Aaaaaaaaaaai, que preguiiiiça….

Posted by Leticia on February 08, 2010
Cotidiano (bocejo...) / No Comments

zarattini

No post anterior, cês lembram que falei de um “carro de som”. Pois é. “Clamores da população” organizados pelo PT na base das 50 pilas, aqui em São Paulo, é um troço mais velho que andar pra trás.

O PT não tem tem como renovar quadros. É pobreza que não tem Bolsa Família que dê jeito.

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Kassab proverá

Posted by Leticia on February 08, 2010
Eleições / 9 Comments

Sopa no mel!

Cerca de 230 manifestantes agora à tarde, em frente à Prefeitura, contra as enchentes que assolam as topografias menos favorecidas, dizendo que a Prefeitura providenciou a coisa de caso pensado, pro povo sair de lá. Com direito a carro de som (quem providenciou?) . Terminou em tumulto.

fossas.marianas

Minha sugestão pro próximo passo são as Fossas Marianas. A Prefeitura proverá.

Biblioteca São Paulo

Posted by Leticia on February 08, 2010
Cotidiano / 12 Comments

Biblioteca São Paulo

Inaugura-se hoje a “Biblioteca São Paulo” (nome bom pra ser substituído sem constrangimentos na próxima morte eminente), no local onde era o Carandiru.

Matérias de jornais e, por conseguinte, as autoridades, se lambem no lugar-comum do tipo “onde antes era um presídio, de melancólica memória, agora respira-se cultura”, parapapá e tal.

Até parece que marginais foram regenerados numa epifania cidadã. Bobagem! A “triste memória” foi apenas transferida de lugar porque lá não dava mais. Ponto.

De qualquer modo, a região de Santana tem sido provida de muitos equipamentos por conta da desativação do Carandiru. Se bem me lembro, desde que o Carandiru foi implodido, o local e cercanias já ganharam uma Etec, o lindíssimo e mudernérrimo Parque da Juventude e, agora, a Biblioteca, arrematando as mudanças naquela área. Fora o Sesc Santana, instalado no bairro há alguns anos. Ter um Sesc/Senac à mão é sempre muito bom!

Entonces… o prédio foi construído para abrigar eventos e exposições, mas a coisa não andou por mil motivos. Só depois, por sua adequabilidade e localização, foi escolhido para a biblioteca.

A implantação custou R$ 12,5 milhões (R$ 10 milhões do estado e R$ 2,5 milhões do Ministério da Cultura [aqueles 10 reais que o Lula mencinou semana passada]). O custeio será de R$ 4 milhões, com verba adicional de R$ 1 milhão por ano para ampliação do acervo.

Por enquanto são mais ou menos 30 mil itens: livros, DVDs, CDs, revistas, quadrinhos e jornais, com equipamentos de última geração, vários computadores e internet gratuita; como um terminal de auto-atendimento, tudo com acessibilidade para pessoas com qualquer tipo de deficiência. São 4.257 metros quadrados, com “ambiente descontraído”, como numa propaganda de restaurante. Pufes, poltronas, boxes de leitura, nada de circunspecção e leitura à vontade. Lá o ente poderá ler de tudo, desde os clássicos da literatura, como Machado de Assis e Dan Brown (sim, soube semana passada que Dan Brown entrou para o pantão dos clássicos) até gibis, revistas e toda a literatura de vampiro para adolescentes entediados. O local será ainda um centro de treinamento para todas as bibliotecas municipais. (Mais detalhes na íntegra da matéria, no G1.)

Biblioteca São Paulo1

Resumindo, uma biblioteca como as de agora. Tudo muito lúdico. A minha implicância (desde que a Livaria Cultura virou um Hopi-Hari)  é com os pufs. Não por eles nem pelas pessoas que lá se refestelam, lógico que não. É que a gente percebe que as pessoas cada vez mais escolhem o ambiente de biblioteca porque na verdade estão fugindo do clima doméstico. De onde se deduz que a vida em família está se tornando algo insuportável. Pense comigo: qual é o ambiente padrão de uma casa hoje? Crianças histéricas, tevê ligada, PC ligado, videogame em atividade, mãe louca aos berros, um entra-e-sai constante e um imenso, portentoso e amplificadíssimo home theater. Sem livros de espécie alguma. Talvez  A menina que roubava livros tenha passado por lá e não muito mais. Não deve ter encontrado grande coisa.

