Nós merecemos…

Posted by Leticia on March 10, 2010
Zoológico / 4 Comments

… o presidente de que dispomos.

Temos de respeitar a determinação da Justiça e do governo cubanos. A greve de fome não pode ser um pretexto de direitos humanos para liberar as pessoas. Imagine se todos os bandidos presos em São Paulo* entrarem em greve de fome e pedirem liberdade. (Folha)

Ele foi coerente: “… a determinação da justiça e do governo cubanos“. Sim, porque não é qualquer país que mereça tal respeito. Itália, por exemplo, que já pediu a extradição de Cesare Battisti e não obteve nem um distraído “oi” como resposta.  Ou a Justiça hondurenha, quando definiu que Zelaya havia violado a Constituição daquele país.

Zelaya, apesar de toda a forçação de barra da diplomacia brasileira, está como sempre deveria estar: esquecido. A autodeterminação de Honduras venceu.

Como “esquecido” também está Cesare Battisti, em algum ponto deste país. Outro dia Joelmir Betting disse no Jornal da Band que a questão ficará para o próximo presidente.

Não acho, não.  A depender do encaminhamento das eleições, teremos a “surpresa” de sua fuga. Vamos aguardar pra ver?

Eu tenho vergonha do Lula. Não tanto por seu módipensar (que se reflete na linguagem, igualmente tosca) ou por suas origens. É pela deslavada, vergonhosa e tirana diferença de tratamento com que seu governo trata questões análogas.

Os presos políticos de Cuba estão é lascados pedindo apoio desse cara. Deveriam recorrer ao Obama.

Aliás, deveriam pedir para os EUA anexar Cuba. Não tem aquela outra questãozinha, apoiada vivamente pelo nosso governo, de que as Falklands devem ser dos argentinos por um troço chamado proximidade?

São  450 quilômetros entre Falklands e Argentina.

Entre Cuba e Florida, são 144 quilômetros.

Entonces… E nem aleguem o babado do petróleo. O petróleo moral de Cuba é bem mais denso.

Estou torcendo pelos presos políticos cubanos e por todos que cansaram de Fidel. Que a nova revolução lhes seja leve, de verdade.

  • * Que fofo citar São Paulo!… É que, nesse imenso e alegre Brasil, só São Paulo tem presos. Funções de Franklin Martins…

Da série “Tem largatixa no iurgute”

Posted by Leticia on March 09, 2010
Zoológico / 7 Comments

covas-x-apeoesp

Recomendo a leitura do editorial de hoje do Estadão, “Greve Política”, sobre mais uma movimentação da Apeoesp em sua única missão na terra: ser o braço tapuia da CUT em oposição espumosa ao governo tucano em São Paulo. E que, à vista da corrida presidencial, recomeça pela enésima vez sua pantomima de nóis-é-nóis-fumo-nóis-qué-aumento.

Já cansei de falar aqui do baixíssimo nível cultural e instrumental da Apeoesp, que defende a incompetência e só faz legitimar o ensino ruim no estado, avacalhando com a figura dos verdadeiros professores.

Relembro, pela enésima vez, a greve no tempo do Mario Covas, em que um “professor” achou por bem enterrar um pedaço de madeira na cabeça do governador doente. Na época, houve entrevista com uma grevista, que falava um português abaixo de qualquer nível tolerável para quem se diz professor. Foi nesse momento em que concretizei de vez na mente o que significa ser professor em São Paulo, e a péssima representação que têm.

Não é por ser minha área, mas tomo como supernatural  e obrigatório que um professor, seja ele de literatura ou de trigonometria, se dirija a seus alunos com um mínimo de acerto gramatical.

Por isso, volto a sugerir uma prova oral e definitiva para TODOS eles:

1) Conjugar o verbo haver, no sentido de “existir”,  no pretérito perfeito simples.

2) Conjugar qualquer verbo no imperativo: tece tu, não teças tu…, sabe como é?

Provinha de professor tem de ser como prova de OAB. “Ah, mas é muidifícirrr!” Hueda-se! Os tópicos que enumerei não fazem parte do currículo escolar? Fazem. Então não é coisa de ET. Provinha oral neles. Passou, passou; não passou, um abraço.

O que não pode é o ensino continuar assim, sob a frouxidão de um sistema público que tudo dá e nada cobra. E quando cobra enfrenta a berraria, a saliva, o suor e a violência dos ignorantes.

  • Postarei esta mesma foto a cada movimentação eleitoreira desse povo.

