
O Projeto Cine Favela está levando projeções pro povo de onde?, de onde? De Paraisópolis, é claro. Nenhum projeto desses acharia de se despencar para o Jardim Pantanal, porque aquilo é muito looooonge! Paraisópolis e Heliópolis, comunidádjis mais “integradas” (leia-se: próximas) ao gestalt urbano (hummm…), são a nossa Rocinha pós-Conceição, aquela favela fofa, pela qual todo mundo nutre um sentimento de simpatia igualmente fofa.
Olha só que foto piedosa: essa gente toda terá cinema escolhido pelos pela classe média mezzo fefeléchi, mezzo PUC, enquanto a animação filantrópica durar. Essas crianças já têm aulas de berimbau, capoeira, balé, manejo com recicláveis, e até uma sucursal do Einstein lá dentro. Não lhes sobra tempo nem de bater uma bolinha, tamanha a quantidade de gente ba-ca-na querendo purgar sua culpa endinheirada – além de acabar com assaltos na vizinhança, é claro.
Entendo que essas iniciativas são de boa intenção, mas se igualam a dar um pirulito pro menino no sinal: não servem pra absolutamente nada, a não ser livrar a consciência dos que as promovem. Senão vejamos: os pobres, apesar de pobres, têm o sagrado direito de escolher a que hospital ir, que profissão abraçar, a que hobbie se dedicar. E se uma menina dessas enfiasse na cabeça de entrar pro hipismo? Nã nã ni nã não, é capoeira ou balé. Ou então preparar os enfeites de garrafa pet pro Natal. Escolhe. E nem pensar em dar chilique, porque estamos lhe fazendo um favor.
E se ela quiser ler um livro que acabou de sair? Não, só pode escolher entre aqueles da biblioteca que alguém teve a iniciativa de montar, nem que a estante só tenha velharias jurídicas. Ela, a menina, tem de dar valor à leitura, seja ela qual for, e fica lindo ver sua perseverança em livros cheios de ácaro. Suas vizinhas etárias do Morumbi, nem pensar!: têm rinite.
ONGs, madames e cineastas legais ajudam apenas a legitimar espaços horrorosos onde se vive mal. No fundo, no fundo, douram a coisa a fim de mantê-la e fazer crer aos coitados que morar em favela pode ser uma coisa suuuuper-lúdica. E o povo acaba acreditando – “esse é meu lugar, esse é meu cantinho”.
Eu queria mesmo é que um baiano desses pudesse ter perspectivas pra juntar dinheiro, sair daí com uma fragorosa banana, dizendo: eita, lugar da peste!, e escolher um imóvel de seu agrado, no lugar que lhe convier, com todas as malícias e conhecimentos e orientações e preferências que qualquer um de nós tem. Chato, não? Chocante até… Mas ele tem direito.
- Foto e fonte: Carolina Iskandarian, G1.



douram a coisa a fim de mantê-la e fazer crer aos coitados que morar em favela pode ser uma coisa suuuuper-lúdica. E o povo acaba acreditando – “esse é meu lugar, esse é meu cantinho”.
With a little help from Regina Casebre na Grôbo.
Favela é mó legal.
Favela é fedorenta. Aqui em São Paulo nunca me dei esse deleite, mas já subi na Rocinha, no Complexo do Alemão, da Cachoeirinha… Fede! Ninguém merece aquilo.
O problema todo é que a favela as vezes, está na mente das pessoas. Aliás, tem gente que até pode sair da favela, mas a favela não sai dela…ahahahahah!
Negocio é o seguinte: Se você chegar para todos os moradores de Heliopolis e disser que vai construir um conjuntão habitacional com casas decentes para eles viverem, 90% vão pazer passeata e fechar as marginais de Sampa para não sair dali nem deixar ninguém mexer um prego no lugar.
Quer saber? Tem hipocrisia aos borbotões dos bacanas mesmo, mas a regra entre os habitantes de favela é querer continuar lá, agindo como se não existisse Lei e ordem e vivendo feito animais.
É porque eles não conhecem coisa melhor. Não conhecem porque não tem ninguém pra indicar.
Não tem um negócio de pão e circo… ou brioches… Não lembro, minha cabeça anda tão ruim…