O Estado está no seu papel, de prover na precariedade. Mas que o conceito de ambiente familiar está no perigo, ah, isso está.

  • Fotos: Daigo Oliva, G1.
  • A inauguração é hoje, mas abre ao público amanhã.

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Uma muxquinha às segundas

Posted by Leticia on February 07, 2010
Uma muxquinha às segundas / 8 Comments

Atendendo a pedidos…

Não conhecia essa versão com Céline Dion, de 1987, no Canadá. E não é que gostei?

Tudo é possível para moá depois que descobri que Cucamonga existe mesmo.

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Tâmo nessa, amiguinhá!

Posted by Leticia on February 07, 2010
Cotidiano / 8 Comments

palmirinha

Reinaldo Azevedo lança o movimento “Palmirinha para a Presidência”, em prol , no mínimo, do resgate da dignidade  da omelete.

falei uma vez da Palmirinha, uma senhorinha muito simples que apresenta receitas na tevê. Tinha espaços em vespertinos na TV Gazeta (que, por sinal, completou 40 anos no aniversário de São Paulo!) até que ganhou, merecidamente, seu próprio programa na emissora.

Reinaldo descreve bem o style Palmirinha:

Palmirinha não é só isso. Também é um gênio da comunicação. Ela dialoga com a telespectadora, que chama de “amiguinha”, com a produção do programa e com o ponto eletrônico. Tudo ao mesmo tempo e com igual desenvoltura!
Portugal tem aquele mala do Saramago. Nós temos Palmirinha. Ela também dilui a pontuação, mistura pessoas do discurso, abole a fronteira entre os tempos da narrativa, mas nada tem de programática ou soturna. É isto! Qualquer pessoa sensata preferirá a torta de palmito de Palmirinha à torta de palavras de Saramago. (íntegra, com direito a comparêichon Palmirinha X Dilma).

Qualquer paulistano sabe que Palmirinha é digna dos melhores carinhos. A gente imita seu jeito de falar, e tal, mas a tem como patrimônio da cidade, como pessoa que  lutou paracacete numa vida adversa e venceu. E, o melhor, mantém uma humildade espontânea. É isso, mais seu jeito de falar com as “amiguinhas”, que lhe angariam, no mínimo, respeito, mesmo de quem não a curte nem se interessa por suas (populares) receitas.

Mais um trecho do RA:

Dilma tem muito a aprender com Palmirinha — não só como se faz uma omelete depois de quebrar os ovos. A candidata não conseguiu estabelecer uma empatia nem com o público presente ao programa nem com o telespectador — que fugiu. E se atrapalhou com o ponto! Sim, Dilma tem uma espécie de ponto eletrônico, que é o discurso de Lula, que ela tenta mimetizar de modo desastrado. O fato de o Ibope ter desandado junto com a omelete prova isso. Num dos momentos iluminados do programa, Luciana indaga se ela cuidava da alimentação da filha quando criança. E Dilma mandou ver: “Ah, tinha de ter verde”. É mesmo?

Ainda tem essa: o Ibope de Dilma não bateu o de Palmirinha. (o Superpop daquela noite terminou em 5º lugar – atrás de emissoras como a Globo, Record, SBT e Band, quase empatada com a TV Cultura. A média de Ibope do programa de Luciana Gimenez foi 1,7).

Quando li isso, ôntiôntiônti, tive a certeza de que só eu e o Franklin Martins é que vimos aquela bagaça do começo ao fim.

