Implicâncias aldeãs: conte a sua!

Vi o Salomão Schwartzman (Band, boa sorte se achar o vídeo, aquilo é um pandemônio) – evocando Mauro Chaves há algumas semanas no Estadão -, fazer sua listinha de implicâncias.

Então pensei em prontofalar e enumerar minha própria listinha – ora, quem não as têm? Se não se restringem à capital, fizeram o favor de nascer aqui (sem ordem de importância, ok?):

romero-brito

1) Coisas do Romero Britto com dois ttês: são obras lindas, pops, coloridíssimas e tal. O cara é um talento, merece ganhar burras de dinheiro, mas alguém me explica por que não tem mais nenhum artista nesta cidade que não seja Romero Britto? Outro dia, num oftalmo, havia pelas paredes Romeros Brittos genéricos!!!

Meu alento é que isso passa. Lembra da praga dos gatinhos do coitado do Aldemir Martins? Qualquer mocinha Tok&Stok poderia orrrnarrr sua sala de jantar com um gato aldemiresco pela módica quantia de meio salário (o dela, não o mínimo).

2) A dupla blusinha com lantejoula/óleo de amêndoas paixão. Aí já não é implicância, é horror mesmo.

3) Grade do portão com bunda avançando na calçada, pra caber o carro.

4) Povinho dando dicas gastronômicas. TODO MUNDO faz isso por aqui! Bares, botequins e bistrozinhos e seus releases, muitas vezes não remunerados. Incluir no pacote a) decoração “antiga” (é bonitinho, mas virou uma praga também); b) nome de moda: mercearia não sei o quê, empório não sei das quantas, bar do Manoel, bar do Genésio e todos os de mote medieval: mosteiro, santa isso/são aquilo, convento, ave alguma coisa, confraria, nossa senhora do Chopp,  essas coisas.

5) O Ronnie Von dizendo “impecável”, “fundamentalmente” e “fulano é referência”.

6) Bolsa ecológica: a lona é vagabunda e não cabe nada lá dentro.  São feitas na caradura pra tirar dinheiro de trouxa. Era melhor usar sacola de feira mesmo. Pegar a velha sacola, botar na máquina de lavar e voltar a usá-la é a melhor maneira de não gerar mais lixo.

7) Chamar tudo de “magnífico”: este artigo é magnífico!”, “fulano é magnífico!” Fofonildo fica gastando tanto o magnífico que um dia, quando encontrar uma coisa magnífica mesmo, não terá o que dizer.

8) Supermercados Pão-de-Açúcar: nunca perdem a pinta de vendinha e, pelo aspecto da ferrugem, dá quase pra garantir que desligam as geladeiras à noite.

9) Introdução de livro, de palestra, de qualquer coisa, que comece com definição de dicionário. “Influência”, segundo o Aurélio…”

10) O dogma inderrubável de que na 25 é tudo mais barato. Mentira. Se você é artesão, o melhor é lá mesmo. Mas deixar de prestigiar o camelô ou os Armarinhos Fernando do seu bairro pra entupir a região em véspera de Dia das Crianças é o phim!

11) Ciclista insistindo no trânsito pesado. Adoraria ver a cidade linda leve e solta, todo mundo de bicicleta por aí. Mas, lamento: por enquanto as duas coisas são incompatíveis. Melhor seria empreender campanhas responsáveis do que virar patê.

(É o que lembro por hora. E estou juntando o que não topo na língua portuguesa).

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13 Responses to Implicâncias aldeãs: conte a sua!

  1. Fábio Mayer says:

    Algumas das (muitas) implicâncias minhas:

    - Muro tipo palito;
    - o mito de que no Paraguai se compra mais barato, sendo que os produtos vêm falsificados e com defeito… ninguém vai a Foz do Iguaçú para ver as MARAVILHOSAS cataratas;
    - gente que escreve “encima” e “concerteza” e que não admite o erro, achando que tem cultura, melhor seria admitir ser um toupeira;
    - música sertaneja, qualquer uma;
    - “cowboys” e “cowgirls” com lata de cerveja na mão e sorriso de palerma;
    - estacionamento em fila tripla para pegar o filhinho quase marginal no colégio de classe AAA;
    - criança em supermercado;
    - criança que manda nos pais;
    - as conversões à esquerda, permitidas em Curitiba;
    - gente que bebe álcool na rua;
    - e várias outras…
    - palestras de auto-ajuda ou de qualquer coisa, quando o palestrante começa pedindo que todos cumprimentem e abraçem o indivíduo ao lado;
    - bebuns… tenho vontade de matar ou pelo menos deixar o imbecil aleijado sempre que algum deles me aborda;
    -

