A suprema urbanidade de ser quem se quer

glamore-copia

Adoro mostrar o trabalho de meus amigos. E adoro também o fato de São Paulo oferecer trabalho variado pra gente, sempre. E adoro que meus amigos – todos eles – tenham seus talentos; e mais, que tenham seus talentos reconhecidos.

Sobretudo, adoro o jeito urbano de lidar com o trabalho: o trabalho urbano chama quem se desenvolveu urbanamente e está disposto a trabalhar urbanamente: com versatilidade, naturalidade e sem nhenhenhéns de vaidade. E Marie Tourvel é assim: encara tudo com tanta naturalidade que de vez em quando desfila com esse seu pseudônimo – que nunca sai, porém, do seu controle.

Eu também tenho o meu, Raquel tem o dela, um monte de nós circulamos por aí com todo mundo sabendo ou sem que ninguém saiba. Inventamos os nomes que queremos, para que possamos usar nossos próprios nomes nas ocasiões corretas, ou seja, as que nós escolhemos.

E graças a Deus estamos em Sumpa: a gente não pode fumar, mas também não encontra resistência do chefe quando preferimos assinar, sei lá, Ferolla Bambinescu.

E la Tourvel, mulher descoladíssima, modíssima, salto-altíssima e entrosadíssima com quem interessa, empresta sua multipolaridade jornalística aos mais variados targets, temas, mídias e que tais. Como neste trecho de sua nova coluna e o delicioso arremate:

[...]

Na hora da explicação, é batata que ele citará  Madame Bovary, que é justamente um romance escrito pelo Flaubert (que se chamava Gustave; guarde esse nome). Dependendo de quem estiver na roda com ele – se for gente com ternos baratos ou não muito limpa, que intelectual é tudo gente esquisita – você pode até arriscar um comentário assim: “Nossa, Nelson, querido, não lembra a Helô, filha da Cidinha e do Lélio? Ela não se segurava nas calças, aquela moça. Um namorado atrás do outro. Tadinha. Aliás, quer mais champã?”. Faça isso que ele vai te adorar. Vai acender um charuto caro e dar uma piscada ao barbudo esquisito com cara de comunista postado justamente à esquerda, e dizer: “Que bobinha, essa minha pururuquinha”.

[...]

Marie Tourvel é francesa do Bananão, de onde viu Anna Karenina morrer. Tem um blogue, http://asletrasdasopa.blogspot.com, e participa de outro, http://portadovento.blogs.sapo.pt/. É bonita, cheirosa, charmosa, dengosa e, no momento, daria tudo por seu mundo e nada mais.

Pode? Sim, pode. Mas é pra poucos.

  • Revista Glamore, n. 0. (a coluna de Tourvel está na p. 8.)
  • Meu alterego adorou esse logo, Marie!
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4 Responses to A suprema urbanidade de ser quem se quer

  1. Lets, minha amiga querida, pode? Se você diz que pode, então pode. :) ))))
    Muito obrigada pela divulgação da minha coluninha na revista Glamore. Cê gostou do logo, né? Esse também é para poucos. :) )))

    Um depoimento de Marie: A Lets é uma amiga mais que especial. A gente vai gostando dela lendo seus posts nesta “Flanela” e já nas trocas de mensagens por comentários em blogues. E quando chega a hora de tomar aquele café, seja no Espaço Unibanco seja no Franz da Heitor, a gente já se senta na mesinha e sente aquele carinho “igualquenem” por nossos irmãos. Foi assim com a Lets e com a Raquel, duas queridas que vieram para ficar em minha vida. Amo as duas.

    Beijos!

    PS: E se a gente não pode fumar vai pra calçada e não se fala mais nisso. :) ))))

  2. Leticia says:

    Logo fantástico! Adorei mesmo!

    Marie, você é que é especialérrima! Num Frans, num almoço em um lugar especial ou fumando na calçada.

    Versatilidade, versatilidade, amiga!

  3. Raquel says:

    Podemos ir pra calçada fumar, digo vosmecês, eu só quero um mantinha de lã bem quentinha que já to vendo que vou sentir frio. Nhé!

    PS: Criaturas minhas, não consegui entrar na página dá errore… Nhé!

  4. Leticia says:

    O verão chegou de atalho, Raquel, graaaaaças a Deus!

    Aqui o link está funcionando… Tente novamã.

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