E, antes que me esculachem, nada contra uma omelete que não dá certo. O problema é o modus faciente não do omelete, mas do programa. Se era pra propagandear, o bom método de trabalho ordenaria refazer a coisa. Não rolou. Foi tudo de qualquer jeito, e saiu o que saiu. Imagina isso no PAC…

  • Foto: Palmirinha no lesco-lesco. Já disse e repito: É tudo de bom, amiguinhá! De verdade.

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Para ler com um tico de boa vontade

Posted by Leticia on February 07, 2010
Eleições / 3 Comments

fhc

O horror que se nutre até hoje por Fernando Henrique Cardoso, já expressei isso aqui, é o único trabalho eficiente do petismo e seus badulaques esquerdistas.

Sinceramente, é de se dar os parabéns por trabalho tão benfeito, tecido a pontos de formiguinha durante anos a fio. Deu supercerto. Aquelas claques de vaia, que seguia o ex-presidente a tudo quanto é lugar, deram frutos robustos.

O que se tem a dizer sobre FHC? Tudo. Tudo que seja moldado a partir de fantasmagorias assim, superficiais, de graça e irresponsáveis. Goebbels fez escola: enquanto houver gente na face da terra, o método será eficientíssimo.

Privatizações? Essa é uma das preferidas. Pra falar mal de privatizações, o ponto inicial, que muita gente não percebe, é que você tem de carregar consigo o dogma de que o Estado é bacana pra cacete e os empresários são mauzinhos. Eu já não acho. Por nossa própria cultura de preguiça e possessividade colonial, nosso Estado tradicional é, por definição, um Midas às avessas, um Midas com disenteria.  Alguns lugares, algumas cidades e estados já tentam mudar isso, mas é difícil. Se o próprio povo almeja um serviço público “pra amarrar o burro na sombra”? (negue se for capaz. Ninguém faz concurso numas de “eu quero servir à nação”). Ah, tá, os empresários. Tem muito que não presta ainda. Só vai entrar nos eixos na marra quando tivermos de fato uma cultura de concorrência. Iniciativa privada é, em si, um conceito ótimo. Tanto é que torço para que um dia privatizem o governo federal.

Outra falácia, muito boa, é o caso do Proer, coisa que qualquer governo faz quando necessário. Os críticos, naturalmente, prefeririam que a bomba estourasse na mão dos correntistas. Prefeririam ver um Haiti monetário a ajudar banqueiro, essa coidodemo. Tudo discurso. Se a gente odiasse banqueiro mesmo guardava dinheiro debaixo do colchão. Esse pessoal não conhece o conceito de mal menor. Quer tudo de bandeja, em perfeito estado, e phoda-se a forma de conseguir isso. É mais ou menos como as enchentes em São Paulo: o  país inteiro quer a cidade impermeabilizada e infraestruturada pra quando ele  trouxer sua bunda gorda no vaivém de escambo de sempre. Mas gralha aos quatro ventos quando a chuva é muita.

Mil problemas, crises, conjunturas econômicas, tudo o que tem em qualquer governo que atue no planeta Terra. Mas, no caso de FHC, tudo foi culpa dele, de sua sociologia e de sua “vaidade”. Até aquela topada que levantou a unha do meu mindinho em 1995, foi culpa de FHC e do neoliberalismo.

Todo esse prontofalei é pra indicar, e sugerir que se leia com atenção e boa vontade, o artigo de Fernando Henrique saído hoje no Estadão. Não gosto de tungar texto na íntegra, mas este é exceção, por ser  “enumerativo” e didático:

SEM MEDO DO PASSADO

Fernando Henrique Cardoso

O presidente Lula passa por momentos de euforia que o levam a inventar inimigos e enunciar inverdades. Para ganhar sua guerra imaginária, distorce o ocorrido no governo do antecessor, autoglorifica-se na comparação e sugere que se a oposição ganhar será o caos. Por trás dessas bravatas está o personalismo e o fantasma da intolerância: só eu e os meus somos capazes de tanta glória. Houve quem dissesse “o Estado sou eu”. Lula dirá, o Brasil sou eu! Ecos de um autoritarismo mais chegado à direita.