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Coisas de mulher

Posted by Leticia on March 08, 2010
Cantinhos, Chuva, Pessoas, Urbano / 6 Comments

chuva

Admiro todas as minhas amigas.

Claro. Se não fossem minhas amigas, não daria a elas nem a chance de serem mais bem conhecidas – e admiradas – por mim. E são poucas, pouquíssimas. Escolhidas a dedo. Como deve ser.

Algumas vejo mais, outras menos. O que não quer dizer absolutamente nada. Os encontros mais bissextos são uma torrente informações, fofocas, prazeres de reencontro e gargalhadas que nos faz, invariavelmente, ter pena universal de não podermos nos ver mais amiúde. Paciência.

Cada uma de um tipo. Entre vários dos tipos, Sandra Brazil, a chique urbanérrima. Em seu extremo aplomb, seu trato, sua plena liberdade de escrever o que quer, ser o que quer, namorar quem quer e – por último mas não menos importante – usar os brincos que bem entende.

Entre esses há um par que eu mesma fiz. Coisa anos 50, com pérolas arroz, formando núcleo de uma flor. Ela o leva para tudo quanto é lugar. (Buenos Aires? Loooondres, Sandra???). Eu rio. E da última vez em que nos vimos, fui com uns brincos datadíssimos que titia me repassou (não os tenho tirado, pra falar a verdade).

Enfim. Sua casa é um modelo mais bem-acabado que a minha. Em meio à modernidade (parte que me falta), seus móveis de família, sua coleção de cristais, tudo em que me enxerguei, numa deliciosa coincidência de primeira visita, há um belo número de anos).

E agora ela tem um blog, onde escreve suas coisas. E, é aquilo que digo, adoooooro pessoas que deslizam entre as palavras com a facilidade de um patinador. Cada um nas suas empreitadas, cada um no seu estilo, cada um no seu universo:

[...] Numa espécie de transe, trocas dos tempos do descobrimento driblam toda desilusão – espelhos por penas, pentes por dentes de fera, urucum e um pajé pós-modernos na bolsinha furta-cor.
A arte e o humor são sempre a melhor forma de fuga.
Nesse bunker emocional, surge, sorrateiro, um ménage à la mode, em que o terceiro apenas acentua o culto que nos dedicamos, semanal e religiosamente. Esse prazer, disso não há dúvida, de se projetar no outro feminino e ver-se refletida inteira, como num espelho bisotê. [...]

E outro texto, que me lembra o primeiro post que fiz aqui no Flanela:

[...] O café quente me espera sorrindo sobre a mesa de jantar. A cafeteira italiana escorre a gota que se perdeu. A xícara está a um passo de tornar-se útil novamente. E as porcelanas a me espreitar lá da cristaleira.
Dias assim fazem nascer outro tipo de vida: menos praieira, menos chopp, menos cerveja, menos corpo a se mostrar. Mas o que substitui isso tudo é o vinho, o recolhimento e uma espécie de oração silenciosa, que me faz lembrar que estou viva. [...]

  • O blog de Sandra Brazil chama-se De Safo para Cleis.
  • Foto (Fotorrepórter Estadão de uns quinze dias atrás): boa paisagem para projetos domésticos, e a sensação de abrigo e conforto. Como no começo do Flanela.

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Uma muxquinha às segundas

Posted by Leticia on March 08, 2010
Uma muxquinha às segundas / 2 Comments

Para as mulheres de bem.

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Mindlin e o design industrial brasileiro

Posted by Leticia on March 07, 2010
Cotidiano / No Comments

Matéria de Júlio Moreno no caderno “Aliás” do Estadão de hoje, chamando a atenção para a preocupação de José Mindlin com o desenvolvimento do design industrial brasileiro. Um trecho:

Unindo seus conhecimentos de dono de indústria com a sensibilidade de intelectual, Mindlin se autoimpôs o papel de “catequizador” de empresários e governantes sobre a importância de o Brasil criar produtos com características próprias e, ao mesmo tempo, funcionais. “A cada nova exposição ou premiação eu prosseguia minha catequese. Sou um agnóstico que acredita na catequese. E esse tipo de pregação exige perseverança” [...].

