Vereadores

Sra. Heida Woo,
Sou eleitora, moradora do Sumarezinho, e gostaria de saber quando sua Kombi e seus alto-falantes irão embora da minha região.
Hoje é sábado, 11:30 da manhã, e seu carro de som está perturbando o já escasso silêncio da rua Heitor Penteado e adjacências.
“Enxergar além das necessidades individuais, enxergar a necessidade do coletivo.
Servir ao próximo.
Ame São Paulo”
Esse são alguns dos pensamentos constantes do site da candidata. Portanto…
Atenciosamente,
Mandei isso agora de manhã, na raiva, para essa candidata. Havia tentado ligar, mas ninguém atendeu. Foi por e-mail mesmo.
Fico pensando cá com meus botões se as pissoas em gerais ligam uma coisa com outra. Já faz alguns anos que São Paulo decidiu, espontaneamente, não emporcalhar mais os postes, tapumes e fachadas com lixo de campanha. A poluição sonora foi pelo mesmo caminho, com exceção de um ou outro candidato que ainda ousa lançar mão de promoção tão rasteira. Aliás, é uma anti-propaganda. Outro dia vi um carro escalafobético aos berros na Doutor Arnaldo, com a cara enorme da Marta toda distorcida colada nas curvas da carroceria. Claro que não era propaganda direta dela. Era de algum candidato do PT cuja ficha de civilidade ainda não caiu.
O que pode oferecer à cidade um candidato que passa por cima de qualquer senso e me sai com uma Kombi aos berros num bairro residencial em pleno fim de semana? É como se eu resolvesse acender um cigarro enquanto aprecio a Virgem de Boticelli no Masp. Pode? Não pode. Carro de som é a mesma coisa. Se a prefeitura proibiu as pamonhas de Piracicaba… Mas nem que estivesse liberado. Mas nem que fosse em horário comercial. Mas nem que fosse na Prestes Maia.
Portanto, se eu morresse de amores pela senhora Heida Woo, uma japa loura e de propostas holísticas, mudaria meu voto imediatamente. Vá berrar em outra freguesia. Vai amolar o boi. E tomara que não leve. E tomara que outro, cuja promessa é fornecer “quentinhas” nas filas dos hospitais, perca também. Se fosse sério, se dedicaria a acabar com as filas, isso sim.
A Vejinha publicou uma matéria interessante, baseada em informações da ONG Voto Consciente, que desde 1987 está de olho na atuação dos vereadores de São Paulo. Critérios como assiduidade, fidelidade partidária e relevância dos projetos apresentados são levados em conta. O resultado, obviamente, é uma lástima.
Mesmo que o querido leitor não seja de São Paulo, é bom dar uma olhada. Vou além: pra ter uma Câmara decente, qualquer cidade deve não só acompanhar o trabalho do seu candidato eleito como ficar de olho no trabalho dos outros, durante toda a legislatura, em todas as legislaturas. Enfim, deve se interessar pelo andamento de seu município sempre e sempre. Esse negócio de “ouvir as propostas do candidato” é furada. Isso é apenas uma nova roupagem pras “promessas”. Tem de saber o que o cara tem sido antes disso.
Já disse aqui algumas vezes (e acho que é o Fábio Max que pensa do mesmo jeito): vereador, da maneira como conhecemos, não serve pra nada. A única utilidade da Câmara e abrigar representantes de lobbies muitas vezes duvidosos.
Tenho na ponta da língua os nomes de gente de São Paulo que se candidata como meio de vida, e só. Está cada vez mais difícil escolher candidatos sérios. Sim, eles existem. Mas o que toma conta cada vez mais é o bundalelê, em que não distingue um cantor brega de um administrador, uma piranhuda de um político sério.
Chega de dia do imigrante afegão. Chega de projeto de nome pra rua. Chega de marmitex. Chega de estofar tragédia. Chega de gente chinfrim. E chega de candidato sem educação.
***
Falando nisso, hoje sonhei com a Marta. Juro. Estávamos numa situação de multidão, em que as duas tentavam ser cordiais uma com a outra. Eu lembro que cheguei a elogiar sua horrível blusa de seda, metade vermelha metade verde-bandeira. E ela tinha um terço de sua circunferência atual. E estava muito fofa comigo, muito mais do que eu poderia ser com ela. Mas eu estava cumprindo a lição de casa. Amuada, mas estava. Não aconteceu nada de especial. O sonho foi o clima, sabe?
Ai ai ai…
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6 Responses to Vereadores

  1. Ricardo says:

    Aqui na roça ainda andam os carros de som, com paródias de axé miusiqui nas quais encaixam o nome do candidato: Nequinha, Tião da Creusa (sim, são verídicos).

    Quanto aos vereadores, na vila de São Paulo de Piratininga, lá nos 1500 e fumaça, os escolhidos eram os chamdos “homens bons”: cidadãos respeitáveis, probos, que não ganhavam para ir à Câmara e legislavam naquele meio de sertão. Como as coisas se inverteram.

    Quanto ao seu sonho, estou rindo até agora, imaginando a cena.

  2. Ai que sonho lindo! Letícia, aqui em Jundiaí meu quintal é diariamente soterrado de santinhos!!! Eles não sujam mais posts, nem muros, nem nada… Mas a casa das pessoas mesmo! Um desaforo, e não consta nem fone, e-mail nem nada pra reclamar. Ah, já atendi um telefone que era telemarketing também!
    Outra coisa, sou bem menos otimista do que você sobre se existe realmente candidatos sérios a vereador… E concordo que vereadores são só um luxo totalmente desnecessário. pelo menos do jeito que está sendo encarado.

  3. Leticia says:

    Ricardo, eu já não acho grandes coisas dos “homens bons”.

    Miguel, gostou do meu sonho? Eu ainda quero crer que há uma luz na vereança. Mas está ficando difícil.

  4. Fábio Max says:

    Cheguei depois das duas da madrugada em casa… não que isso seja excepcional, porque teve um tempo em que eu chegaria as 5 e nem iria dormir… mas quase 40tão, chegar em casa depois das duas exige uma boa noite de sono, noite esta alongada pelo menos até as 10 da manhã.

    Mas hoje, um FDP cabo eleitoral de candidato resolveu começar a tocar musiquinhas cretinas as 7:45 da manhã, bem na porta da minha casa.

    Haja saco!!!

  5. Flavio says:

    Quem acedita em papai noel?, quem acredita em coelhinho da páscoa?, quem acredita que alguem votado cumpra o que prometeu aos pobres com beijinhos e kits fajutos comprados na vinte e cinco de março rssssssssss??????? esperaaaaaaaaaa!!!

  6. Flavio says:

    Srs seria realmente muito lindo maravilhoso se pudessemos acreditar em alguem que não fosse em nós mesmos, olhando por esse lado, todos os políticos candidatados aos cargos são motivos de exemplos, mais olhando para o lado referente ao amor ao próximo…. me desculpem, não respeitam nem a si próprios.

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