Lamento que Lula se deixe contaminar por impulsos tão toscos e perigosos. Ele possui méritos de sobra para defender a candidatura que queira. Deu passos adiante no que fora plantado por seus antecessores. Para que, então, baixar o nível da política à dissimulação e à mentira?

A estratégia do petismo-lulista é simples: desconstruir o inimigo principal, o PSDB e FHC (muita honra para um pobre marquês…). Por que seríamos o inimigo principal? Porque podemos ganhar as eleições. Como desconstruir o inimigo? Negando o que de bom foi feito e apossando-se de tudo que dele herdaram como se deles sempre tivesse sido. Onde está a política mais consciente e benéfica para todos? No ralo.

Na campanha haverá um mote – o governo do PSDB foi “neoliberal” – e dois alvos principais: a privatização das estatais e a suposta inação na área social. Os dados dizem outra coisa. Mas os dados, ora os dados… O que conta é repetir a versão conveniente. Há três semanas Lula disse que recebeu um governo estagnado, sem plano de desenvolvimento. Esqueceu-se da estabilidade da moeda, da lei de responsabilidade fiscal, da recuperação do BNDES, da modernização da Petrobras, que triplicou a produção depois do fim do monopólio e, premida pela competição e beneficiada pela flexibilidade, chegou à descoberta do pré-sal. Esqueceu-se do fortalecimento do Banco do Brasil, capitalizado com mais de R$ 6 bilhões e, junto com a Caixa Econômica, libertados da politicagem e recuperados para a execução de políticas de Estado.

Esqueceu-se dos investimentos do programa Avança Brasil, que, com menos alarde e mais eficiência que o PAC, permitiu concluir um número maior de obras essenciais ao país. Esqueceu-se dos ganhos que a privatização do sistema Telebrás trouxe para o povo brasileiro, com a democratização do acesso à internet e aos celulares, do fato de que a Vale privatizada paga mais impostos ao governo do que este jamais recebeu em dividendos quando a empresa era estatal, de que a Embraer, hoje orgulho nacional, só pôde dar o salto que deu depois de privatizada, de que essas empresas continuam em mãos brasileiras, gerando empregos e desenvolvimento no país.

Esqueceu-se de que o país pagou um custo alto por anos de “bravata” do PT e dele próprio. Esqueceu-se de sua responsabilidade e de seu partido pelo temor que tomou conta dos mercados em 2002, quando fomos obrigados a pedir socorro ao FMI – com aval de Lula, diga-se – para que houvesse um colchão de reservas no início do governo seguinte. Esqueceu-se de que foi esse temor que atiçou a inflação e levou seu governo a elevar o superávit primário e os juros às nuvens em 2003, para comprar a confiança dos mercados, mesmo que à custa de tudo que haviam pregado, ele e seu partido, nos anos anteriores.

Os exemplos são inúmeros para desmontar o espantalho petista sobre o suposto “neoliberalismo” peessedebista. Alguns vêm do próprio campo petista. Vejam o que disse o atual presidente do partido, José Eduardo Dutra, ex-presidente da Petrobras, citado por Adriano Pires, no Brasil Econômico de 13/1/2010. “Se eu voltar ao parlamento e tiver uma emenda propondo a situação anterior (monopólio), voto contra. Quando foi quebrado o monopólio, a Petrobras produzia 600 mil barris por dia e tinha 6 milhões de barris de reservas. Dez anos depois, produz 1,8 milhão por dia, tem reservas de 13 bilhões. Venceu a realidade, que muitas vezes é bem diferente da idealização que a gente faz dela”.