[...] O gosto pelo assunto veio da juventude. Criado num ambiente culturalmente requintado, em seus primeiros tempos de vida profissional, como jornalista e advogado, ele já admirava os objetos que se distinguiam por sua beleza. Mas foi quando fundou a Metal Leve, com pouco mais de 30 anos, que ampliou sua visão. Mindlin estava entrando no mundo industrial e, ao entender a importância da tecnologia num produto, percebeu que “o design era mais do que aparência, era um componente do planejamento do produto para lhe dar maior eficiência e menor custo. Portanto, parte da tecnologia”.
Nos anos 50, ao assumir a diretoria de comércio exterior da Fiesp, ele começou a “catequização” entre os pares. Na época, o Brasil era fundamentalmente um país importador de produtos manufaturados e Mindlin se alinhava entre os que insistiam na necessidade de exportarmos mais, algo que só viria a começar a ser feito nos anos 60. “O design, de início, não era parte disso, mas logo se verificou que para o Brasil exportar de uma forma competitiva tínhamos mais barreiras a vencer que o preço. O design também conta, não só a aparência, mas o aspecto funcional do produto.”

Por que ele se preocupava com isso?

Uma das atrações da biblioteca que ele formou, com mais de 30 mil volumes, é o acervo de livros tidos como objetos de arte em si mesmos, independentemente do texto. Melhor ainda quando coincide que o texto igualmente tenha valor. Uma das obras excepcionais desse setor é um livro de 1499: O Sonho de Poliphilo, de Aldus Manutius. “Ele foi um grande impressor erudito que revolucionou a arte gráfica. Desenhou novos tipos, inovou nas ilustrações e até hoje o livro é um modelo de arte gráfica. É, reconhecidamente, um dos grandes livros de todos os tempos. (íntegra)

(o grifo é meu. Não que um design ruim desgrace o conteúdo de um livro. Ou que uma forma toda cheia de quaraisquaisquais signifique insuficiência de conteúdo. Mas a encadernação e o projeto gráfico são, também, valores em si.)

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Hillary, Aécio e elucubrações do demo

Posted by Leticia on March 07, 2010
Zoológico / 3 Comments

hillary

Só voltando um pouco na passagem de Hillary Clinton por São Paulo, que tive oportunidade de ver na íntegra só depois. Dois pontos me chamaram a atenção:

1) Não faz nem dois anos, aquela senhora,  estava competindo ferrenhamente com Barack Obama sua candidatura à Presidência. Lutou, lutou, lutou e não conseguiu. Derrotada, e consciente de fazer parte do mesmo partido do presidente eleito, aceitou seu convite  para ser secretária de Estado, e vem atuando com total competência para isso, respondendo pela gestão Obama em vários pontos pelo mundo afora.

Nunca esquecerei John McCain, o candidato republicano derrotado, dando um pópará no público, que, ainda no calor do resultado eleitoral, vaiava à menção do nome de Obama: “Não façam isso. Ele é o MEU presidente.

Maneiras de pensar. Já aqui em Bananaland, em que o que vale é a carreira pessoal do cara, num contexto em que importa tudo, menos uma coerência partidária, de planejamentos, de metas baseadas em valores maiores definidos por um grupo de pessoas que se unem em um partido.

É claro que lembrei de Aécio, da imensa diferença de pensar entre os Brasis. É por isso que não ligo muito pro diretório do PSDB  em Comendador Pascácio, MG, ou para a corrupção do governador tucano não sei de onde, no Pacífico setentrional.

Que vai fazer Aécio quando Serra ganhar? Vai seguir sua vidinha, sua carreirinha particular, conforme vovô ensinou – se dar bem com todo mundo, sem ver respeitar muito aquele limite entre a cordialidade, o puxassaquismo e o adesismo deslavado visando a uns votinhos ali adiante.

Hillary é, estudou para ser, e vem sendo uma líder nacional. Aécio é de Minas, e nunca vai sair de lá, mesmo que lidere uma corrida espacial a Saturno. Pior pra ele.

2) Na parte final da passagem de Hillary na Universidade Zumbi dos Palmares, a última pergunta veio de uma mulher, estudante da USP, sobre o aborto. Como era de esperar, Hillary respondeu com naturalidade sobre um assunto que, para nós, ainda exige certa dose de imolação. Aquela coisinha: mesmo os discursos mais enfáticos a favor do aborto são sempre seguidos de um a ressalvinha de sacristia: “mas eu, pessoalmente, sou contra, tá?”. A pessoa põe-se num discurso mais “tolerante”, mas garante seu lugarzinho na ética católica. Trocando em miúdos, no céu. Nunca se sabe.

O fantasma religioso é algo tão forte por aqui que atinge até mesmo as  opiniões mais liberais. Parece que todos nós, por mais que a vida ande, teremos sempre aquele avatarzinho de coroinha. Isso enche o saco um pouquinho e atrapalha pra caramba qualquer discussão sobre o tema.

