Alguém me esclarece?

silvana

O jornalista Zé Paulo Andrade (que conheço desde que me entendo por gente) tuitou isso há uns dias. E concordei.

Só não imaginava que a parte brasileira na contenda fosse extrapolar e ficar tão indignada com o assunto “custas judiciais” levantado por David Goldman. Do G1:

O advogado da família brasileira de Sean Goldman, Sérgio Tostes, reagiu às declarações do pai biológico do menino sobre as custas judiciais. Segundo ele, “esta declaração não surpreende, e apenas demonstra o interesse pecuniário do Sr. David Goldman. Tudo que ele fez não foi pelo interesse do filho, foi interesse pecuniário.”

O advogado disse ainda que acha estranho David cobrar pelas custas, já que a ação judicial teria sido promovida pela União Federal. “A União Federal gastou o dinheiro do contribuinte e ele está cobrando o da advogada”.

Para Tostes, a declaração “revela o caráter de David”. O advogado explicou que, caso o pai entre com esse pedido de ressarcimento, a ação teria que ser promovida no Brasil, onde foi feito todo o processo de Sean.

Bem… Se David Goldman declarou que despendeu uns 500 paus para reaver o filho, que lhe foi tirado e de direito sempre foi seu, qual é o problema em requerer ressarcimento das custas judiciais? Elas não cabem a quem perdeu a causa? Onde está o interesse pecuniário aí, já que ele gastou essa grana toda e só a está pedindo de volta, de acordo com a lei?

E outra: essa declaração do advogado de que isso “revela o caráter de David” não é típica de perdedor? Se houvesse outra saída, o adê não investiria nela?

Com a palavra, meus preclaros comentadores.

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9 Responses to Alguém me esclarece?

  1. C says:

    Ainda fico com a parte que a vó dele disse que o menino foi trocado por um acordo politico e nenhum dos jornalistas ali atirou um sapato nela

    Isso diz muito sobre o nosso país

  2. Leticia says:

    C, pode até ter havido pressão, mas ela aconteceu para que se cumprisse a lei. Fora disso, a avó não tinha muitos argumentos, porque foi cúmplice e perpetuadora do sequestro do menino.

  3. Fábio Mayer says:

    No Brasil INEXISTE essa questão de recuperar o que se perdeu de custs e despesas numa contenda judicial, porque o Código de Processo Civil é uma m… e os tribunais e juízes, uma m… muito pior.

    Acontece que a jurisprudência entende que honorários de sucumbência, ou seja, pela perda da ação, são do advogado, o que é uma excrescência jurídica. Para você recuperar os honorários que paga adiantado para um advogado, precisa fazer um pedido específico e mais do que isso, PROVAR que pagou o dito causídico, mediante pelo menos uma cópia do contrato que celebrou com ele antes de entrar com a ação.

    Logo, se pagam honorários de sucumbência + honorários de condenação específica, e estes últimos, apenas e tão somente se o juiz for bonzinho e não idiota, o que não é o caso da enorme maioria, que pura e simplesmente indefere, porque, no judiciário do Brasil, devedor é quase um santo e credor um demônio completo!

    O pai do garoto está mais que certo… deve buscar recuperar os valores. Mas não vai ganhar, pelo contrário, vai acabar gastando mais ainda em cima…

  4. Cético says:

    Espero que ele consiga, mas creio que isto vai depender do que diz da legislação internacional que rege a ação ou o acordo celebrado com os EUA, caso o nosso judiciário seja obrigado a ressarcir haverá aquela grita nacionalista de sempre.
    Abraço

  5. Moema says:

    Vamos combinar que essa opera bufa do “Menino Xon” ja´ta´fedendo de tao velha. Nao entendo nadica de direito, mas pelo pouco que ouco falar, em paises civilizados, o que o pai esta pedindo e´o normal. O problema e´a ideia de normalidade nessas nossas bandas tropicais. E, claro, nossa imprensa se utiliza desta normalidade para fazer um pouco mais de barulho. Como disse, falta de assunto. E´so´aparecer um novo escandalo e todo mundo esquece o “Menino Xon”.

  6. Leticia says:

    Entendidíssimo, Fábio: “devedor é quase um santo e credor um demônio completo”. Tem de ter peninha e humanidade, não? Daqui a pouco estaremos levantando as justas razões dos marrons no Suriname. Não somos amorosos? Pois é.

    Cético, custo a crer que DG tenha soltado essa sem estar informado sobre seus direitos. E custo a crer também que o advogado da parte devedora “acha estranho” o pedido. Deve estar careca de saber o que é de direito e o que não é.

    Moema, o caso está mofado, mas é um flagrante do nosso comportamento nhambiquara. É aquilo que você disse, “a ideia de normalidade nessas nossas bandas tropicais”. E adorei o “Xon”!!

  7. maria says:

    talvez eu esteje ficando doida também mas estive pensando…olha a sogra apoiou e incentivou a filha neste sequestro,a filha conhece o lins e silva,casa com ele,morre no parto…
    e se ela tivesse feito ao contrario?,tudo dentro da lei ,talvez a historia teria sido outra quem sabe,talvez a filha nem morresse(e não estou falando de castigo divino)…
    se eu fosse a mãe da bruna e começasse a pensar que essas escolhas levaram minha filha a morte,ou botava a culpa toda no david pra me redimir,ou pirava de vez…

  8. maria says:

    acho certo o david pedir pra familia ressarcir o que ele gastou,podia pedir até mais pelas humilhações que passou.quanto ao “adevogado” tostes
    perdeu e quanto mais fala ,mostra que não tem razão nem parece que conhece leis!ou melhor como vc disse conhece muito bem…
    como não moro no br acompanhei pela internet e a parcialidade da imprensa foi flagrante,uns poucos se salvaram.foi nos blogs que apoiava o pai que consegui informações sobre o caso a papelada juridica as gravações,etceteras,e do outro lado a vovo chorando.bom a partir de agora a luta vai ser nos usa,e depois de tudo que essa famiglia fez vai ser dificil conseguir ganhar lá,mas acho que ver o garoto de vez em quando conseguem.

  9. Leticia says:

    Maria, seja bem-vinda!

    É, a morte da moça não pode ser ligada a nada. Nem a castigo, nem a remissão por suas maluquices.

    Você disse bem: do pai, papéis e provas. Do lado da mãe, apelo à emoção, já que não tinham razão. Se desde o começo fossem civilizados e pensassem no melhor e no correto pro menino, nada disso teria acontecido.

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