O Cultura Artística e o baldinho aqui de casa
Aug 20th, 2008 by Leticia

Há males…
Alguns dias depois do incêndio horroroso que lambeu o Teatro Cultura Artística, no centro de São Paulo, alvíssaras…
Os concertos previstos já estão sendo acomodados em outras salas pela cidade. O valor dos ingressos do espetáculo O Bem-Amado (protagonizado por Marco Nanini) já está sendo devolvido em um posto no Maksoud Plaza. Quanto à peça em si, Inês é morta: o fogo não perdoou sequer uma peça do figurino.
Ontem, a Sociedade de Cultura Artística se reuniu e resolveu que o teatro será reerguido no mesmo local, sob o comando do arquiteto Paulo Bruna, o “herdeiro” de Rino Levi, autor do projeto original. Tanto melhor. Qualquer outra solução teria de, necessariamente, reaproveitar a fachada com o lindíssimo painel do Di Cavalcanti, e aí a coisa ficaria meio bizarra - opinião minha. Há a grana do seguro, e a direção da Sociedade espera estabelecer parcerias, concertos beneficentes e contar com a uma forcinha do público.
A família Baumgart, por sua vez, já comunicou à Sociedade de Cultura Artística que refará a doação de um dos dois pianos Stenway consumidos pelo fogo. Segundo a Folha,
O modelo destruído, um Gran Concerto Model D, avaliado em US$ 130 mil (R$ 211 mil), havia sido doado pela família Baumgart, que refez a oferta. Eric Klug, responsável pelo departamento de relações institucionais da Sociedade de Cultura Artística, disse que Roberto Baumgart, que já havia doado um piano, prometeu outro igual.

O Teatro Cultura Artística nasceu da vontade de dona Esther Mesquita, da família dona do Estadão, então diretora da Sociedade de Cultura Artística (idealizada por Nestor Pestana, redator-chefe do jornal). Ligados ao Cultura Artística há inúmeros nomes da zelite paulistana, como o de José Mindlin, que a dirige há uns vinte anos.
Eu adoro essas coisas. Enquanto a patulée é amestrada diariamente para achar que a elite não presta pra nada, figuras ricas, poderosas e chiquérrimas vão fazendo sua solitária parte, em um Brasil paralelo e desconhecido.

- Irritando Osmerdina: numa antiga Vejinha, vida de Yara Baumgart, mulher de Roberto, que cumpre seu papel sem deixar de desfrutar do melhor que o dinheiro pode oferecer (volto à frase lapidar de meu irmão: É melhor ser rico e com saúde do que pobre e doente).
- Fotos: acima (Sergio Castro, AE): o incêndio só poupou o painel de Di Cavalcanti, num aviso dos céus (os bombeiros perceberam que a fiação do teatro estava qualquer coisa. De qualquer modo, a perícia imagina que a combustão foi espontânea; o tempo está seco demais). Ainda na primeira foto, vê-se no fundo, à direita, a bela e importantíssima Catedral Presbiteriana. À esquerda, os fundos do paredão de prédios que emolduram a praça Roosevelt. No meio (Antonio Lucio, AE): a elegantérrima dona Esther Mesquita, em descerramento de placa com seu nome no Teatro, em 1982. Abaixo (Mário Rodrigues), o prático baldinho de Vedacit, fabricado pela Otto Baumgart: eu “pesquei” um, novinho, já vazio, do monte de entulho da reforma aqui de casa. Para apartamentos, é o que há em praticidade, porque são pequenos, resistentes, atendem às necessidades domésticas e cabem dentro do tanque. Dica: algumas embalagens de lenços umedecidos para bebês, embora mais frágeis, também servem a esse propósito. É a zelite dando mais ao rebotalho do que possa imaginar.


















