Planejando (muito) antes dá

savio.mourão

São Paulo está vendo na Copa do Mundo uma oportunidade de dar um up em seu turismo.

Não seria inteligente se contentar com o lucrativo turismo de negócios e os eventos internacionais que abriga, como a Formula 1. É que a cidade tem potencial em várias outras espécies de entretenimento, e acaba se engessando um pouco nos anteriores.

Um grupo de empresários do turismo hostels – albergues para jovens – pretende atrair esse segmento para a cidade, apontando para as abundantes opções de cultura, lazer e entretenimento:

“A ideia é fortalecer o marketing da cidade em níveis internacionais, buscando fortificar a cadeia do turismo de lazer com os pontos turísticos. Nós temos várias ideias. A SPTuris vai ajudar a nos mostrar o que pode ser feito de maneira proveitosa”, explica o empresário [Sávio Mourão (foto: Juliana Cardilli/G1), dono de um hostel na Vila Madalena].
O foco do projeto – que deve ser entregue de maneira completa em novembro para o órgão da Prefeitura – é atingir o estudante de classe média europeu, que vem para o Brasil com pouco dinheiro, tem a cultura de ficar em hostel e é um grande disseminador das atrações brasileiras no exterior.
“O turista jovem é o empresário de amanhã. O alberguista hoje é o cliente de hotel amanhã. É importante ele ter o espaço agora para voltar no futuro, já formado, com dinheiro, alguns ricos. É um consumidor do futuro, tem que conquistar”, apoia o presidente da SPTuris, Caio Luiz de Carvalho, um dos pioneiros do movimento alberguista em São Paulo. “Os albergues foram um instrumento poderoso na Europa no pós-guerra para unificar os jovens. Isso pode ser aplicado também em São Paulo”. (Íntegra no G1.)

O que achei interessante é que o projeto é voltado para turistas estrangeiros. O que acho pra lá de ótimo. Nada contra o turismo xóvem nativo, mas o que menos uma cidade pode almejar é público que vem com dinheirinho contado só para a bebedeira. Não é nada pessoal. Mas turista com perfil assim não traz nada para a cidade.

De qualquer maneira, vejo cada vez mais gringos de bermuda pela cidade, e isso é muito satisfatório. Apesar de os pontos turísticos estarem bem cuidadinhos e assistidos – a área do Pátio do Colégio é exemplo disso – a coisa precisa de mais divulgação, de mais borogodó.

E, o mais importante, como neste exemplo, cuidar de atrair turismo de qualidade.

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7 Responses to Planejando (muito) antes dá

  1. Ricardo says:

    Pois é, Sampa precisa de alternativas como essa, pois como vc bem disse é cada vez maior o número de gringos flanando pela cidade.

  2. Marcelo Gomes says:

    Realmente a ideia é muito boa, não só para turistas estrangeiros, mas também para os nacionais. Explico: o turista naipe “Shitson” (quem vem pra Sumpa com o dinheiro contado para a bebedeira) acha esta história de albergue “coidepobre”… Tenha certeza de que o turista nacional que se propor a ficar em albergues terá o mesmo perfil do estrangeiro (afinal, ele já conhece o esquema de viagens internacionais).

  3. Leticia says:

    E gringos bem diferenciados, diga-se…

    Ah, sim, Marcelo, sempre tem os civilizados. Mas tenho cá pra mim que Shitson Alecxanderson só vem se puder ter um cantinho no “triliche” de Merdilaine Aparecida. Pagar estadia, nem pensar! No máximo divide as refeições.

  4. Betinho says:

    É uma iniciativa excelente mesmo. Nossa cidade merece. Nos meus tempos de noite sempre apareciam uns gringos que estavam mochilando por aqui, e eram clientes altamente lucrativos. Nada de beber água na torneira do banheiro. Era garrafa de Black Label na mesa e petiscos a vontade.
    Era muito bom encontrar esse tipo de turista. Muitos estavam curtindo férias pós formatura, as vezes vinham de tours por vários paises e as histórias eram divertidíssimas de ouvir.
    A diversão de uma noite papeando com uma turista alemã e duas neozelandesas não tem preço. Imaginem um brasileiro de inglês sofrível e 3 gringas falando inglês com um sotaque incompreensível…rs
    Parece bobagem, mas essas experiências estimulam os locais a aprenderem sobre outros lugares, outros idiomas e a querer sair da toca para ver o mundo.

  5. Leticia says:

    Verdade, Betinho, tem a interação também. Não que isso não possa ser feito com turistas daqui mesmo: outro dia estive com um casal do interior de São Paulo que me contou coisas interessantíssimas sobre sua cidade natal.

    Mas a pior coisa é turismão jerereca. Meus pais moravam numa cidade do sul de Minas que atrai zé-ruelas das cercanias com shows não sei de quê. Esse povo não come nada além do necessário, não gasta nada na cidade. O único rastro que eles deixam é um mar de lixo no terreirão onde rolou a apresentação. Não dá, né?

  6. malu says:

    Ótima idéia. O turista estrangeiro ve São Paulo como um cidade altamente cultural cheia de teatros e shows.
    O estudante lá de fora viaja e viaja muito pelo mundo. É uma forma de aprendizado. E eles não tem perfil e dinheiro para hotéis mesmo os mais simples. São Paulo tem muito a ganhar com essa idéia.

    Santa Tereza já deu o que tinha que dar lá, infelizmente, só tá ficando os “pé sujo” e segurança ZERO.

  7. Leticia says:

    Malu, minha philha, tem certas coisinhas da vida que preciso avivar na sua memória: o turista estrangeiro, por mais duro que seja, é muito mais interessante ao turismo do que o nacional duro. Fora que não joga lixo no meio da rua…

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