
Duzentos e trinha milhões de reais. Este é o montante de grana que o turismo de Formula 1 está atraindo pra cidade este ano. Trinta paus a mais que no ano passado. E sem crise. Até porque as viagens já tinham sido planejadas e fechadas antes do tsunami americano. Desde o Hotel Fasano até o Hotel Feelings, está tudo praticamente lotado.
A F1 é um turismo para alto poder aquisitivo e envolve, necessariamente, muito mais gente que qualquer outro. Para se ter uma idéia, a última Parada Gay movimentou R$ 189 milhões. A Bienal (hirc!), em torno de R$ 120 milhões. O Carnaval deste ano rendeu pra cidade minguados R$ 40 milhões.
Por isso, acho mesmo é bom que a Prefeitura fique sempre de olho bem esbugalhado nos gastos e na qualidade do Autódromo (José Carlos Pace) de Interlagos. Porque o autódromo tem calendário constante e os preços “salgados” não espantam os usuários. Segundo o site do circuito:
[...] reformas anuais no autódromo, na atual gestão, destacando a redução gradativa das despesas e uma sensível melhoria na receita. Enquanto, por exemplo, em 2004, o déficit do autódromo foi de 5.2 milhões de reais, em 2007 caiu para 799 mil reais. E as obras prosseguem. Para o GP Brasil deste ano, dias 31 de outubro, 1º e 2 de novembro, o circuito terá um novo hospital – uma solicitação da própria FIA – além da conclusão do módulo “M” da arquibancada com capacidade para mais 2.5 mil lugares. A adequação de Interlagos inclui ainda uma estrutura fixa para o Hospitality Centre, com possibilidades de uso para outras atividades, e melhorias na área de paddock.
“Estamos cumprindo rigorosamente tudo o que foi prometido. Interlagos estará ainda melhor este ano”, disse Caio Luiz de Carvalho. A Prefeitura Municipal tem contrato com a FOM – Formula One Management – para a realização da corrida em Interlagos até 2014.
A única coisa desagradável do GP deste ano é que já percebi que a Globo faz de um tudo pra substituir um ídolo por outro. Não é segredo pra ninguém que sempre achei Ayron Senna um chato, e acho mais sacal ainda essa lembrança chorosa toda, como se ele fose da família (blargh!). Agora, pelo jeito, é Massa, que anda massivo demais (que trocadilho porco!). Não aguento mais olhar pra cara dele. Espero que não se torne um pé-no-saco também.

- Fotos: acima (O Globo): botei fotinho do Pace só de desaforo. Esta foi no GP de Interlagos em 1975 (ao lado de Fittipaldi). Pelo menos, ele teve a hombridade de morrer num acidente de avião; e longe das câmeras. Abaixo (Marcelo Pereira, Terra): ranhuras feitas na pista, caso chova. Acho lindas essas finalizações certinhas da engenharia civil!



É verdade, se o Massa for campeão, a Globo inicia imediatamente seu processo de canonização.
E vai arranjar rapidinho uma apresentadora de programa infantil para namorar com ele e dar declarações apaixonadas no Faustão, bem do jeito que o povo burro gosta!
Pois é: não é melhor trazer eventos assim, fazendo as coisas numa boa, do que armar um baita circo pra trazer Copa do Mundo pra Botocúndia?
Só de pensar tenho calafrios, mas vai falar isso perto dos pais-da-pátria: vão me queimar na fogueira santa, amarrado numa das traves do Maracanã.
Letícia, mas pra mim, é um grande mistério quem lota a platéia… Parece que todos os lugares são dados por empresas. Uma vez, quando morava aí, hospedei um primo de Curitiba que foi pra lá. Ele falou que a platéia não parecia ser de gente que compra ingresso.
Ricardo: nas melhorias de Interlagos este ano foram gastos 30 milhões. Pra lá de compensador, não?
Miguel, talvez o público seja diferenciado porque o grande prêmio passa na TV. Então (ainda mais com ingressos que chegam a 7 paus), só vai lá quem é fissurado na coisa e, pra ser fissurado, precisa ter grana não só pra isso como o resto do ano também. Ou então, só a empresa pagando mesmo. Sei lá. É a única explicação que vejo.
Tá rendendo um tico mais que encadernação…