  2. Maria Edi says:

    Leticia,
    ontem mesmo estávamos falando sobre o “SugarLoaf”. Vendinha é pouco para aquela droga de supermercado! Você não consegue andar com carrinho lá dentro (o pequeno, tudo bem, mas o grande …! Aliás, aquilo é uma estrovenga: quando a gente quer que ele ,ande para frente, ele anda de lado, feito caranguejo!) Pode fazer o que quiser de reforma: vai ficar sempre com jeito de mercadinho da D. Maria, que a gente manda marcar as compras na “cardeneta” prá págar no final do mês (mão de múmia …!).
    Para mim, supermercados são o Sondas e o Záffari.

  3. Moema says:

    - Gente que usa mais de um verbo sem necessidade. No gerundio fica ainda pior!
    - Calor
    - Gravida de barriga de fora.
    - Calca de cos muito baixo.
    - Alias modismos, principalmente de novela me enchem o saco. Nao ando como songamonga, mas moda de novela e’ qualquer coisa de cafona, ao meu ver.
    - Mas sem duvida a coisa que tenho mais implicancia e’ gente que mesmo tendo acesso a informacao, continua agindo como Ze’ Ruela. Dai’ posso falar da minha catiguria – cirurgiao que acha que o menor bicho que existe e’ barata; medico com letra ilegivel…
    Se for escrever todas, nao acabo hoje!

  4. Raquel says:

    implico com tanta coisa ultimamente que melhor seria fazer uma lista do que não implico…

  5. Leticia says:

    Fábio, eu não aguento o “concerteza” nem na versão alfabetizada. Quando topo com isso no trabalho, substituo. Na boa. Se dependesse de mim, os arqueólogos de bibliotecas do ano 3000 passariam batido por esse flagelo. E, pra moá, palestras de autoajuda, nenhuma, com abraço ou sem!

    Maria Edi, acredite: nunca entrei no Záffari. Fui uma ou duas vezes no Sonda antigo, depois nunca mais. O mais longe que tenho ido ultimamente é no Warmárti na Barra Funda.

    Moema, o médico de rotina dos meus pais tira a receita no computadô. Acho tããããão mais civilizado…! Cós baixo também é um flagelo contemporâneo. Deixa as garotas feias pra caramba, que dirá as véias!

    Raquel, estou chegando nesse ponto também. É tanta implicância que estou perdendo o gosto em pichar.

  6. Fernando says:

    Como Santista que sou…
    Farofeiros esparramados por cima da grama de nossos jardins.
    Fila de Balsa com os indefectíveis fura filas.
    Pick Nick na areia.
    Fio dental extra mini em Bundas Extra GGGGGGG
    Banhista bife à milanesa. (Aquele zémané que enche o fucinho de cachaça e depois fica rolando pela areia) e acaba dando trabalho para os bombeiros, uma vez que de cada dez desses, onze acabam se afogando.
    Criança pelada no mar.
    Carros estacionados na orla com breganejo, pagode, funk e outras agressões auditivas tocando no máximo de volume.
    Carrotel, mistura de carro com hotel onde 18 pessoas amontoadas em um Chevette vindo de Carapicuíba, Guarulhos, Osasco e afins, resolvem passar o domingo na praia, chegam no sábado de madrugada estacionam na orla e dormem, comem e se trocam dentro do carro…só vendo para entender…
    Fila de restaurante, pizzaria, estacionamento de shopping.
    Tirar fotografias na praia e colocar no Orkut com a legenda ” Santos” e você nota que a foto foi tirada em Praia Grande.
    Onibus de excursão que despeja farofeiro na porta do Aquário e leva uma eternidade para voltar e buscar o povão, e com isso a Ponta da Praia vira uma nova Bagdá.
    Vovôs pescadores e seus netinhos sem noção, enganchando seus anzóis em tudo que se mexe à sua volta.
    Santista babaca que joga frescobol à beira mar pagando uma de “atreta” fora de época.
    E a mais nova onda da cidade. Os “atletas suicídas” pseudo corredores que fazem treinamento pela faixa de rolamento da avenida da praia correndo na contra mão de direção junto aos carros estacionados.
    O que o povo não faz para ser visto…

