Hoje levei minha mãe e minha tia na capela da Santa Cruz dos Enforcados, sobre a qual já falei. Era pra ir de carro, mas afinal as duas resolveram ir de Metrô. E o Metrô é um corte perfeito do comportamento do brasileiro: elas são idosas; elas têm direito a sentar nos bancos reservados; há algumas linhas em que isso não precisa ser lembrado; há outras em que isso precisa ser lembrado; há pessoas que se levantam para dar lugar, mesmo estando em bancos comuns; há outras que, ante a presença de idosos, nem levantam dos bancos reservados – não se dão nem ao trabalho de fingir que estão dormindo.
O Roda-Viva de ontem, transmitido pela TV Cultura, recebeu Alberto Carlos Almeida, sociólogo e autor do livro A cabeça do brasileiro, que teve uma resenha na Veja, não lembro se desta semana ou da anterior. Vi apenas o finalzinho da entrevista, o bastante pra confirmar que Lobão está se saindo um ótimo comentarista. Mas o livro está incomodando uma pá de gente, porque põe abaixo um mundo cor-de-rosa que calha muito bem a certos projetos de poder. Em suma, o livro aponta que a a parcela mais educada da população tende a ser mais democrática, menos preconceituosa e tem valores sociais mais sólidos. Em contrapartida, os que têm menos educação não curtem muito a democracia e a diversidade, e é mais tolerante (e até conivente, digo eu) com o modus faciendi da pior política que temos. É óbvio que isso não é regra. É tendência, como disse. Isso quer dizer que não vale lançar mão de exemplos como o do mendigo incendiado. Mas os linchadores de plantão, é claro, usaram e abusaram desse estratagema (bocejo).
Fiz essa notinha por causa dos bancos reservsdos. Mas a análise de fato está no Reinaldo Azevedo hoje



O velho e estúpido maniqueísmo: rico vilão, pobre bonzinho. A vida real é bem diferente.