Está muito claro pra mim que ter um filho não é destino, é decisão; e isso deve ser cultivado e respeitado.  Como também está claro que gerar crianças a granel só serve aos interesses de alguns grupos: aos padres, aos colonizadores socialistas, aos pedófilos e aos políticos (à vontade nas análises combinatórias). E que isso, se há aí valores a comparar, é muito pior que interromper uma gravidez.

  • A íntegra da entrevista de Hillary está aqui.

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Batalha para homens com H

Posted by Leticia on March 06, 2010
Cotidiano, Urbano / 2 Comments

papelão

Pelo que andei lendo por aí, a coisa é bacana, e passa bem longe das guerras de torcida. Portanto, o distinto botocudo não deve confundir: se estiver afim de sangue, é melhor enterrar a cabeça na parede, em casa mesmo.

A primeira batalha da epopeia WarTube será agora, domingo, 7 de março.

Os Filhos de Musashi (vermelho) se concentram às 16 horas no metrô Santa Cecília (na catraca ou no largo).
A Armada Arturiana (azul) se reúne às 16 horas na saída do metrô Marechal.

Este primeiro confronto acontecerá no Minhocão.

As armas serão tubos de papelão, desses que sustentam rolos de tecido, facilmente encontráveis no Brás ou em qualquer concentração comercial.

As armaduras, caixas de papelão. Como dá pra ver pela foto, cada um customiza sua armadura à vontade.

Um guerreiro é derrotado somente quando sua arma quebra ou cai no chão. Hematomas, ferimentos e contusões, nem pensar.

O site (e o espaço para inscrições) está aqui, e o Manual do Participante, com orientações anti-idiotas, aqui.

Eles preveem inxcrusive o recolhimento do lixo no final do evento, com doação a uma cooperativa de reciclagem. (Era isso que me incomodava. Porque por lixo se entende todo e qualquer pedaço menor de papelão e restos de fita adesiva, é ou não é?)

Sabe como é: a chuva, os bueiros…

PS.: Raquel havia registrado movimentação de tropas em dezembro:

papelão1

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Sotaques. Ou a arte de entrar em casa de fininho

Posted by Leticia on March 06, 2010
Memória / 6 Comments

1940.Sao Paulo

Aconselho vocês a darem um pulo na Biblioteca Brasiliana, onde há um vídeo de abertura com uma bonita homenagem a Jose Mindlin. Boa de ver.

Nunca disse publicamente que seu Mindlin me lembrava muito vovô (o da biblioteca que veio pra mim). Não que fossem parecidos de fato. Suas figuras de velhinhos é que eram parecidas fisicamente. O gestual era igual, sem tirar nem pôr. Também falariam da mesma maneira – com atenção ao interlocutor fosse quem fosse, encadeada e pausadamente, coisa que hoje não existe mais -  se vovô não tivesse um forte sotaque.

E o sotaque é uma das inúmeras boas lembranças que cultivamos não só de vovô, mas de alguns queridos que já se foram. Seus acentos, suas idiossincrasias, suas coisas culturais. Periquito já tem uma coleção de frases-tipo, em que acentua o sotaque do jeito que pode (muito bem, por sinal). Não ensinamos nada a ele. Usamos no dia a dia, e o menino incorporou. Uma boa maneira – acho eu – de levar adiante a identidade familiar.

Outra coisa que lembro de vovô é que seus olhos pareciam enormes, como nesta foto sinistríssima de filme noir, tirada por um aluno. Vovô usou óculos desde menino (ele contava que em sua aldeia na Hungria os óculos foram um acontecimento – seus amigos faziam fila para experimentar), e na altura  desta foto (c. 1940) já devia usar um grau estratosférico.

Imagina mais tarde, quando eu era pequena! Quando vovô tirava os óculos para limpar, seus olhos me pareciam pequenos e cansadinhos (os de vovó também sofriam da mesma síndrome).

E ele chamava minha irmã de pipoca. E trazia bala pra gente. E usou bengala por um tempo. E lia o Estadão. E andava muito de pijama. E tinha sempre um livro na mesinha ao lado de sua poltrona. E as piadas, que só ele sabia contar. E a coleção de discos.

Até que minha avó se apaixonou por Julio Iglesias, deu um golpe no toca-discos e a vida nunca mais foi a mesma naquela sala. Tentamos de tudo. Até Charles Aznavour eu levei pra ela, na esperança de despertar os brios de sua educação no francês e no ponto ajour. Não adiantou. Era só Julio Iglesias.

Onde estão os discos de Rúúúlio hoje? Comigo. Sem ouvir, porque não dá. Mas também sem possibilidade alguma de me desfazer deles.

