
Vocês sabem que ando trabalhando como uma moura. Sábado eu ia sair, não saí. Domingo eu ia sair, acabei não saindo pra dar conta do serviço, e hoje poder fazer outras coisas. Ontem fui dormir tão esbagaçada que tive de tomar um banho (duas horas depois do anterior) pra me sentir um pouco mais renovadinha. Deitei na cama e liguei a TV. Não havia nada que prestasse. Mas, entre essa imprestabilidade toda, gostaria de chamar a atenção para o DOC TV III de ontem, lá pras 23 horas, na TV Cultura. Não assisti a todo o programa, mas entre um zap e outro tirei minhas conclusões.
Essa senhora aí da foto se chama Raimunda, e o documentário intitula-se Raimunda, a quebradeira. Ele retrata o assentamento dos sem-terra quebradores de coco de babaçu em alguma região que não conheço. Não sei das lutas desse povo, nem de como eles conseguiram se assentar por lá. Mas isso não importa. Não importa nem pra mim, nem pra Raimunda, nem pro produtor do vídeo, nem para o Paulo Markun, presidente da TV Cultura.
O que importa mesmo é o proselitismo deslavado de Raimunda a favor de Lula. Eu não tenho estômago pra reproduzir o que ela disse literalmente, mas a lógica é essa: a.L., eles eram pobres infelizes. Agora, d.L., eles são um povo com identidádji, e têm o que comer, e etc. etc. etc.
Eu só tenho a lamentar que a TV Cultura, apesar de apinhada de petistas saindo pelo ladrão (sem trocadilhos) há tempos, agora tenha finalmente de se curvar às diretrizes “agora, sim” de seu novo presidente.
Não por ele ser petista em si. Mas por esse tipo de programação ser de baixíssima qualidade.
Não por o documentário mostrar a vida dos sem-terra. Mas por fazer propaganda política nua e crua.
Eu lamento, lamento mesmo, que o meu dinheiro e o de todos os paulistas esteja servindo pra quebrar galho de diretor revoltadinho com o sistema, e viabilize campanha para incompetentes. E lamento que o espírito democrático-aliancístico de José Serra tenha ido tão longe ao nomear Paulo Markun para a presidência da TV Cultura.
Meu único alento é que ninguém vê um troço desses, ainda mais tarde da noite. Só eu.
E viva o Domingo espetacular!



Brasileiro a-do-ra miséria na TV, desde que em algum momento, o diretor arranque uma lágrima do entrevistado.
Perdeu tudo no desbarrancamento do morro, porque jogava o próprio lixo nas encostas? Sem problema, lágrima na TV, tá perdoado!
Perdeu tudo na baixada, porque jogou sofá, fogão e geladeira velha no rio que passa em frente? Chore na TV, vire herói e símbolo para arrancar dinheiro daqueles otários que depois ainda saem ajudar.
Tava dirigindo bêbado e em alta velocidade e matou 5 crianças? Sem problema, chore na TV e se declare arrependido, que vão dar um jeito de aliviar a pena final.
O proselitismo em favor do Lula nem me incomoda mais, porque até bacanas o tem praticado. O que me incomoda é que no Brasil, pobre não tem responsabilidade e ninguém o chama à ela. Essa senhora, provavelmente recebeu um lote de graça de algum governo, mas só vai à Tv elogiar quem lhe paga bolsa-família. Então, não precisava do lote…ele que ficasse com alguém interessado a dar a ele efetividade econômica;
Comentei lá no Tambosi, replico aqui:
Eu odeio documentário de tv pública.
Na verdade, eu não tenho mais saco pra esses documentários de cega esmolenga que canta, de assentado andando de cg 125, enfim…
Fico me lembrando daquela carta do “jornalista” que, depois que a globo lhe deu um pé na bunda, escreveu falando mal da dita. Em dado trecho, ele faz referência à “mendiga de estimação” que vivia pedindo em frente ao prédio da Globo. Nesse ponto parei de ler.
Fábio,
Quanto ao seu comentário, eu tinha uma frase que falava pros meus amiguinhos diretores, e eles não gostavam muito (acho que era porque sintetizava a bobagem que eles estavam filmando). Toda vez que vinha esse tipo de cena eu dizia: Close no chorão.
E lá vai a câmera em zoom, bem pertinho pra não perder uma lágrima.
Pode notar, é sempre assim.
E o pior, Túlio e Fábio, é que a fórmula, quanto mais batida, mais sucesso faz.
Quero deixar bem claro que eu estava zapeando, hein? Também não tenho saco pra esses documentários. Ainda se fosse sobre a fabricação de perfumes na França…
Ainda bem que não vi essa desgraça. Mas o Markun tá lá pra isso mesmo, pra amaciar…
É a velha cultura do pobrismo, de as ishquerda da mídia gostam tanto.
ainda bem que cada vez menos vejo TV… me faz mal para os “nervos”