O outro alvo da distorção petista refere-se à insensibilidade social de quem só se preocuparia com a economia. Os fatos são diferentes: com o Real, a população pobre diminuiu de 35% para 28% do total. A pobreza continuou caindo, com alguma oscilação, até atingir 18% em 2007, fruto do efeito acumulado de políticas sociais e econômicas, entre elas o aumento do salário mínimo. De 1995 a 2002, houve um aumento real de 47,4%; de 2003 a 2009, de 49,5%. O rendimento médio mensal dos trabalhadores, descontada a inflação, não cresceu espetacularmente no período, salvo entre 1993 e 1997, quando saltou de R$ 800 para aproximadamente R$ 1.200. Hoje se encontra abaixo do nível alcançado nos anos iniciais do Plano Real.

Por fim, os programas de transferência direta de renda (hoje Bolsa-Família), vendidos como uma exclusividade deste governo. Na verdade, eles começaram em um município (Campinas) e no Distrito Federal, estenderam-se para Estados (Goiás) e ganharam abrangência nacional em meu governo. O Bolsa-Escola atingiu cerca de 5 milhões de famílias, às quais o governo atual juntou outras 6 milhões, já com o nome de Bolsa-Família, englobando em uma só bolsa os programas anteriores.

É mentira, portanto, dizer que o PSDB “não olhou para o social”. Não apenas olhou como fez e fez muito nessa área: o SUS saiu do papel à realidade; o programa da aids tornou-se referência mundial; viabilizamos os medicamentos genéricos, sem temor às multinacionais; as equipes de Saúde da Família, pouco mais de 300 em 1994, tornaram-se mais de 16 mil em 2002; o programa “Toda Criança na Escola” trouxe para o Ensino Fundamental quase 100% das crianças de sete a 14 anos. Foi também no governo do PSDB que se pôs em prática a política que assiste hoje a mais de 3 milhões de idosos e deficientes (em 1996, eram apenas 300 mil).

Eleições não se ganham com o retrovisor. O eleitor vota em quem confia e lhe abre um horizonte de esperanças. Mas se o lulismo quiser comparar, sem mentir e sem descontextualizar, a briga é boa. Nada a temer.

  • Foto: FHC: eu era feliz e sabia.
  • Caso de saúde pública

    Posted by Leticia on February 06, 2010
    Comportamento, Zoológico / 9 Comments

    estojo

    Ontem mâmis me confessou que tem medo que a ordem natural das coisas de inverta e eu morra antes dela. Afetos à parte, lhe sobraria um pepinão: como é que ela faria pra desmontar meu apê, com tanta tranqueira?

    Já eu tenho medo de um dia virar notícia de jornal, dessas em que a vigilância sanitária invade a casa com lixo acumulado até o teto,  e manda a velhinha pra um asilo. Já realizo a reportagem: meus sobrinhos (inclusive Periquito) explicando que já tinham tentado de tudo, que eu era irredutível,  não queria morar com eles e seus móveis mudernos e minimalistas, e que a solução do asilo era a única possível, eu estaria mais confortável lá, etc.

    Já tinha falado aqui das antiguidades mais bacanas, mas não falei da traquizomba média. Pra mim tanto faz ter algum valor ou não. Lembrando alguém ou sendo bonitinha, na estética que me atrai (ou seja, a de quarenta anos atrás pra menos), por que motivos eu jogaria fora?

    O máximo que pode acontecer caso eu morra antes de Cremilda (é como chamo minha mãe) é ela ficar milionária vendendo tudo nos mercados livres da vida como ítens de colecionador. E depois se internar com estafa, tadinha.

    Esse estojinho aí, cuja foto encontrei na ternét (preguiça de fotografar o meu): vi até por 120 mangos! Uma caixa de lápis de cor Johann Faber. Réguas de cálculo do meu tio. Um “contador de picotes de selos”, também do meu tio. Um copo de Coca-cola da Bienal de 96, aquele com Andy Warhol (virou porta-caneta e ficou assim, em uso, esse tempo todo).

