
O “projeto urbanístico” que a Prefeitura bolou para a Vila Madalena sem perguntar pra ninguém é a rosa que faltava em cima do caixão do bairro. Não freqüento aquilo ali faz bem uns dez anos, porque ficou extremamente chato. De um lugar espontâneo para alguns botecos, moradia legal para estudantes da USP e tal, aquilo começou a chamar a atenção da cidade inteira. E daí tome “empresários da noite”, aqueles que montam e desmontam um empreendimento disfarçado de boteco rustique de seis em seis meses e dão uma fragorosa banana para a urbanidade – invadem calçadas, não respeitam a lei do silêncio, montam verdadeiras chocadeiras de manguaceiros e contribuem para um trânsito pavoroso nos finais de semana. De um lugar pacato e interessante, a Vila virou um inferno. Hoje, até pagode tem lá.
Não tenho nada contra bares nem contra produção cultural saída de conversas de botequim – muito menos contra os artistas que freqüentam aquilo. O problema é quando isso é forçado e vira indústria mesmo. Vai atraindo uns vandercreisson (da USP ou não, pode escolher) que não sabem beber, não produzem nada, nunca ouviram falar em um Derrida que seja e não distinguem um dó de um fá. De talento mesmo eles só tem um carro, a disposição pra encher a cara e se soltar um pouco de sua vidinha e a encheção de saco dos coitados dos moradores.
Aqui em São Paulo não é como no Rio. Lá, o Amarelinho é o Amarelinho. A Pizzaria Guanabara é a Pizzaria Guanabara, o Diagonal é o Diagonal e o Villarino está lá, firme e forte. O Lord Jim abriga gerações inteiras das fofas. O Bar Luiz é o Bar Luiz. Até a Casa do Bacalhau do Méier continua lá, pô!
Aqui não. De década em década as moscas elegem lugares, os empresários mandam ver naqueles visuais montados exatamente pra dar uma idéia de velhinho e o povaréu se manda em revoada pra lá, joga conversa fora até saturar o local, esperando pela próxima onda. E aí vem a decadência da moda que se foi.
Nem andar de carro eu ando mais por lá. Não por causa das ruas de mão-dupla, uma das coisas que a Prefeitura vai eliminar. É porque muito carro em rua de mão-dupla não dá certo. Virou um tormento dirigir no bairro, porque, além de tudo, ele atraiu um monte de pequenos escritórios. Vila Madalena abriga a maior quantidade de birôs por metro quadrado do mundo. O que a Vila de hoje tem de bom são as lojas com design. Móveis, roupas, decoração, coisas muito bacanas e criativas. Mas até isso está degenerando. Aos poucos, as grandes lojas batidonas de produção em massa estão abrindo sua filial lá, com ares de alternativo. Daqui a pouco chega uma holding multinacional de artesanato indígena e arrasa tudo de vez.
- Foto: imaginaçã gráfica, via G1: até o piso vai orrrnarrr com a crassimédia que corre atrás de novidades etílicas. Detail na esquina: o projeto prevê uma instalação supermuderrrna com as três irmãs moradoras da chacarona que havia no local antes. Elas dão nome à Vila Madalena e às adjacências, Vida Ida e Vila Beatriz. Pois sim! As coitadas não estarão lá nem em ectoplasma.



Lets
Faz muito tempo que a Vila Madelena está um horror.
No tempo que eu ainda ia lá, já era meio de nariz torcido, Paulo. A mesma coisa quando, nos anos 80, me chamavam pra ir nosbarrrrzinho da Henrique Schaaaaaaaaaaumann.
Parece a João Moura…
Aqui é uma loucura! Vc acha um lugarzinho legal, recomenda e na semana seguinte se ele ainda estiver lá já é sorte!
A João Moura é outra. Ela que se cuide!
Miguel, o problema é justamente o “barzinho legal”. Pra mim, que sou uma chata, ele só começa a ter possibilidade de se tornar legal depois que começam a chamá-lo pelo nome.
O Pé pra fora, aqui perto de casa, por exemplo… (E aquele miolinho que se cuide tb.!)
Pé pra fora é ponto tradicionalíssimo, meus tios já iam lá na juventude (faz teeeeempo. rs)
Essa “obrigaçã” de frequentar os bares da moda é um saco.
Vandicreison e Elislene, que ganham 400 réal por mês convidam os amigos pra comemorar aniversário na balada: dez por cento do salário só pra entrar. (Outra implicância minha: pagar pra entrar nesses lugares, com a desculpa de consumação mínima…)
Aliás, a grande moda é batizar esses redutos com Santo ou Santa, reparou? Tenha a santa paciência…
Eu só queria que me explicassem os “preços” da Vila Madalena. Até a Oscar Freire é mais barata.
Santa isso, Santa aquilo… Isso dá outro post enorme.
Sei lá, Shirlei. Ainda se fosse um Fasano… Agora, me diz por que os preços dos estacionamentos em plena jererequice da Heitor Penteado, me conta? Estamos mais chiques que os Jardins, mas as calçadas e a fiação dos postes cheia de gatos, estas estão firmes e fortes!
Lets
Me contaram que os antigos donos (uma família de protugueses, pois, pois?) do “Pé” não são mais os donos. Venderam. Abriram um super bar (tipo Astor) lá na V. Romana. Naquela rua que tem uma descidona com radar, quando se vai da Lapa em direção à Av. Pompeia. Antes do SESC.
Fui uma vez num tal de São Pedro e São Paulo. A conta foi um estrondo. Fui convidado, portanto, não paguei.
Umas mocinhas lindinhas e espertíssimas na arte de vender bebidas e acepipes. Dizem que dependendo do cara e da grana do cara, rola um programinha.
Atenção: Nada contra as meninas faturarem encima daqueles senhores endinheirados e babões. Reconto o que me contam os amigos endinheirados frequentadores desse tipo de bar. Pode ser pura lorota ou maledicência típicas do gênero masculino. Lá, uma garrafa de um 12 anos básico gira em torno de R$260,00. Um programa básico, imagino, não pode ser menos de R$500,00.
É, mas o pé pra fora continua com o mesmo nome. E cheio, de dar aflição.
Esses nomes me confundem. Sei da Mercearia São Pedro, a fofolete dos lançamentos editoriais.
Sei que rua é na Vila Romana, é na Coriolano ou Clélia, né?
Lembrei. É continuação da Tito. Muda de nome. Desembargador quaquer coisa, acho
Sei não, tô achando o rumo desse papo meio cheio de preconceitos.
Abraços.
Decida, Renato: é “meio” ou é “cheio”? Aqui só tem gente velha, que já frequentava bares quando você nasceu. Quando tiver a nossa idade, vai entender esse tipo de discernimento…