Por uma Bienal pobre, mas… limpinha???

Começo com a síntese sintética de Tutty Vasques no Estadão de hoje:

Parece que o público entendeu a idéia da “Bienal do Vazio”. Ontem, na reabertura da mostra no Pavilhão do Ibirapuera, não havia filas nem para andar de tobogã.

Pra quem está por fora, o evento deste ano veio com um conceito boko-moko cheio de blá-blá-blá pra encobrir outro muito mais prosaico: a falta de grana. Simplesmente manteve um andar totalmente vazio, achando que os visitantes chegariam lá e diriam: oooohhhh, que significativo!

Artistas e entes ligados ao mundo das artes que se creem donos do pedaço tiveram, então, um “choque de realidade”; Aberta em 26 de outubro, logo no primeiro dia a Bienal apareceu com pichações como a da foto, feitas por grupos denominados “Susto”, “4” e “Secretos”. De lambuja, os “vândalos” quebraram vários vidros do prédio. Houve tumulto e aquela coisa pheena® virou uma delegacia: “ninguém entra, ninguém sai”, até que a PM chegasse. O pessoal da organização, é claro, “repudiou” o ato.

Andrea Matarazzo, secretário das subprefeituras, membro do conselho da Bienal (!?) e sobrinho-neto de Ciccilo Matarazzo – que emprestou seu prestígio e empenho para que a Bienal fosse criada em São Paulo nos anos 50 – ficou tiririca. Ele até entende o esforço de Ivo Mesquita, curador do evento, diante de um orçamento reduzidíssmo. Mas tudo tem limite, não? A manter um andar totalmente vazio, Andrea preferiria que não houvesse evento algum.

Bem-feito! Mas não é esse o pessoal da criatividade? Tenho cá comigo um conceito muito tosco, mas difícil de rebater: quem não sabe lidar com a falta de grana não tem criatividade coisíssima nenhuma.

A Bienal é feita para o povo, nénão? E não tem povo que engula uma falácia dessas: um andar vazio pra oferecer ao visitante

“[...] uma experiência física da arquitetura do edifício. É nesse território do suposto vazio que a intuição e a razão encontram solo propício para fazer emergir as potências da imaginação e da invenção. Esse é o espaço em que tudo está em um devir pleno e ativo, criando demanda e condições para a busca de outros sentidos, de novos conteúdos.”

Ainda disseram que era uma oportunidade do visitante olhar melhor pra “arquitetura do prédio”.

Tô sabendo. Da próxima vez, usem esse conceito em cima de seus salários. Andrea Matarazzo já questionou o tamanho da participação do estado no evento. A julgar pelos caminhos que toma a Bienal (da última vez que fui, há séculos, topei com um monte de uns 5 metros de altura só de tênis velhos) estou achando que a coisa vai de mal a pior. Ou trocam esses curadores-conceito ou o Estado tira o corpo fora. Eu pago, e pago com gosto, a manutenção de uma Pinacoteca, e até de um Masp mal-gerido. Mas isso? Nem a pau, Juvenal!

  • Foto: (Via Cadê o Revisor) (Aguinaldo Rocca, VC no G1): Por que vândalo é sempre analfa? Mas, num esforço de entendimento, creio que ele quis dar um tom imperativo: abaixa essa ditadura da “arte” aí, geeeeeentche!
  • ® by Tia Cris.
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5 Responses to Por uma Bienal pobre, mas… limpinha???

  1. Fábio Max says:

    Eu quero mais é que a Fundação Bienal se exploda!

    Anos atrás, puseram um cão vira-latas lá, que morreu de fome, diante dos “artistas” que inventaram a barbárie dizendo ser uma manifestação artística! Se matar um animal indefeso torturando-o daquele modo é arte, então deveríamos fazer o mesmo com os “artistas” e essa porcaria de Bienal, que tem servido para dar espaço e publicidade para malucos exibicionistas, que valem menos que a alma daquele pobre animal… taí o resultado da “seleção” artística que a Bienal faz, até vândalos, marginais pichadores se acham no direito de protestar por algo que eles acham que é arte…

  2. Ricardo says:

    Acho que o Ciccillo deve se revirar na Consolação.

    Aliás, ele foi casado com a Yolanda Penteado, sobrinha do Conde Álvares Penteado e blá, blá, blá…

  3. Pablo says:

    Será que estão querendo abaixar a ditadura do segundo andar para o térreo do prédio? Ainda estou tentando entender.

    Beijo,

    Pablo
    http://cadeorevisor.wordpress.com

  4. jorge says:

    Essa tal de bienal e um lixo, sou + os pixadores!

  5. Tia cris says:

    Que esse povo inventa um monte de asneira pra tacar conceito artístico até num cocô, a gente já sabia, mas conceito artístico num andar vazio é uma das coisas mais cretinas que eu já vi.

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