    E as xícaras? Assim: a família usa seus conjuntos de louça, e eles vão quebrando. Quando já estão desfalcados além da conta, fico com as que restaram (com ou sem pires). E minha cunhada com pratos – ela tem uma parede imensa, “cada um com sua história”, ela diz.Ah!  Também não há motivo para me desfazer de bules, açucareiros e leiteiras, of course.

    Detail: eu uso minhas xícaras. Adoro montar mesas com peças diferentes entre si.

    Tenho, por acaso, visto tanta tralha “de colecionador” que tenho medo de começar a colecionar embalagem de sabonete.

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    Protocolo que mamãe ensinou

    Posted by Leticia on February 05, 2010
    Urbano, Zoológico / 8 Comments

    RSVP

    Se Jane Austen fosse paulistana, diria, no primeiro parágrafo de seu Orgulho e preconceito:

    É verdade universalmente reconhecida

    que um mendigo em posse de uma boa marquise

    não deseja ir para um albergue.

    Hoje no Estadão, com aquele tom de tragédia: “Kassab fecha albergues e lota ruas”. A “denúncia” foi feita pela Associação Viva o Centro, diante da ação da paulatina (há pelo menos dois anos) da Prefeitura de fechar albergues no centro, onde se concentra a população de rua, para que o movimento neomendicalista migre para a periferia.

    Associações voltadas para o tema informam que a população de rua vem crescendo,  e o quadro se agrava ainda mais com o fechamento desses albergues.

    Já dá pra mandar fazer um carimbo de tanto que digo aqui que o mercado de mendigos não têm entressafra. Quanto maior a possibilidade de ganhos, seja em esmolas, infraestrutura e sobras da cidade, mais eles vêm, inclusive de cidades paupérrimas do entorno. Tem pesquisa da Fipe atestando isso.

    Se a Prefeitura não se mobilizar, como vem fazendo, com medidas espanta -mendigo, a migração só vai aumentar.  Tem de colocar impedimento nos bancos de praça, sim, tem de reprimir, sim, tem de desestimular, sim! Por quê? Porque a Prefeitura é má? Claro que não. É que há uma movimentação de estímulo à mendicância.

    Isso é fascismo? Óbvio que não. Até onde sei, democracias que se prezam têm mecanismos para tolher certas liberdades para que a própria democracia seja protegida. Então, não dá pra vir com aquele papinho Julio Lancelotti, de que a única coisa que mendigo merece é um viaduto pra chamar de seu.

    Nenhum ser humano merece viver na rua, mesmo que ele próprio ache isso uma boa pedida. O que tem de fazer é cobrar das cidades de onde eles vêm (inclusive de São Paulo mesma) mecanismos de educação e trabalho, para que o cara que hoje cata lixo possa prover algo melhor pros filhos, e assim por diante, como acontece no planeta desde o começo dos tempos.

    O que não pode acontecer é uma indústria da mendicância, com apoio e incentivo de entidades que só se mexem no ponto final da cadeia: reclamando politicamente contra a Prefeitura, fornecendo drogas pra criatura não passar fissura, organizando protestos, enfim, fazendo de tudo  para que a miséria só cresça na cidade.

    Me chamaram a atenção os termos dessa reportagem do R7, de 30 de janeiro (grifo meu):

    Os moradores de rua reclamam da atuação da GCM (Guarda Civil Municipal) na região. William contou que, na tarde de terça-feira passada (26), teve o colchão tomado pelos guardas.
    - O que acontece, pelo menos duas vezes ao dia, é um “rapa” por aqui. Eles [GCM] aparecem para levar as nossas coisas e tirar a gente da calçada. Nunca ninguém veio falar de albergue.

    Agora tem de avisar ao mendigo que existem albergues. Vai ficar muito fino: você  faz o convite em papel vergê e ele te manda um lindo buquê (fornecido pela Prefeitura) com um cartão: “Infelizmente, compromissos imperiosos me impedem de comparecer…”.

