
(Importante indicação do Paulo Araujo):
Está no ar o Arquivo Virtual, ou Arqshoah (Arquivo + Shoah [השואה, "sacrifício", e que por consenso hoje se refere ao Holocausto], iniciativa acadêmica cuja proposta, inédita, é lutar contra o tempo, o esquecimento, a dispersão de documentos, os silêncios e, em tempos de Mahamoud Ahmadinejad, combater o movimento revisionista que nega o Holocausto.
O objetivo é coletar a história e a memória dos sobreviventes de campos de concentração e refugiados do nazifascismo radicados no Brasil (1933-1948), através dos próprios atores da tragédia e de descendentes e testemunhas.
Trabalham com o Arqshoah dezenas de associações, museus, arquivos públicos e privados, empresas e fundações.
Encabeçam o projeto a historiadora Maria Luiza Tucci Carneiro, do Departamento de História da USP (coordenação), Rachel Mizrahi e Pedro Ortiz, da TV/USPO (registro e produção das entrevistas). A coleta dos testemunhos em Israel são coordenados por Ronen Glazer e sua equipe de colaboradores.
Entre os objetivos do Arqshoah estão registrar e preservar as histórias de vida dos sobreviventes dos campos de concentração e refugiados do nazi-fascismo que, entre 1933-1948 escolheram o Brasil como país de acolhimento; tornar públicos os nomes e as ações daqueles que ajudaram a salvar vidas durante o Holocausto; criar uma biblioteca virtual contendo os diários e os livros de memórias publicados pelos sobreviventes radicados no Brasil; introduzir a história do Holocausto nas salas de aula, além de difundir o debate sobre o perigo da proliferação das ideias racistas e colaborar para a construção de um mundo mais justo e sem preconceitos.
Se você se sente instado a participar, preencha o formulário do Arquivo Virtual (impresso ou on-line, prosseguindo neste caminho) com os dados pessoais do sobrevivente e do colaborador, indique um ou mais sobreviventes de campos de concentração ou refugiados do nazifascismo no Brasil entre 1933-1948 (no caso de esta pessoa já ter falecido, um familiar ou amigo próximo poderá inscrever a história de seus pais, avós, e outros sobre o qual possui referências. Informe aos pesquisadores sobre documentos importantes: fotografias, passaportes, cartas, livros de memórias, cadernetas, cartões postais, livros, desenhos, documentos oficiais, folhetos de propaganda, objetos, etc. Representantes do Arquivo entrarão em contato com você. Os originais serão digitalizados pela equipe e, em seguida, devolvidos aos seus responsáveis.
PS.: Obrigada a Cristina Camargo/Instituto Millenium por passar adiante.



Sabe até há algum tempo eu achava desnecessário e até incomodo alguém ficar nos lembrando e relembrando, afinal evoluímos certo?
Então apareceu este senhor.
Ações como esta são realmente necessárias!
Abraço.
Cético, pode ser incômodo: 1) por razões pessoais; 2) cá pra nós, sempre rolou aí uma indústria, o que é profundamente chato e nocivo ao assunto.
Mas, independentemente dos malucos de plantão, tem a identidade de cada um. Outro dia meu sobrinho me perguntou o porquê de uma parede cheia de fotos aqui em casa, e tentei introduzi-lo no tema do que nós somos, pelo que nossos antigos foram.
No nosso caso, uma saladinha bem temperada.
Lets
O post ficou bacana.
Se o mal é propriedade antropológica, então a memória da presença do mal precisa ser preservada a bem das gerações futuras.
Os mais velhos precisamos sempre preparar os mais novos para a pavorosa possibilidade de que os fornos crematórios existirão, enquanto pelo menos não vier o fim do mundo.
Enfim, habitamos um planeta no qual caímos devido a nossa maldade. E se o mal está em nós, tende piedade de nós meu Deus!
Infelizmente, aquilo que todos queríamos esquecer não pode ser deixado de lado. Por mais triste que pareça, é preciso relembrar sempre, pois os negadores surgem e um belo dia fica esquecida essa página negra da história humana.
O melhor jeito de permitir que um erro se repita é escondê-lo.
É terrível? Sim, mas ainda assim faz parte da nossa história, então deve ser preservado como fato para as futuras gerações.
O pior é que vocês têm todíssima razão. Dilema…
Ói só o protesto anti-Ahmarghdinedarghd que rolou hoje aqui no Rii:
http://oglobo.globo.com/mundo/mat/2009/11/22/cariocas-protestam-em-ipanema-contra-visita-de-ahmadinejad-914874776.asp
(Fia, vou reproduzir o post no blog do IM, tá?)
Brigadão, filhota! Ando tão sem tempo… vou entrar lá e postar voltado para amanhã.
Fique à vontade, sempre!!!
Leticia,
depois que eu aprendi o significado da palavra “shoah”, eu jamais voltei a me referir ao que aconteceu com os judeus como “holocausto”, que é o que se oferece aos deuses. O que aconteceu na Alemanha e arredores dominados, na 2.a Guerra Mundial foi a destruição metódica de um povo. E, embora eu não seja judia, tenho pelo povo de Israel uma simpatia-que-é-quase-amor. O projeto é muito bom, e deve ser passado adiante, sim. Afinal, quem não estuda História se vê condenado a repetí-la, pois não?
Beijos
É, Maria Edi. Holocausto tem outras acepções, embora relacionadas a práticas teoricamente extintas. Mas os próprios judeus usam “holocausto”. Resta saber a qual Deus o fofoleto lá dedicou tantos sacrifícios…
O Arqshoah é fantástico e pode construir uma bela e sólida estrutura. E, pra TER a história, nada melhor que saber a sua própria, não?