sonoras antigas. Meu herói atual? Miklos Rozsa, que fez as trilhas de Ben Hur, El Cid, Quo Vadis …
As garotas da casa (23 e 16 anos) adoram ler, gostam de música da boa, filmes decentes … Mas estão se encaminhando para a estrada dos “loners”, pois é difícil encontrar gente para conversar, na idade delas …
Maria Edi, “An affair to remember” é liiiiinda de chorar. E “Stardust”? “E o vento levou” eu revi outro dia, dentro dessa leva. É lascado de bom também. Vão fazer filme benfeito lá em Hollywood!
Se bem que tem um momento em que Reth Buttler beija Scarlett e ela diz que vai desmaiar, o que rendeu uma explosão de gargalhadas aqui em casa, por causa do notório mau hálito de Gable.
Tenho um amigo que está nessa de épicos, são trilhas fantásticas também.
Quanto às meninas, deixa estar. Elas aos poucos encontrarão sua turma. Mesmo que seja algo um tanto solitário, é melhor.
E acabei de falar com Periquito no tel. Ele está uma matraca! E pior: tem certeza que eu nunca fui ao cinema e não sei nada de inglês. E disse que o computador na casa dele não tem “essas coisas” que tem no meu (trailers de filmes). Ai, ai…