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    Gente como os outros

    Posted by Leticia on February 05, 2010
    Eleições / 17 Comments

    dilma.superpop

    Bem, com a chuva ho-ri-zon-tal que caiu aqui ontem, a luz acabou no final da tarde e só voltou no meio da propaganda política da Marina Silva. Como a tevêzinha volante ligou de repente, pensei até que Marina tinha morrido, tamanhas as olheiras e o fundo musical depressivo que o marketing político volta e meia escolhe pra edulcorar as histórias de gente simples que venceu não sei em quê.

    Como estou adiantando um índice analítico (adoro fazer isso), fiquei no lesco-lesco até que a internet, puf… Aí lascou mesmo, porque não trabalho sem o São Google dijeitmanêra.

    Mas até o opróprio tem suas potencialidades, não?

    Não tem essa de que “um amigo me ligou”. Eu lembrava que tinha visto em algum lugar que Dilma Roussef estaria no Superpop, e pensei comigo: Façamos do limão uma análise sociológica, oras!

    O tom da coisa foi o mais chinfrim possível. Na base do “Dilma não morde, ela é gente como nóis”. Mulher, mãe, gripada, dona de casa, blá-blá-blá.

    Os perequeteques políticos: os números(!) do PAC e as milhões de coisas em que “o país precisa avançar” (porque ficou parado nesses oito anos, como a educação, p. ex.), disse que gosta muito de São Paulo, falou das enchentes  na cidade (que sua amiga Marta NÃO resolveu, óia que coisa!…, e que eles VÃO resolver), da necessidade de espaços multiculturais pelo Brasil inteiro (que eles NÃO providenciaram até hoje).

    O marketing amador: Dilma se veste extremamente mal, já perceberam? Estava com uma calça vermelha e uma blusinha JP preta. Só faltou uma sacola e dar témanhã pra patroa. Isso não lhe favoreceria nem que estivesse mais magra. O povo não gosta de se ver nessa gente. Deveria se enfiar nuns costuminhos mais alegres.

    Isso aliado à sua fala preguiçosa, sem ritmo e cheia de vícios regionais e à sua postura corporal sem positividade alguma, a deixam com uma pinta de Aracy de Almeida genérica (com intensas desculpas a Araca, diga-se).

    Para provar que é normal, foi à cozinha fazer um omelete sem qualquer infraestrutura pessoal. Quem quebrou os ovos foi a Luciana Gimenez, e Dilma esqueceu de botar óleo. Resultado: ficou uma gororoba, pelo que ela culpou a panela: “da próxima vez a gente exige uma planela T-fal”. Não dá pra falar de outro modo? Não dá, né?…

    Ficou com pinta de tudo planejado à moda PT, sem planejamento algum. Até o bafafá da falta de uma colher de pau numa simples panela de alumínio.

    Gostei foi da Luciana (o povo insiste que ela é uma idiota. Não é) cortando a candidata no quesito cinema. Dilma, ao dizer que gostava de cinema, estava pronta para falar de seu filme preferido quando a apresentadora deu de elogiar Avatar, o que a deixou completamente sem chance. Porreta a Gimenez, viu?

    E juro que a ouvi falar: “outro dia, num comício com o presidente Lula…”. A entrevista não está disponível em vídeo ainda. Preciso checar pra não me trair.Está aqui o vídeo. Lá pelos 10 min 50. A transcrição certa é: Eu tenho acompanhado muito o Lula [...] Eu lembro de um comício, por exemplo. [...] Isso num comício…

    Mas, mesmo que ela realmente tenha dito isso, qual é o mal, não é mesmo? O TSE fala e anda pra propaganda antes do tempo…

    Até The Economist aconselha Serra a começar sua campanha de vez… (E observa que Dilma é “menos carismática” que ele, rá!)

