
Estadão, via Noblat:
“Não me lavei nem troquei de roupa desde que cheguei e tenho dormido de roupa no chão”, revelou o escritor Milton Benítez, de 32 anos. Ele diz que não votou em Zelaya, mas está ali para apoiar sua volta ao governo. Benítez, que usava uma camiseta com a imagem de Ernesto “Che” Guevara, disse que só conseguiu escovar os dentes uma vez – e isso com uma escova de dentes que outros nove usaram também. Um caminhão-tanque encheu a caixa d”água somente no fim da tarde de quarta-feira.
Jesusinho Cristinho, a gente não pode se colocar no lugar dos outros em situações extremas – mesmo que elas tenham sido cuidadosamente armadas. E também não dá pra imaginar que partidários de Zelaya andem por aí com uma nécessaire.
Mas compartilhar escova de dentes é, literalmente, o Fim da História.
Partindo do princípio de que uma boa limpeza nos dentes se dá de maneira mecânica – cremes dentais comuns são quase uma perfumaria pra coisa – , e que a boca de cada um é um universo insondável, eu dispensava a solidariedade latinoamericana, botava em ação todo meu individualismo burguês, desmanchava uma costura com as unhas e improvisava um fio dental. O resto ia com o dedo mesmo. Com a unha! Com a saliva!
Na pior das hipóteses, sairia de lá como egoísta capitalizadora de uma gengivite, uma cárie, um tártaro.
Tem coisa que não é fruto de privação. É do íntchimo da pissoa mesmo…
(Não, não vou falar da higiene das outras partes…)
- Foto (AP): Devem estar abafando a escovinha numa embalagem de viagem. A bem da resistência.



Por isso que sempre pego aquelas “saculinha” do motel, com escovinha, pasta, sabonete e xampu, fora o pente de “prástico”.
Vai que fico preso numa embaixada com um monte de chulezento?
Sempre, sempre, Ricardo! E um pacotinho de Kleenex. E uma embalagem de lenço umedecido. E o um álcool-gel. E um pacote de absorvente, pra quebrar um galho temporário em caso de perda de bagagem. E, finalmente, um desodorante, né?
Dá quase para sentir o futum pela foto! Cruzes!
Agora tem a última lenda do “El Bigodón”: gases venenosos foram lançados na embaixada pelo “governo golpista”… Será que não é a própria fedentina deles que está causando efeitos colaterais?
Marcelo, a categoria de ser humano que mais me dá asco é aquela que, acuada, cria fatos, inventa qualquer coisa pra sair por cima. No fundo, no fundo, essa gente é como minha vizinha Osm: põe o dedo na cara de todo mundo aqui no prédio e, em última instância, finge que está tendo um AVC e chama o Samu.
Portanto, se a situação de Honduras se estender, aguarde um piripaque de Zelaya para breve.
Gases venenosos, nada. Dá pra imaginar por que queriam as máscaras. Magina a nhaca desse povo? Argh!
Cris, eu tenho a firme convicção de que a visão de mundo de cada um parte dos respectivos paradigmas da higiene diária…
É o mesmíssimo princípio regendo várias coisas: eles acharem superbacana se enfiar em 80 pessoas lá dentro, conclamar a população ao levante ontem e… dividir a escova de dentes.