    Cruzeiros Marítimos temáticos, tipo, “encontro de manicures”, com open bar.
    “Noveau Rich” Aqueles que pagam a viajem em 36 meses e depois colocam no Orkut “Comunidade MSC Harmonia”, para os que foram no monumental cruzeiro para Búzios de 14 a 16 de fevereiro de 2008. etc…
    Passeando a beira mar com o celular pendurado na sunga/biquini…argh!!!

  7. Marcelo Gomes says:

    Vamos lá:
    - gente que fala alto em restaurante;
    - gente que resolve contar sua vida ao celular em locais públicos;
    - gente que não respeita fila;
    - gente que escreve em blogs, orkut, msn e quejandos utilizando linguagem de retardado semialfabetizado (d+, kd, vamu tc, naum etc, etc, etc…);
    - gente que usa transporte coletivo e exagera no perfume, seja ele de 5ª ou de 1ª categoria;
    - gente que joga lixo na rua;
    - gente (?) que não tem dinheiro para comprar um fone de ouvido novo para seu MP3 paraguaio, ou, simplesmente, não tem “simancol” mesmo, e quer compartilhar com todos o seu mau gosto musical;
    - gente que compõe, gosta e ouve funk;
    - gente que come salgadinho sabor “vômito” em transporte coletivo (não é só o cheiro insuportável, tem também a “trilha de amarelinhos” que a criatura deixa para trás!);

    Vou parar por aqui, daqui a pouco vai faltar espaço pra tanta irritação!

  8. Betinho says:

    -funk
    -toda a sorte de bundas frutificadas
    -umas calças esquisitas que as mulheres andam usando que parece ter espaço extra para fraldas
    -pais que não controlam seus filhos e acham que eu é que tenho que ter paciência pois são apenas crianças
    -gente que não tem trailer, mas coloca engate no carro e arrebenta com a minha canela
    -gente que reclama que a escola é ruim, mas compra o computador do milhão e vai tirar foto de calcinha pra colocar no orkut ao invés de usa-lo pra estudar
    -programas de fofoca na tv, que quando eu pego minha mãe assistindo tenho vontade de incendiar minha árvore genealógica
    -gente que fala alto, principalmente porque normalmente quem fala muito alto nunca diz nada que preste
    -gente que empurra minha mãezinha manquitola no ônibus
    Chega! A pressão já esta subindo.

  9. Leticia says:

    Ai, gente, rindo de rolar…

    Ó, vou comentar um de cada:

    Fernando, fio dental extra mini em bundas extra GGGGGGG: Eu acho que a cerumana tem o direito sagrado de ser uma baleia, mas aí entra a famosa “animação de se ver solta num ambiente de praia”. E segue com aquele anexo: entra na padaria, no botequim, na farmácia, sem ao menos lembrar de um troço chamado canga. É o tipo que você olha e diz: “não está acostumada com praia”.

    Marcelo: “trilha de amarelinhos” que a criatura deixa para trás! Sou completamente contra essa coisa de comer fora de locais adequados. O cheiro fora de hora é desagradável, o ato é desagradável, a porcaria que a criatura deixa em volta é desagradável. Até pipoquinha em cinema, se quer saber: a inocência do costume acaba quando as luzes acendem e você vê o mar de sujeira no chão. Fora o arsenal de biscoitos que não podem faltar em mesas de revisores. No final, fica tudo estampado no trabalho, argh!

    Aliás, essa coisa de beliscar o dia inteiro é doença.

  10. malu says:

    Morri de rir com as listas mas não vou fazer a minha porque meu pavio anda muito curto e….

  11. Leticia says:

    Acabo de implicar sabe com o quê? Com o Menino do MEP. Não aguento mais ouvir falar nessa criatura.

  12. akira says:

    Letícia,

    Você esqueceu do Ronnie Von falando “ô bunitinha…”

    Ninguém lembrou de Axé Music? O negócio é ruim mesmo…

  13. Leticia says:

    Akira, a axé music mereceria um tratado.

    Tinha esquecido do “bunitinha” e do “chef de cuisine” carregadérrimo.

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