    Bairrismo dos outros e coisas que tais

    Posted by Leticia on February 04, 2010
    Comportamento / 14 Comments

    mazzaropi.geni prado

    Interessante o post do Reinaldo Azevedo de hoje, “Minas e os mineiros”, de que me aproveito pra tecer os meus comentários e explicar umas coisinhas aqui do Flanela. Um trecho:

    [...] menções preconceituosas que digam respeito à origem das pessoas. Acho esse papo chato, desinformado, cafona. E o incentivo a qualquer forma de preconceito, venha de onde vier, é manifestação de atraso. Aécio Neves acerte ou erre, ele é mineiro, mas não é Minas nem é o conjunto dos mineiros. Serra acerte ou erre, ele é paulista, mas não é São Paulo nem é o conjunto dos paulistas. E isso vale para o pernambucano Lula. Já escrevi aqui e reitero uma frasesinha que acho muito boa: “Com Samuel Johnson, acho que ‘o nacionalismo é o último refúgio dos canalhas’. E penso que o bairrismo é o esconderijo dos bocós.” (íntegra)

    E é mesmo.

    Mas, ao contrário do Reinaldo, que tem lá seus compromissos ético-jornalísticos, faço certa distinção de características regionais, sim. Não tenho porque cair na utopia de que o país é um só, e que todos somos iguais, e tal, porque a realidade prova que isso é péssimo.

    Primeiramente, cada povo tem sua característica. Não fosse assim, a Austrália não é o que é, a França não é o que é e a Bolívia não seria o que é. Passar por cima disso em nome de uma suposta igualdade vai mascarando problemas. E  como os debates de racismo e de gênero: por que cargas d’água eu deveria ignorar que um de meus melhores amigos é gay? Deveria ser esse um assunto tabu entre nós? Claro que não. Tanto é verdade, tanto nos entendemos que tenho a plena liberdade de usar a palavra “viadagem” em nossas conversas. Ele sabe o que é isso, ele sabe que não é com ele, ele e eu sabemos que podemos ser naturais um com o outro porque nos vemos naturalmente. Não levantamos bandeiras de nós mesmos, não nos estranhamos. Somos seres humanos e  amigos. Simples assim.

    Não sei exatamente por que o Flanela foi criado. Mas um dos motivos é, certamente, o bairrismo. Dos outros. Não há estado e cidade mais violentamente criticados pelo Brasil afora do que São Paulo, e parece que quanto mais procuro lustrar a cidade para que se veja um pouco do que é bom ou normal aqui, mais peteleco recebo.

    Supremacia econômica? Conjunturas políticas? Poblemas freudianos? Não sei. Só sei que é assim, e as críticas que faço são um desejo pueril  de que a supremacia paulista desapareça.

    Quando expresso aqui meu desprezo à família Sarney ou a figuras como Ciro Gomes – que aflora sempre que um deles vem se tratar em um dos hospitais paulistanos – não é porque deseje que eles morram à míngua. O que faço é uma grande pergunta: por que raios essa gente, que está há décadas no poder, com orçamentos federais todo ano, não tratou de desenvolver um sistema de saúde decente em seus estados? “Decente”, que digo, é a ponto de eles poderem usar.

    Já disse e repito: meu sonho é que um dia o Brasil possa ter um  polo de desenvolvimento em Fiofó do Mato Dentro. Várias São Paulo espalhadas pelo país, para que, sei lá, um maranhense com câncer não precise se humilhar numa via-crúcis regional e arruinar sua vida financeira pra tratar de um problema de saúde que, para um paulista, pode ser uma bobagem corriqueira.

    Isso é uma coisa. Outra é o rancor, a relação de amor e ódio que pessoas, isoladamente, nutrem pela ideia de São Paulo. Tenho um balde de casos, vindos de todas as partes do Brasil.  Ontem entrou mais um pra coleção. Somados aos horríveis preconceitos que senti na pele quando morei no Rio, já tem material pra um museu.

    Daí não tem o que fazer mesmo. O conceito de inferioridade, de vassalagem revoltada, de orgulho jeca, não fui eu que inventei.

    • Foto: Mazzaropi e Geni Prado em Jeca Tatu, 1959. O problema não é como o paulistano vê os outros, mas como os outros se veem. Daí, só a psicanálise mesmo.

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