Voltando ao Mindlin: a certa altura do vídeo, ele conta que dona Guita sempre o incentivou muito na aquisição dos livros, por mais extravagante que fosse.

“Nunca – ele diz – precisei entrar em casa com livro escondido”.

Gargalhada! A mesma que alguns de vocês devem estar dando agora.

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Livraria de grife. É possível?

Posted by Leticia on March 04, 2010
Comportamento, Cotidiano / 30 Comments

pedro.hertz

Mais reflexões a respeito do post de Joana Canêdo publicado no não gosto de plágio e comentado pelo Alessandro Martins (Livros e Afins) sobre a responsabilidade das livrarias na venda de seus produtos.

Tudo começou com a declaração do sr. Fábio Hertz, diretor da Livraria Cultura, sobre determinado livro (que até o Zina sabe é plágio):

A partir de um momento em que o juiz determina alguma coisa e foi dado como algo plagiado, a gente recolhe (os livros). Só que não tenho a competência para julgar isso. Denúncia não significa que algo está errado, alguém vai apurar. Se o Ministério Público chegar à conclusão que é plágio, retiro da livraria. Mas antes de uma decisão da Justiça não posso tomar decisão precipitada porque não me cabe o julgamento.

Tá bom. Posição correta. Dentro dos direitos e deveres, está tudo bem.

Mas não me refiro a lei. Estou falando de credibilidade e não credibilidade.

Um setor em que a credibilidade está muito presente é a moda, por exemplo. É um círculo: o consumidor sabe exatamente onde ir quando quer um produto de qualidade incontestável, quando quer  algo de qualidade a preço bom, quando quer algo barato, quando a coisa é falsificada, quando é modinha à toa e quando decidiu o mais vagabundo dos jeans. Enfim… É um sistema tácito onde, filosoficamente falando, não há conflito nem enganação. O acordado não sai caro.

Lojas de moda com grife têm um sistema muito trabalhoso para manter a idoneidade de seu nome, de sua marca, de sua honestidade. Tanto isso é verdade que, quando se foge à regra, a coisa vira escândalo de jornal.

Fico pensando, portanto, em por que as grandes marcas de livreiros não se sentem obrigadas a zelar pela qualidade do que vendem. Vamos lá ver: Livraria Cultura, Fnac… Até mesmo as médias mas conceituadas, como Saraiva, Siciliano, Livraria da Vila…

Como é que um leitor leigo de tudo deve entrar na Cultura? Confiante na qualidade de qualquer produto que queira adquirir? Ou com um pé atrás, se sentindo um idiota por não ter se armado de antemão contra falcatruas editoriais que possa vir a comprar naquele espaço imenso, instalado em ponto nobre, todo equipado, todo moderno e com ares de bibliopoint urbano-culturette?

Voltemos à moda. Supondo uma empresa top no ramo, por exemplo, a Forum. Você acha em sã consciência que Tufi Duek fica esperando decisão de juiz para impor qualidade no seu comércio?

Duvide-o-dó dora que o senhor Fábio Herz, ou Pedro Herz, não tenha capacidade de julgar o que entra ou não entra em sua livraria.

Então, é isso: o que o livreiro quer fazer de seu nome? Uma grande Livraria, ou uma livraria grande? (hum, isso ficou péssimo! Mas não é muito diferente do que eu quis dizer, não…)

  • Foto: (IstoÉ Dinheiro): Sr. Pedro Hertz, que merece todo o nosso respeito e consideração. Maaaaas, que livros são esses aí, hein?

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Loooooshoo!

Posted by Leticia on March 04, 2010
none / 10 Comments

Está podre de chique a lista de assinaturas em apoio a Denise Bottmann (e, por tabela, a Raquel) contra achaques sem-vergonhas do submundo editorial.

Hoje dei uma olhadinha, e o número de subscrições já estava em 1984. Logo logo ultrapassa até a lista de apoio à candidatura do Eduardo Suplicy – engordada no oba-oba de uma festinha.

Nomes chiquérrimos, todos eles, desde o meu e o seu até  um monte de gente que conta na cultura honesta do país e fora dele. Associações nacionais e internacionais, literatos, tradutores, revisores, escritores, blogueiros, atores, cantores, pessoal de esquerda, pessoal de direita, professores, acadêmicos, diplomatas e quem mais você quiser.

Se você ainda não teve tempo, vai lá, dá uma passadinha e deixa seu nome. Esse é um passo importante pra varrer o bundalelê “cultural”  que nos assola!

http://www.petitiononline.com/Bottmann/petition.html

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