A quizila dos fretados

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Está engrossando essa história de protestos contra as restrições aos fretados imposta pelo Prefeito Gilberto Kassab. E isso porque ainda estamos em julho, mês tradicional de férias do povão. Imagina a cidade semana que vem, com a volta? Não dá nem pra pensar…

Há quem afirme que fretado é um buzunga melhorado. Vamos dizer assim que é o transporte coletivo do rico e o táxi do pobre.

Alguns fretados fizeram, ao longo desses anos, verdadeiras comunidades. Rola venda de coxinhas, fofoca, festa de aniversário, comemoração de Natal, final de ano da firrrma… Enfim, já é uma instituição há muitos anos em São Paulo.

Por outro lado, essa história de “onde o fretado deve parar” é um furdunço mesmo. Eu acho meio demais um fretado parar em qualquer ponto de qualquer rua pro povaréu descer onde bem entende, como se fosse um ônibus comum.

Mesmo que isso ocorra em terminais. No curto tempo de uma péssima experiência na Barra Funda – eu ainda tinha o privilégio de não dirigir -, a coisa era uma verdadeira festa do caqui. Eles – os fretados – tomavam as paradas de ônibus do Terminal Barra Funda e, junto com as lotações (ai, que tempos!), você enxergava tudo o que vinha, menos seu humilde e rarefeito ônibus.

Por outro-outro lado, o que fazer se Merdicreuza trabalha numa fábrica num lugar inóspito e a única condução decente que ela tem é  descer numa estação de Metrô mais central, de onde ela pega o fretado para dar seu expediente no meio do nada?

Mas você há de dizer: e os fretados que vêm de longe e vão despejando as criaturas em plena Paulista, quando lá há de tudo em matéria de transportes?

Também acho. O ideal seria ele fazer ponto final na Estação Mar da Tranquilidade e embarcar no Metrô rumo a seu destino trabalhístico.

Mas é uma questão difícil. É a velha coisa: o Poder Público só se mexe depois que o problema se estabeleceu. Toca a cidade como se improvisasse um churrasco na laje.

Aí tem de dar é nisso mesmo.

  • Foto (Nilton Fukuda, AE). Neste link, um mapa com “ajustes” feitos pela Prefeitura ao projeto. Não sei se resolverão, não…

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8 Responses to A quizila dos fretados

  1. Fábio Max says:

    O Kassab está certo, porque ele deixou claro que não há proibição de fretamento, mas apenas regulamentação.

    Na linha adotada pelo povão, que é o vale tudo, pára onde quiser, faz o que bem entende e os incomodados que se danem, esse serviço virou uma zona a atrapalhar o trânsito e por em risco até mesmo a vida dos usuários.

    É simples: empresa que contrata fretamento de ônibus para seus funcionários deve determinar previamente um itinerário, horário e locais de parada e, na sua sede, determinar um local de parada que não atrapalhe o trânsito e não ponha em risco a vida de pessoas.

    Acontece que a teoria popular do vale tudo determina que se aquele grupo de indivíduos trabalha numa empresa na Avenida Paulista, o ônibus deve parar na Avenida Paulista pouco se lixando para quem vem atrás ou para o engarrafamento que vai causar. Se houver coerência e educação, o ônibus pára numa rua lateral e os transportados fazem o esforço DESCOMUNAL de andar uma quadra para chegar ao serviço!

    Mas uma quadra para mal-educado é insulto… o fato é esse!

  2. Leticia says:

    A regulamentação é que faz um estrago, Fábio. A maioria dos fretados tem itinerário, horário e locais de parada. O problema é a quantidade. E mesmo que, suponhamos, o ônibus pare a 3 quadras da Paulista, o problema continua. Eles atrapalham o trânsito à beça.

  3. Fábio Max says:

    Então, mais certo ainda o prefeito. Delimita locais onde eles podem parar e ponto final. E se a prefeitura tiver que montar estruturas para isso, fácil, cobra taxa.

  4. Leticia says:

    É isso aí, Fábio. Apesar de a medida atrapalhar a vida de muita gente, não tem sentido eles circularem pelo centro expandido.

    É desovar nas estações determinadas e o povo completar o trajeto de metrô.

  5. Paulo Lopes says:

    Letícia e Fábio:

    O problema não é a quantidade de ônibus fretados. O problema é a desorganização do sistema.
    É indiscutível os benefícios que esse meio de transporte oferece, retirando muitos automóveis das ruas.

    O ideal seria a prefeitura analisar tecnicamente, estudar rotas alternativas, pontos de embarque e desembarque não tão centralizados. Isso seria o ideal. Para os passageiros, para o trânsito e para a cidade.

    O problema reside na falta de planejamento das mudanças (inclusive, admitidas pelos técnicos da prefeitura).

    Torço para que a prefeitura tenha a humildade de reconhecer que tomou medidas muito radicais e ouça as propostas da sociedade.

    Abraços

  6. Leticia says:

    Oi, Paulo Lopes, seja bem-vindo ao Flanela!

    Acredito que a desorganização do sistema tenda, agora, a melhorar.

    E a quantidade de ônibus fretados não é, em si, o problema. O que acontece é que ela esconde um problema maior: a eterna incapacidade de o Poder Público prover transporte de qualidade.
    É uma questão complexa numa cidade deste tamanho? É. Mas, como eu mencionei no texto, faz parte de problemas antigos, que nunca contaram com a proatividade de prefeitura alguma.

  7. Paulo Lopes says:

    Leticia, obrigado pelas boas vindas !

    Voce tem razão. “O buraco é beeeeeem mais embaixo”..

    Felizmente, algumas flexibilizações estão tendo resultados positivos.
    Exemplo disso, foi a operação na Berrine com 8 pontos de parada, inexistentes até 3a feira. Ontem à noite, transcorreu tudo na mais absoluta paz..

    “Que os anjos digam AMÉM”..

    Bom dia a todos !

  8. Leticia says:

    Paulo, só quero ver na segunda-feira, volta das férias, ai ai ai!

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