O mictório municipal

saidametrose.jpg

Eu quero mesmo que saia do papel o projeto de um transporte rápido para Cumbica, e até mesmo para Congonhas. No caso de Guarulhos, não precisa nem ser trem-bala: pode ser um Metrozinho básico mesmo. Duvido que o tempo de chegada lá não abrevie em relação ao automóvel. Além de tudo, democratiza o transporte mais ainda, malgrado o excesso de gente que desfruta da coisa.

O Metrô da cidade, por exemplo, foi algo que democratizou. É usado por todo tipo de gente, embora isso devesse requerer eterna vigilância; o que, como sempre defendo, não é possível. Não dá pra botar um guarda a cada 5 metros quadrados de cidade. A única maneira de convivência na sociedade é a educação.

Outro dia vi um indivíduo chegando à plataforma do Metrô Vila Madalena, e ele simplesmente soltou uma cusparada na via. Pensei comigo: Pô, de que buraco esse cara saiu? Sim, porque até onde sei, a cidade melhorou muito em termos de hábitos cusparativos. Meu pai sempre me conta que cuspir era uma febre lá pelos anos 1950, 1960, e que melhorou muito de lá para cá. A coisa resiste, por exemplo, nos trens tradicionais, que levam a grandes distâncias; mas no Metrô, até pela própria conformação da coisa, muitos hábitos ruins foram coibidos.

Outra coisa que persiste – acho que em qualquer lugar do mundo – é fazer xixi em escadas. Qualquer escadaria de São Paulo exala aquele cheiro forte, e por cima o odor do desinfetante público, o que – acho – torna a coisa mais nojenta ainda.

A Prefeitura gasta milhões de reais com a limpeza diária da res publica. Cá pra nós, isso um absurdo. Melhor seria se as pessoas parassem de cuspir, de jogar lixo ou de encher a caveira e urinar no cantinho mais próximo.

Esta escada aí da foto é a saída principal do Metrô Sé. Passei cinco anos de minha vida usando-a todas as manhãs, e digo: os narizes mais sensíveis têm de suspender a respiração. O povaréu definitivamente a elegeu para fins privados. Isso sem contar com as outras saídas, que as pessoas de bem simplemente não usam porque dão diretamente na praça – sim, sim, ela continua perigosa, apesar da reforma da Prefeitura.

Se eu fosse o Metrô, avançava com a grade – sim, as eternas grades – que existe abaixo desta escadaria para a parte de cima. Assim, na madrugada, período em que as estações estão fechadas, ninguém conseguiria fazer xixi nela. Afinal de contas, como vivemos num regime democrático, há que se pensar também naquelas outras pessoas – a maioria – a quem mamãe ensinou para que serve um banheiro.

This entry was posted in Comportamento. Bookmark the permalink.

4 Responses to O mictório municipal

  1. O “poblema”, Letícia, é que quem faz xixi ali é morador de rua. A solução é mais complexa.

  2. Leticia says:

    Nénão, Shirlei! É claro que morador de rua não tem banheiros à sua disposição, mas ele usam locais muito mais próximos de onde ficam. Não sentem necessidade de ir até o Metrô pra isso.

    Eu conheço gente que faz xixi em qualquer escurinho. Isso entre o trabalho e a casa. É cultural. É falta de educação mesmo.

  3. Fábio Max says:

    Não é morador de rua não, Shirlei…

    É a mesma turma que joga garrafa pet, pneu, cadáver, fogão, sofá, gato, cachorro, camisinha, a sogra, pacotes plásticos e carros velhos, etc… no Rio Tietê e quando dá enchente corre chorar para a Rede Globo ver se descola uma ajudinha oficial para sair da m… em que se meteu sozinho!

    E se isso fosse exclusividade de Sampa eu até ficava feliz…mas tem no Brasil todo.

  4. malu campos says:

    Se isso fosse exclusividade do Brasil eu também ficava feliz…assim teríamos que educar “menas”pessoas.

Leave a Reply

Your email address will not be published. Required fields are marked *

*

You may use these HTML tags and attributes: <a href="" title=""> <abbr title=""> <acronym title=""> <b> <blockquote cite=""> <cite> <code> <del datetime=""> <em> <i> <q cite=""> <strike> <strong>